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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Lutar

Não tenho medo de lutar, nunca tive. Tive bons exemplos de como se deve lutar, vi muitos casos de lutas heroicas, cresci ao lado de lutadores, ensinaram-me a lutar desde muito cedo e impregnaram-me a alma com a história de nossos antepassados. Lutar é a palavra de ordem. Quase que me apetecia dizer que era capaz de adotar como lema o verbo lutar ao qual associaria a honra e a honestidade. Uma tríade que teimosamente quer viver e que me dá alento para poder respirar e sonhar. O que eu vejo por aí são pessoas que nunca lutaram, nem devem saber qual é o seu sabor, e que vivem à custa de outros verbos, que não conjugam, não por os ignorarem mas, porque, aparentemente, repudiam. Estranho comportamento a que associam a falta de honra, conceito que não conseguem cheirar por défice irreversível do olfato, e, por fim, gostam de dar a entender que a honestidade é o timbre puro da voz do seu comportamento.
Assustam-me essas pessoas. E quando começam a dizer alto, e em bom som, que "são muitos honestos"? E quando dão a sua palavra de "honra"? Assustam-me, e muito. Procuro analisar na sua vida e conduta elementos que justifiquem a sua condição de "lutadores", mas não consigo vislumbrar o que quer que seja. Não são lutadores, são oportunistas, são uns manhosos e muito fanhosos nos seus comentários e juízos de valor.
Lutar dói, mas é uma dor que não incomoda por aí além, o que custa mais é o isolamento, o desprezo, a indiferença, a falta de oportunidades, a ausência de justiça e o silêncio comprometedor de muitos que vivem e se afanam do trabalho e da luta de outros.
Não desisto de lutar, seja no que for, embora o cansaço comece a atormentar o corpo e o medo a fibrilar a alma. O que fazer? Esperar que o corpo aguente e a alma não se atormente. Depois é ir em frente, acreditando que o futuro não mente.

4 comentários:

Diogo disse...

Doutor Massano, deixo-lhe aqui cinco opiniões abalizadas sobre aquilo a que chamamos «Democracia Representativa» e a «liberdade política»:
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The Establishment's Two-Party Scam

Chris Gupta: Esta fraude consiste na fundação e financiamento pela elite do poder de dois partidos políticos que surgem aos olhos do eleitorado como antagónicos, mas que, de facto, constituem um partido único. O objectivo é fornecer aos eleitores a ilusão de liberdade de escolha política e serenar possíveis sentimentos de revolta contra a elite dominante.

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Dr. Stan Monteith: "De há muito, o principal problema da vida política americana tem sido tornar os dois partidos congressionais (o partido Republicano e o partido Democrata) mais nacionais. O argumento de que os dois partidos deviam representar políticas e ideias opostas, uma, talvez, de Direita e a outra de Esquerda, é uma ideia ridícula aceite apenas por teóricos e pensadores académicos. Pelo contrário, os dois partidos devem ser quase idênticos, de forma a convencer o povo americano de que nas eleições pode "correr com os canalhas", sem na realidade conduzir a qualquer mudança profunda ou abrangente na política."

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George Wallace (foi candidato à Presidência norte-americana. Este afirmou: "... não existe diferença nenhuma entre Republicanos e Democratas."
"... A verdade é que a população raramente é envolvida na selecção dos candidatos presidenciais; normalmente os candidatos são escolhidos por aqueles que secretamente mandam na nossa nação. Assim, de quatro em quatro anos o povo vai às urnas e vota num dos candidatos presidenciais seleccionados pelos nossos 'governantes não eleitos.' Este conceito é estranho àqueles que acreditam no sistema americano de dois-partidos, mas é exactamente assim que o nosso sistema político realmente funciona."

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O Professor Arthur Selwyn Miller foi um académico da Fundação Rockefeller. No seu livro «The Secret Constitution and the Need for Constitutional Change» [A Constituição Secreta e a Necessidade de uma Mudança Constitucional], que foi escrito para aqueles que partilhavam os segredos da nossa ordem social, escreveu:

"... aqueles que de facto governam, recebem as suas indicações e ordens, não do eleitorado como um organismo, mas de um pequeno grupo de homens. Este grupo é chamado «Establishment». Este grupo existe, embora a sua existência seja firmemente negada; este é um dos segredos da ordem social americana. Um segundo segredo é o facto da existência do Establishment – a elite dominante – não dever ser motivo de debate. Um terceiro segredo está implícito no que já foi dito – que só existe um único partido político nos Estados Unidos, a que foi chamado o "Partido da Propriedade." Os Republicanos e os Democratas são de facto dois ramos do mesmo partido."

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O Professor Carroll Quigley, foi o mentor de Bill Clinton quando este era um estudante na Universidade de Georgetown. O Professor Quigley deu aulas tanto na Universidade de Harvard como na de Princeton antes de se fixar na Universidade de Georgetown.

No seu livro «Tragedy and Hope: A History Of The World In Our Time» - [Tragédia e Esperança: uma história do Mundo dos nossos dias], Quigley documenta as origens da sociedade secreta que controla os nossos partidos políticos hoje e que se manifesta nas posições chave ocupadas pelo Council on Foreign Relations [Conselho das Relações Exteriores].

"... De forma optimista, podem sobreviver para o indivíduo comum os elementos da escolha e liberdade no sentido em que ele será livre de escolher entre dois grupos políticos antagónicos (mesmo que estes grupos tenham pouca latitude de escolha política dentro dos parâmetros da política estabelecida pelos especialistas), e o indivíduo tenha a oportunidade de escolher mudar o seu apoio de um grupo para outro. Mas, em geral, a sua liberdade e poder de escolha serão controlados entre alternativas muito apertadas"...

Diogo disse...

É por isto que eu defendo a Democracia Directa. Tal como a Internet está a fazer um bypass aos Media a soldo do Dinheiro, também o poderá fazer em relação aos políticos a soldo dos mesmos.

Salvador Massano Cardoso disse...

Obrigado pelas opiniões. Vou analisar com mais cuidado.

MM disse...

Um complemento: segundo Dan Ariely, no livro "The (honest) truth about dishonesty", ha 1% de pessoas estruturalmente honestas e 1% de pessoas estruturalmente desonestas. Com as restsntes 98%, depende... Assustador!