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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

IGCP anuncia oferta de troca de dívida: muito interessante, mas...

1. O IGCP anunciou que vai realizar amanhã uma oferta de troca de dívida pública: OT’s com vencimento em 2014 e em 2015, por OT’s com vencimento em 2017 e em 2018.

2. As condições propostas para esta oferta de troca são atractivas, sendo dada aos interessados a possibilidade de, nessa troca, ALIENAR as OT’s com vencimento em 2014 e 2015 por um preço superior ao par, e de ADQUIRIR as OT’s com vencimento em 2017 e 2018 por um preço inferior ao par.

3. Concretamente, OT’s com vencimento em Junho e Outubro de 2014 e em Outubro de 2015 poderão ser alienadas aos preços de € 101,158, de € 100,705 e de € 100,040, respectivamente, sendo adquiridas ao mesmo tempo OT’s de Outubro de 2017 ao preço de € 98,857 (com cupão de 4,35%, oferece yield de 4,677%) e as OT’s de Jun/2018 ao preço de € 97,966 (cupão de 4,45%, yield de 4,956%).

4. É uma solução inteligente de regresso suave aos mercados de dívida, que permitirá aliviar o serviço de reembolsos nos próximos 2 anos, que, sendo o período imediatamente pós-Troika, será o mais crítico para um regresso ao financiamento dos mercados em condições aceitáveis, substituindo o financiamento dos credores internacionais...

5. Esperemos que esta operação venha a recolher uma elevada adesão por parte dos investidores, constituindo mais um sinal de melhoria das perspectivas económicas e financeiras...

6. ...mas fica no ar um senão, ou seja um problema para os gloriosos “diehard” da Aula Magna, que certamente se vão ver na necessidade de lançar mais uma poderosa ofensiva, com o indispensável e prestimoso apoio mediático, tentando o “tudo por tudo” para travar o “regresso aos mercados” e lançar-nos nas perfumadas águas da insolvência, do incumprimento da dívida e da bancarrota, tudo em nome dos mais elevados interesses do País...

16 comentários:

Luis Moreira disse...

Descida das taxas em todos os prazos. Só à paulada: http://bandalargablogue.blogs.sapo.pt/704384.html

Pedro disse...

"MeanWhile" :

- quantos cortes de pensões,são necessários para financiar as alienações a "um preço superior" e as aquisições a "um preço inferior" ?



P.S - "Mean" goes for : malvado : as in "wicked" or "perverse"...

Tavares Moreira disse...

Caro Luís Moreira,

Já entrou em zona de concorrência com o criativo Coronel Lourenço? O produto que anunciam terá por esta altura um excelente mercado, na Ucrânia...

Caro Pedro,

Para financiar as aquisições e alienações em referência, são necessários cortes de 0% nas pensões...é de facto uma brutalidade...
Não se esqueça da distinção entre o défice orçamental global e o défice primário e em que classe de encargos se inscrevem estes custos financeiros...

opjj disse...

Caro Dr. Tavares Moreira, aquela plateia na aula magna valia uma boa parte do PIB, esperemos que esse capital investido dê frutos.Com tanta ciência junta só pode!
cumprimentos

Tavares Moreira disse...

Caro opjj,

Não pretendendo por em causa o seu juízo quantitativo, eu propendo para o entendimento segundo o qual aquela plateia faz parte da economia paralela, não se rege por quaisquer regras e tem muito, mas muito mesmo, a esconder em matéria de benefícios patrimoniais auferidos...
Quem sabe mesmo se a maioria daqueles herois não fará aquele número tb como uma boa operação de disfarce...

Pedro disse...

Pois...é isso mesmo, caro Tavares Moreira.

Não duvido minimamente que os numeros e tal, e as "gavetas" e afins, sejam todas contabilisticamente favoraveis.

Agora por mais voltas que se façam, ainda gostava que me explicassem como é que uma operação, que é atrativa para os investidores e para os mercados, pois oferece um maior retorno...consegue dar mais retorno sem que tenha de dispor de mais recursos.

(reconheço a simplificação da analogia, mas no limite é mesmo isto)

Sendo assim, só me pergunto porque raio não fazemos os mesmo com a Divida á Troika ?

Tipo, dizemos-lhes que pagamos com atraso de dois anos, mas damos mais juros...e eles aceitam e ficam contentes, e nós gastamos o mesmo! Mas sendo assim, porque será que eles não aceitam? só se estiverem contra nós...

mas volto a frizar, acredito que nas contabilidades, e nas gavetas onde se separam e quardam os papelinhos das dividas..fique tudo bonitinho, não percebo é como vamos pagar mais, sem ficar com menos...

Carlos Sério disse...

É o que se chama "empurrar com a barriga os problemas" usando a "política do desenrascanço". Perdendo dinheiro claro. Mas o que é isso comparado com o que se perdeu em Swaps?
O povo é que paga, sempre, e quem vier a seguir que se desenrasque. Só que, à velocidade da delapidação do património do estado executada pelo governo restam cada vez menos meios de desenrascanço. Quando não houver mais Correios, Anas, Galps, EDP, Águas, etc, e só restarem as Berlengas eu quero ver como é que se irão desenrascar.

Tonibler disse...

Sempre me fez confusão o pessoal que repete as opiniões que leu dos outros, mas os que fazem clipping sem sentido é um exagero...


Eu acho que os senhores da tesouraria não andam a trabalhar bem. Eu sugeria que em vez de rodar OT's, o tesouro começasse a pagar ordenados em OT's com taxas irlandesas e entregar euros aos credores. Pelo menos àqueles que acham que se ganharem menos lhes estão a cobrar impostos ocultos. Assim o TC ficava contente porque os números eram iguais e menores que 100, que foi até onde aprenderam, o Ferreira do Amaral andaria radiante porque o mandavam para fora do euro e até o exército chavista da Aula Magna ganharia motivo para mais um comício.

Tavares Moreira disse...

Caro Tonibler,

Já agora, porque não essas OT's terem juros alemães, que muito honraria os beneficiários dos pagamentos e com toda a probabilidade não suscitaria qq problema de inconstitucionalidade, como bem refere?
Quanto à Aula Magna, era capaz de vir abaixo, numa explosão de entusiasmo patriótico!

Caro Pedro,

Não existe qq problema com gavetas nem nenhum artifício de qq outro tipo, não há necessidade, de todo: esses encargos serão revelados com toda a clareza e integralidade, só que não afectam o saldo orçamental primário, o mais relevante na avaliação do cumprimentos dos objectivos do PAEF!

Caro Pedro,

Pedro Almeida disse...

Já ouviu falar do escândalo Madoff, certo? E, em versão caseira, da Dona Branca?

Foram ambos esquemas financeiros criminosos que, curiosamente, têm muito em comum com o desenho da maioria dos sistemas de segurança social do mundo desenvolvido, incluindo o português: os descontos presentes, tanto de trabalhador como de empresa, servem, não para constituir um fundo de investimento de cujos rendimentos e capital o trabalhador usufruirá depois de reformado, mas para pagar as pensões atuais. Um dos principais erros ouvidos quando se fala em pensões - e que políticos e comunicação social pouco fazem para esclarecer - é este de se receber, na velhice, nada mais do que o que anteriormente se descontou.

Como se fosse possível descontar cerca de 35% do ordenado ao longo de, no máximo, 40 anos e, depois, esperar que esse montante cobrisse durante 20 anos um valor próximo do último ordenado da carreira contributiva. Junte-se à não capitalização o envelhecimento populacional (em 2060 teremos 1,4 trabalhadores no ativo por reformado, contra os atuais 3,3) e verificamos que o futuro é agreste. Agradeçamos, portanto, à OCDE vir chamar a atenção para o problema com o relatório Pensions at a Glance 2013: os futuros pensionistas terão pensões consideravelmente mais baixas do que as atuais (taxa de substituição de 54,7% para rendimentos médios para quem inicie descontos em 2012) e trabalharão mais anos (em 2050, a idade média de reforma será 67 anos).

Depois, claro, de sustentarem as reformas mais altas desta geração que a OCDE apelidou de "dourada", numa clara espoliação das vindouras gerações de pensionistas. Esta injustiça intergeracional evita-se apenas adotando sistemas de capitalização, mas nenhum político mostra vontade de o fazer. Resta-nos, assim, que baixem impostos, de forma que tenhamos maior capacidade de poupança, guardando recursos para o tempo da exígua reforma. Ou, em alternativa, fazer como a previsão da OCDE para a segurança social pública, segundo noticiou uma televisão: ‘ter fé' na sua sustentabilidade.

http://economico.sapo.pt/noticias/fe-social_182803.html

Pedro Almeida disse...

Isto, a respeito da necessidade de reformulação dos sistemas de pensões. A esquerda insiste em esconder a verdade aos cidadãos, preferindo vender ilusões!

Tonibler disse...

OT's portugueses com juros alemães para pagar aos funcionários públicos? Mas isso seria o primeiro passo realmente importante para expulsar a troika! E certamente a troika estaria de acordo! (embora, se calhar, pudessem fingir durante uns tempos que não... Só para descansar o TC.) Isso tornaria o estado português à prova de especuladores da economia de casino porque nenhum lhe quereria por a mão. Quem sabe o Boaventura não vai já buscar um financiamento europeu para explicar este milagre económico?

Tavares Moreira disse...

Bem observado, caro Pedro de Almeida, este estado de permanente ilusão - monetária, financeira ou previdencial, todas tendo em comum negar a realidade - é uma característica muito vincada no espírito da aula magna...
Tudo o que têm para oferecer são ilusões, bem embaladas em palavreado fácil, barato, às vezes sem nexo, mas que vende...
Há sempre clientes para uma nova D. Branca, como sabe...

Tavares Moreira disse...

Caro Tonibler,

Melhor do que isso só mesmo OT's alemãs com juros portugueses...fariam um eespectacular sucesso na aula magna!

Pedro Almeida disse...

Caro Dr. Tavares Moreira,

Obrigado pelas suas palavras.

Tavares Moreira disse...

Caro Pedro Almeida,

Não tem de quê, as palavras que refere foram simples e sinceras, também estou bastante farto deste tipo de palavreado, oco e intelectualmente desonesto, de características puramente "nihilistas".