Número total de visualizações de página

quinta-feira, 21 de março de 2013

Beleza perfeita

Uma jovem britânica foi considerada no ano passado como a mais bela daquela ilha e uma outra foi considerada como a beleza perfeita. Afinal quais são os critérios que explicam estas apreciações? Tudo se baseia numa simetria facial, antes de tudo, em que determinadas proporções são respeitadas, caso da distância entre as pupilas ser ligeiramente inferior a metade da distância entre as orelhas e a distância dos olhos à boca ser superior a um terço da distância entre a linha de inserção do cabelo e o queixo. Enfim, há de facto um conjunto de proporções suscetíveis de provocar o despertar do sentido estético o qual terá a ver com alguma vantagem evolutiva. As mulheres com estas características atraem mais os homens, o que é uma vantagem, e também sinalizam menos riscos de anomalias genéricas. Estes efeitos de proporções adequadas têm sido analisados e seguidos pelos construtores gregos, por muitos escultores e até por Da Vinci no seu famoso desenho, o homem vitruviano. Até a natureza "constrói" a beleza através de proporções interessantes, como é o caso do famoso "número de ouro".
Resta saber se uma beleza perfeita é o ideal. Parece que não, sobretudo nos nossos dias. Os homens com mais “glamour” ganham mais, ao passo que as mulheres muito belas são recusadas mais frequentemente na admissão ao emprego. Têm tendência em fazerem parte de grupos de mulheres belas e serem conotadas com traços negativos de personalidade, chegando a ser alvo de condenações mais pesadas em caso de crimes graves, como se a sua beleza escondesse algo de diabólico.
Esta abordagem, feita por James Hablin, é muito interessante, porque, como ele bem diz, a nossa sociedade discrimina tão facilmente o excesso de beleza, ou a beleza perfeita, como a falta da mesma.
Social e culturalmente esta abordagem revela aspetos evolutivos, os quais têm a ver com a propagação da nossa espécie e também com o sentido estético, que muito prezamos, não só nos dias que correm, como ao longo de dezenas milhares de anos de evolução.
É curioso olhar para certas obras de arte e verificar que as que mais nos impressionam são precisamente as que possuem as tais "proporções". Há algo dentro de nós que é recetivo e sensível aquilo a que chamamos beleza, talvez a mesma regra que determinou o sucesso da nossa espécie.
Certas expressões são muito interessantes. Olha-se para uma mulher e dizemos que é bem proporcionada. Ouvimos dizer que certas decisões tomadas são proporcionadas. Uma casa bem proporcionada. Uma decisão judicial proporcionada. Tudo o que nos dá prazer, conforto, bem-estar e felicidade é considerado como sendo proporcionado, a fazer crer que certas relações e razões respeitam certas regras, regras velhas como o mundo. É por isso que um quadro, um desenho, uma escultura, um poema, um romance, uma música, ou qualquer manifestação cultural humana desperta sensações de prazer e de alegria graças a certas proporções.
É pena que na sociedade atual não haja quem respeite as "proporções", nomeadamente na política, na religião, no desporto e na economia. Quando a comunidade “vitruviar” ou “fibonicciar” as suas atividades talvez consiga despertar o sentido mais velho da espécie humana, o tal que esteve na base da evolução e da sobrevivência e que se transformou na necessidade de apreciar e beber a beleza.
Hoje, o sentido estético está a diminuir e a capacidade de evoluir, ou garantir a sobrevivência humana, também.
Evolução, sobrevivência e beleza estão em risco por não serem respeitadas certas proporções...

Sem comentários: