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segunda-feira, 25 de março de 2013

As "campainhas" da natalidade...

De cada vez que há indicadores sobre a natalidade tocam as campainhas. Hoje voltou a repetir-se. Ainda há quem se admire com a trajectória do fenómeno em Portugal. Não há qualquer novidade como mostram os números. Era previsível o que está a acontecer. Desde 1982 que deixámos de substituir gerações. Desde 2009 que o número de nascimentos foi ultrapassado pelo número de óbitos. Estamos a envelhecer a passos largos. 
Vivemos mais tempo, felizmente. Os ganhos de esperança de vida obtidos nas últimas décadas são uma grande conquista. Uma vida longa permite acumular mais saber e conhecimento. O capital humano é uma determinante do crescimento económico e do bem estar de uma sociedade. Mas com a natalidade a afundar-se a quem vamos transmitir a maior acumulação de capital humano? Sem esquecer todas as outras consequências...

8 comentários:

Floribundus disse...

causas
egoismo, desemprego, emigração

falência ad aeternam do estado social, dito paizinho

socialismos são 'cadáveres mortos'

Luis Moreira disse...

Egoísmo é. Mas também vejo nas mulheres jovens da minha família um grande orgulho em serem mães.O meu pai teve 21 irmãos. Eu tenho cinco irmãos. O meu é filho único. Qual a grande diferença? As mulheres trabalham e antes ficavam em casa ( não defendo isto, evidentemente) mas temos que arranjar uma forma de substituir a "mãe doméstica"

Bartolomeu disse...

Permita-me Drª Margarida, uma leitura paralela ao segundo gráfico: percebo que a taxa de mortalidade, ultrapassou em 2008 a taxa de natalidade, mas desde esse ano, parece manterem-se em paralelo.
Estes sinais, podem indicar-nos à partida que existe um equilíbrio entre o número de nascimentos e o número de idosos que falecem. Não me parece mau este indicador.
Vejamos: se os nascimentos aumentassem exponêncialmente e na mesma proporção, falecessem menos idosos, e se esta mudança ocorresse num espaço de tempo de 10/15 anos, teríamos uma sociedade de certa forma desiquilibrada, agravada pela carÊncia de meios de apoio às pessoas com maiores necessidades. Então, seria necessário que neste espaço de tempo (10/15anos) a sociedade mudasse radicalmente, por forma a encontrar uma solução de integração e apoio aos mais idosos, tornando-os úteis à sociedade, aproveitando-lhes os saberes e em simultâneo proporcionar-lhes um fim de vida digno e feliz. Aquilo que a maioria não teve oportunidade de experiênciar ao longo da sua existência.

Paulo Pereira disse...

Seria interessante colocar no mesmo grafico as taxas de desemprego jovem em Portugal e na UE 27.

Talvez fosse assim mais facil entender.

Suzana Toscano disse...

Há muito tempo que há declínio de natalidade, talvez desde que deixou de ser verdade que "cada filho traz um pão debaixo do braço" ou seja, quando as crianças eram mão de obra gratuita e iam trabalhar para os campos ou para as lojas da cidade mal aprendiam a andar,salvo nas famílias mais abastadas e, mesmo nessas, eram só os rapazes que iam estudar. Hoje, e bem, os pais querem dar aos filhos todas as oportunidades de viverem bem, e era até considerado um grande egoísmo não pensar assim. Quanto ás mulheres, mesmo que quisessem "voltar para casa", o que eu duvido muito, será que um salário seria suficiente para criar mais filhos? Ou mesmo só um? Seria fantástico que trabalhar fora de casa fosse para as mulheres uma fonte de realização profissional, lamentavelmente na grande maioria é uma questão de sobrevivência, e de grande sobrecarga. E, já agora, de alguma independência financeira, por pouca que seja. Ter filhos, como hoje se constata da pior maneira, é também um benefício para toda a sociedade, não é um problema das famílias individualmente consideradas nem da maneira como conseguem organizar-se ou prescindir de bens materiais, é um colectivo que tem que assumir e acarinhar, e respeitar, o que está muito longe de acontecer, basta ver que as politicas (????) de natalidade ainda são tantas vezes consideradas como "direitos das mulheres".

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Luis Moreira
21 Filhos na geração do seu Pai é obra!
É uma conquista importante o acesso das mulheres aos estudos e depois ao mercado de trabalho. Este avanço teria que ter efeitos na natalidade, embora me pareça que poderíamos estar melhor organizados, como estão outros países, para que as mulheres continuem a ter filhos sem que prejudiquem as suas carreiras profissionais. Alguns inquéritos efectuados mostram que as pessoas desejariam ter mais filhos do que aqueles que têm. Dá que pensar.
Caro Bartolomeu
Desequilibrados já estamos. A nossa sociedade está a envelhecer. Não é necessariamente um problema, o problema é outro. Não estamos preparados para mudar o nosso quadro mental. Vamos precisar de nos organizar de outra maneira. Vamos ter cada vez menos jovens para mais idosos. Uma realidade com a qual ainda não sabemos lidar.
Caro Paulo Pereira
O seu comentário fez-me lembrar aqueles que dizem que não vale a pena estudar porque depois não há emprego.
Suzana
Concordo plenamente que o problema, ou não problema, deve ser assumido pelo colectivo. É um daqueles assuntos que interessa ao país como um todo. É uma questão de "responsabilidade social" colectiva.

Paulo Pereira disse...

Cara Margarida Aguiar,

Esconder a realidade do desemprego jovem para defender uma tese não é boa politica.

Não faz sentido incentivar a natalidade e mandar os jovens para o desemprego e para a pobreza.

Primeiro é preciso resolver o problema económico e só muito depois poderá vir o problema da natalidade.

Sobre os estudos, basta ver que o desemprego é maior em quem menos estuda, por isso a sua afirmação é ilógica.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Paulo Pereira
Mas quem é que quer esconder a realidade do desemprego? E não apenas o desemprego jovem, o de longa duração é também muito grave.
A natalidade ou a falta dela tem impactos de longo prazo que não se podem alterar de imediato. Quando damos pela falta dela já é tarde para inverter resultados no curto prazo. Quanto ao desemprego é também o resultado de uma falta de visão estrutural para o país. Não fomos capazes de alterar o nosso modelo económico, tivemos muito tempo, recursos financeiros (comunitários) não faltaram e fizemos opções políticas erradas. Os resultados aí estão.
A afirmação não é minha, não concordo com ela. Deveríamos continuar a apostar fortemente na educação e não deixar para trás os jovens que por razões económicas desistem de estudar. Está a acontecer.