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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Super homem ou Clark Kent?

Ontem vi uma notícia num telejornal que dizia que Obama está numa baixa de popularidade tal que resolveu dar início a uma mega campanha de marketing político para "recuperar a imagem". Desta vez, os especialistas de análises de sondagens acham que tal desilusão do eleitorado se deve ao fracasso da política de saúde e ao fiasco total das tecnologias que afinal não permitem o acesso à alteração dos seguros de saúde. Digo "desta vez" porque, quando fui pesquisar a notícia na net, dei com um rol de cabeçalhos "Obama em baixa de popularidade" e não é que havia as de 2009, 2011, 2012... ? De tal modo que me deu algum trabalho encontrar a que se refere à actualidade. Mas adiante, pelos vistos a indústria da "recuperação de popularidade" vai de vento em pôpa e Presidente Obama lá se meteu a caminho, guiado pelos cientistas de imagem que consideram que o melhor é ele demonstrar que não deixou de ser "um homem do povo", um americano como os outros, um simples mortal que não tem culpa nenhuma que as malditas máquinas encravem e os seguros de saúde fiquem suspensos uns tempos. Seguiram-se imagens de Obama em mangas de camisa, numa grande superfície, na fila para pagar uns livros que comprou para a família, e seguir-se-ão outras igualmente muito originais, vamos esperar para nos lembrarmos todos de como os grandes chefes mundiais são afinal pessoas banalíssimas que só vão aos gabinetes tratar de assuntos importantes e depois despem o fato de super homem e ficam o pobre Clark Kent, embora rodeado de jornalistas que o seguem para registar os seus gestos banais tão populares para sossegar as almas inquietas. O pior é que quem ficou para a História foi o herói, o que combatia injustiças, salvava os indefesos e resolvia os problemas que angustiavam a cidade e os cidadãos...

4 comentários:

Bartolomeu disse...

Bom post, cara Drª Suzana!
O facto é que, desde que pegou a moda de contratar consultores de imagem, ou, como a cara Drª Refere; cientistas de imagem, deixámos de poder acreditar na genuinidade das expressões, das inflexões vocais, dos olhares, das manifestações faciais de tristeza, de alegria e de verdade.
Uma figura pública, como seja um presidente da república, um primeiro ministro ou um rei, passa a ser, por força das estilizações desses mágicos da imagem, atores de algo em que, muitas vezes eles próprios não acreditam, acham impossível até, mas que o rumo das políticas os obriga a representar.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Suzana
Por causa de tanta técnica de marketing para vender popularidade os políticos acabam (e começam) a "ser" o que não são. Isto só funciona porque as pessoas se deixam cativar por campanhas publicitárias como quem compra uma marca. É uma inversão que faz a negação da realidade. Não seria preferível ser tudo como é?

Suzana Toscano disse...

É isso,caro Bartolomeu, às tantas temos democracias de representação em vez de democracias representativas, a vantagem será o aumento da procura das licenciaturas em teatro, a difícil escolha será entre o teatro dramático ou o de comédia...
Margarida, receio que o seu desejo levasses muitos milhares ao desemprego, já viu a indústria que se criou à volta da "imagem" na política e nas empresas?

Diogo disse...

Ninguém expôs tão bem o assunto do «fiasco total das tecnologias que afinal não permitem o acesso à alteração dos seguros de saúde» como Jon Stewart do Daily Show.

O que dá toda a razão a:

O Professor Arthur Selwyn Miller foi um académico da Fundação Rockefeller. No seu livro «The Secret Constitution and the Need for Constitutional Change» [A Constituição Secreta e a Necessidade de uma Mudança Constitucional], que foi escrito para aqueles que partilhavam os segredos da nossa ordem social, escreveu:

"... aqueles que de facto governam, recebem as suas indicações e ordens, não do eleitorado como um organismo, mas de um pequeno grupo de homens. Este grupo é chamado «Establishment». Este grupo existe, embora a sua existência seja firmemente negada; este é um dos segredos da ordem social americana. Um segundo segredo é o facto da existência do Establishment – a elite dominante – não dever ser motivo de debate. Um terceiro segredo está implícito no que já foi dito – que só existe um único partido político nos Estados Unidos, a que foi chamado o "Partido da Propriedade." Os Republicanos e os Democratas são de facto dois ramos do mesmo partido."