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sexta-feira, 20 de julho de 2007

Os tiques de que se fala

Leio e ouço alguns dos nossos comentaristas e analistas chamarem a atenção para a injustiça que é imputar-se ao Primeiro-Ministro a responsabilidade directa por alguns episódios de intolerância. Ou pelo clima instalado nalguns sectores da Administração Pública. Se é exagerado dizer-se que o clima é de medo generalizado, não o será se se disser que são reais as condicionantes à liberdade de dizer (pelo menos). E, correlativo, o estímulo aos que vendem barato a alma para agradar ao poder instituído pelo preço de uma pequena participação.
Alguns militantes socialistas nunca perceberam que o grito do Dr. Jorge Coelho "quem se mete com o PS leva!" tinha um sentido e um alcance meramente metafóricos. E obedecem à letra!
O clima é, de facto, propício à assumpção dos "bufos", à proliferação dos "engraxadores" do poder e dos "lambe-botas" daqueles que o exercem.
Não resisti a esta nota porque acabo de ouvir, num dos telejornais, as inadmissíveis respostas do Primeiro-Ministro às questões e comentários do Dr. Marques Mendes no debate parlamentar sobre o estado da Nação. A sobranceria, a roçar desde logo a má-educação na forma e no gesto como se dirigiu ao líder da oposição, revela talvez a faceta mais desagradável de Sócrates: a sua dificuldade de conviver com a crítica, o seu quase nulo poder de encaixe.
Podem dizer-me que outros chefes do governo, outrora, tiveram comportamentos parecidos no Parlamento e fora dele. Será verdade, ainda que me não lembre de um primeiro-ministro que reaja tão mal à crítica. Mas o que também é indesmentível é que, os mesmos que levam à letra e à prática as palavras só metaforicamente incendiárias do Dr. Jorge Coelho, se sentem hoje caucionados, quando assistem a estas prestações do chefe, a dar largas à sua genética tendência para o autoritarismo...
Terá o Primeiro-Ministro consciência que a sua postura intolerante vai gerando, por esse País fora, criaturas que se tornam mais Sócrates que o próprio Sócrates?

5 comentários:

Salvador Massano Cardoso disse...

O Senhor PM não prima pela boa educação, e não é de agora!
A mensagem que transmite tem um efeito devastador na postura e forma de ser de muitos portugueses, legitimando e acicatando comportamentos e atitudes menos dignas. Por vezes, consegue ser mesmo "chocante"! Eu sei que gosta de "choques", mas quem precisa de um "choque" de educação é o próprio, o que é muito difícil de fazer nesta fase do campeonato.
É evidente que muitos outros responsáveis políticos, quer os que mandam agora, quer os que mandaram anteriormente, também não são flores de cheiro! Observo com muita inquietude uma degradação da postura de estado por parte de quem deve dar o exemplo. Começa a valer tudo.
“Pode-se dizer tudo a qualquer pessoa, só que é preciso saber como dizer”. Esta frase é de um mestre que eu tive. Não o esqueço…

Pinho Cardão disse...

Caro Ferreira de Almeida:
Ia no carro e ouvi grande parte do discurso de Sócrates e a resposta à primeira intervenção de Marques Mendes.
Pelo discurso, um dos maiores exemplos de demagogia política que ouvi, e que suscitou grossos e rijos aplausos, concluí que o paraíso na terra se situava em Portugal, terra do leite e do mel e onde o maná caía do céu a cada instante, graças à misericórdia e poder de Sócrates.
A intervenção de M.Mendes pretendeu fazer descer Sócrates do Olimpo. Dardejaram então raios e trovões e mostrou-se a habitual arrogância e intolerância de Sócrates, sem se dignar responder ao essencial das perguntas colocadas.
E as hostes fieis levantaram-se e aplaudiram sem cessar. E tudo farão para glorificar o chefe.
E o chefe conhece bem as suas hostes!...

cmonteiro disse...

Maus caros, Marques Mendes tem aquele ar que só apetece ser mal-educado. Não se esqueçam: Marques Mendes era aquele puto a quem atavam os atacadores um ao outro na escola, roubavam a lancheira, e ficava sempre a olhar para o céu no jogo da "estelinha cai-cai".

A reacção de Sócrates deveria ser outra, reconheço, mas temos também nós que permitir que os nossos políticos sejam um pouco mais humanos, não acham? E eu confesso: humanamente é-me impossível reagir melhor que Sócrates a Marques Mendes.

cmonteiro disse...

"Meus caros"!!!! "Meus caros""Meus caros""Meus caros"

Desculpem-me!...

Anónimo disse...

:)