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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

"Sem título"....



Tenho alguma dificuldade em arranjar títulos para o que escrevo, mais dificuldade do que investigar ou ensaiar. Quantas vezes deixava para o fim a escolha do título de um trabalho. Às vezes estava tudo feito e depois passava algum tempo às voltas para arranjar o título, que, quase sempre, nunca me satisfazia. Agora, com esta mania de escrevinhar, dou por mim a colocar em primeiro lugar o título e depois é que escrevo, o que condiciona muitas vezes o conteúdo. Tudo por causa da escrita eletrónica, que, no meu processador de texto, por uma questão de elegância, me convida a esse gesto. E eu caio. É o que está a acontecer neste momento. Escolhi um título, "sem título", e pus-me logo a falar de títulos. Não há dúvida que sou sensível aos títulos. Não faz mal, pode acontecer que saia algo que me agrade. Não deve ser este caso, mas nunca se sabe, ainda não terminei. 
O dia está quase a terminar, foi longo e pouco enriquecedor, mas foi temerato e causou ansiedade. Agora estou a ler a história de uma neta. Interessante. 
Já li. Um encanto. Fiquei mais rico e motivado para escrever, sonhar e continuar a lutar por eles. Adoro os pequenos, são diferentes, ricos e inspiradores. São verdadeiras minas de ideias, são materiais preciosos que sabem moldar as suas características em belas jóias que nunca mais se esquecem e que me obrigam a usá-las.
A história da minha neta mais nova não tem título, mas, também, não precisa.

"- Mamã, eu sei que tu foste uma menina muito especial... a Kikocas contou-me.
- Ai sim?! Então conta-me... Especial como?
- Quando eras pequenina andaste numa cadeira de rodas, não foi?
- Sim, andei...
- Eras feliz, mamã?
- Era!
- Eu também queria ser especial...
- Não digas disparates, Leonor!
- Eu quero ser como tu e como os outros meninos especiais...
- Leonor, o que estás a dizer é pecado!
- O que é pecado, mamã?
- Leonor, pecado é dizer ou fazer coisas que não se devem... E tu, já és uma menina especial, não precisas de andar de cadeira de rodas, de canadianas, de gesso ou seja com o que for para seres ainda mais especial... Percebeste?
- Está bem mamã, não te zangues... Toma este desenho, és tu e a Kikocas! Está lindo?
- ..."

(Kikocas - a minha mulher)

3 comentários:

Salvador Massano Cardoso disse...

Ah! Já me esquecia, ou talvez não, hoje é o dia da pessoa com deficiência. Bem podia ser esse o título deste post...

Suzana Toscano disse...

Gosto mais "Sem título" assim dá para todos os dias :) e estou a ver que a Leonor também herdou os genes artísticos !

Bartolomeu disse...

Tenho acompanhado com alguma assiduidade os relatos em que a Leonor tem sido protagonista. Em todos eles a menina evidencia uma sensibilidade extrema tanto para as artes, como para os assuntos humanos. A Leonor é, de facto, uma menina especial, inteligente e carinhosa. Que o Anjo da Guarda oferecido pelo avô a proteja toda a vida e os anos e o convívio com as pessoas lhe mantenham sempre acesa a chama que a caracteriza.