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quinta-feira, 19 de julho de 2007

API(CEP): oásis no deserto?

A Administração Pública em Portugal é globalmente uma fonte de enorme desperdício de recursos.
Encontram-se significativas franjas da Administração, a nível central (incluindo aqui serviços integrados e serviços/fundos autónomos) e local, onde as utilidades produzidas não correspondem ao elevado preço que os cidadãos, através dos seus impostos, pagam pela manutenção desses serviços.
Existem mesmo serviços cuja existência só se justifica pelo erro de os ter criado e cuja extinção total – mesmo que todos os funcionários continuassem recebendo seus vencimentos - representaria um ganho líquido para o País.
Tudo isto que aqui digo, em forma muito resumida, tem sido objecto de aturados estudos e de apreciação por vezes apaixonada em numerosos textos publicados.
Mas também é justo reconhecer que há serviços que justificam, e bem, a sua existência.
Por diversas razões de índole profissional tenho mantido contactos, nos últimos tempos, com a (agora denominada) APICEP, agência que resultou da fusão da Agência Portuguesa para o Investimento (API) e do ICEP, em consequência do PRACE.
Pois quero deixar aqui o meu testemunho do imenso e válido trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela API, junto da qual os investidores encontram um tipo de acolhimento e interesse no acompanhamento das suas pretensões que posso reputar excepcionais.
Devo mesmo confessar que fiquei surpreendido com a eficiência, o empenho e a atenção com que a ex-API dsempenha as tarefas que se integram na sua missão.
Sem exagero, creio poder afirmar que se todos os serviços públicos colocassem no desempenho das suas missões idêntico espírito de serviço, o País em que vivemos seria bem melhor – talvez fosse mesmo irreconhecível.
Infelizmente não acredito que isso seja possível.
Creio que a API, agora APICEP, continuará a ser um oásis (admito que não único) no árido terreno da Administração Pública.

4 comentários:

Virus disse...

Caro TM,

não pude deixar de notar que utilizou a expressão "árido terreno" em vez da mais comum "deserto".

Tenho de perguntar: Será devido à forte carga significativa que hoje essa palavra "deserto" tem desde a famosa comparação do Mário Lino (MIA desde há algumas semanas)?

Tavares Moreira disse...

Caro Virus,

Como terá reparado - não deixo de observar que tem uma percepção "felina" destes arranjos linguísticos - no título usei a expressão "deserto" mas no corpo do texto já não.
Tem razão, V.Exª, a não repetição do vocábulo tem mesmo a ver com a conotação "linófila" que agora lhe é dada e a que não quero associar-me por nada deste Mundo...

Anónimo disse...

Meu caro Tavares Moreira, subscrevo por inteiro o seu comentário.
A maior parte das nossas anotações neste caderno virtual são para criticar a insuficiência do serviço público.
Pois é de toda a justiça chamar a atenção de que há serviços que funcionam bem, que deveriam ser a matriz da nossa administração pública em sentido orgânico.
A API, agora fundida com o ICEP e renomeada, é, de facto um desses exemplos. Também eu posso dar testemunho da dedicação da gestão e dos seus quadros. Da preocupação por cumprir metas e ser fiel aos objectivos. E, o que é de facto muito raro no universo dos serviços públicos, uma interactividade com as empresas e os cidadãos que é própria de uma Administração moderna que deixou de ver os administrados como súbditos de um Estado omnipotente.
Oxalá não se perca esta dinâmica, até porque a missão da APICEP é essencial ao País.

Pinho Cardão disse...

Ora aí está, pelos vistos, uma coisa boa!...