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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Poetas que cantaram o Natal III


Depois de Guerra Junqueiro e de David Mourão Ferreira, a vez de Bocage. Também ele!... 

Se considero o triste abatimento
Em que me faz jazer minha desgraça,
A desesperação me despedaça,
No mesmo instante, o frágil sofrimento. 

Mas súbito me diz o pensamento, 
Para aplacar-me a dor que me traspassa, 
Que Este que trouxe ao mundo a Lei da Graça,
Teve num vil presepe o nascimento.

Vejo na palha o Redentor chorando, 
Ao lado a Mãe, prostrados os pastores,
A milagrosa estrela os reis guiando. 

Vejo-O morrer depois, ó pecadores, 
Por nós, e fecho os olhos, adorando
Os castigos do Céu como favores. 

Manuel Maria Barbosa du Bocage

4 comentários:

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

O Natal é um acontecimento inspirador de todas as épocas e de todas as áreas da arte! Lindos poemas com que o Caro Dr. Pinho Cardão nos tem presenteado. Obrigada. FELIZ NATAL,

Pinho Cardão disse...

Agora e que há gente fortemente complexada para quem falar do Natal e coisa retrógrada. Coitados, pensam que o mundo começou com eles e acaba com eles.
Boas Festas, Cara Margarida

Bartolomeu disse...

Quem diria que o vate do Sado, ou o marto e brejeiro Elmano Sadino, se atreveria a cantar o nascimento de Cristo e a comparar o Seu sofrimento ao do mundo...
Bela rubrica, esta dos poemas de Natal, caro Amigo, continue por favor.

Pinho Cardão disse...

Assim farei, caro Bartolomeu.