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sábado, 14 de julho de 2007

“Auto-estima”...

A auto-estima é indispensável para o nosso bem-estar, evitando muitas doenças além de contribuir para a felicidade colectiva.
A auto-estima dos europeus varia de país para país. Portugal não prima por uma grande classificação, ao contrário dos nossos vizinhos espanhóis que revelam percentagens verdadeiramente invejáveis.
A baixa da auto-estima é acompanhada de problemas graves de saúde, reduzindo a esperança de vida e contribuindo para o aumento da violência.
Começam a ser compreendidos os mecanismos, através dos quais podemos explicar como actuam certas “causas ocultas” das doenças. Tal facto é importante para a tomada de medidas adequadas.
A não recompensa, o não reconhecimento, o aumento do desemprego ou o emprego não qualificado são, entre outros aspectos, razões para este fenómeno em crescendo no nosso país.
Podíamos ilustrar as diferenças entre os que são reconhecidos e os outros. Por exemplo, os que ganham “Óscares” têm um acréscimo da esperança de vida na ordem dos quatro anos. Também se sabe que um aumento do gradiente socioeconómico é acompanhado de uma diferença apreciável da esperança de vida, alargando a diferença entre os dois grupos. Somos um país em que esse gradiente aumenta, infelizmente, de dia para dia.
Entre nós, há grupos de pessoas que consciente (?) ou inconscientemente se entretêm a aumentar a auto-estima de uns tantos. Se olharmos para as televisões, revistas e jornais o que é que vemos? Sempre os mesmos! Eu sei que o país é pequeno, mas será que é assim tanto? As notícias, invariavelmente, apontam para determinadas figuras que dominam o país. Por isso têm o direito a aparecer. Mas, se olharmos para as entrevistas, para os “talk-shows” e para os programas de entretenimento, podemos verificar que são sempre os mesmos e, se não são, aparecem aquelas figuras seleccionadas com o intuito de mandarem beijinhos, abraços e cumprimentos para os filhos, netos, avós ou um presidente de qualquer junta de freguesia. A situação é de tal forma pegajosa e ofensiva que me obriga, muitas vezes, a procurar um qualquer canal estrangeiro onde consiga ver e ouvir pessoas desconhecidas. É um alívio. E sempre se aprende coisas novas.
Já afirmei que a falta de auto-estima tem consequências graves na saúde, mas não deixa de ser curioso que faz “encolher” o cérebro com as consequências que qualquer um consegue deduzir deste fenómeno. Deste modo, podemos concluir que anda para aí uma catrefada de indivíduos com uma auto-estima elevada mas de fabrico sintético a tentar “atrofiar” os cérebros da maioria. Tenho dúvidas de que seja uma auto-estima “boa”. À semelhança do que se passa com o colesterol “bom” e o colesterol “mau”, poderá ser mais uma fonte de auto-estima “má” do que “boa”, estendendo-se, também, aos ricos alfobres da militância politica, e não só. Não esquecer que muitos militantes políticos, e não políticos, entretêm-se em mostrar o seu “valor”, abusando do poder ou das suas influências doutrinárias. Às tantas, ainda poderão vir a sofrer consequências graves de saúde, se lhes tirarem, por qualquer razão, o tapete áudio-visual ou forem remetidos às origens! Há os que têm "picozitos" momentâneos mas que não serve para nada – não têm acção terapêutica –, pelo contrário, só chateiam os outros. Em contrapartida, a baixa da auto-estima lusa está garantida, basta ver o que se passa ao nosso redor.
Para adquirir uma auto-estima “boa” é preciso participar de forma construtiva na sociedade, viver com satisfação, ter capacidade em ultrapassar as adversidades, não exaltar em demasia a humildade e, sobretudo, evitar certos pensamentos automáticos derrotistas que temos tendência a produzir, os quais “roubam a consciência do nosso saudável bem-estar emocional”, segundo Luís Roja Marcos no seu artigo no El Pais, intitulado “Auto-estima Espanhola”.

4 comentários:

Pinho Cardão disse...

Muito bem, caro Professor!...
E eu estou como o meu amigo, farto de ver sempre, sempre, sempre, as mesmas caras, seja na análise económica, política, social ou desportiva. Dali não sai nada que já não tenham dito e redito 200 vezes. Quase sempre mal. O país está tão cheio de ideias erradas há tempo tempo propaladas pelos mesmos que, se alguém que aparece a dizer o obviamente contrário, é visto como um extra-terrestre!...

Great Houdini disse...

Caro professor não se esqueça que a repitição cansativa das personalidades, também se deve a muitos jogos de bastidores, padrinho e afins ...

Sinceramente eu às vezes vejo coisas, preferem estar na "merda" (sei que é um blogue de família mas não resisti) do que tentar sair dela, pois já estão habituados ... que só me apetece mandar tudo para um certo sítio e deixar uma mensagem, na minha porta para a sociedade ... "as pessoas só têm a sociedade que merecem"

Não conhecia esta distinção entre boa e má auto estima, eu apenas diferenciava a quantidade, mas realmente esta idéia faz muito mais sentido.

O que me chateia é que pessoas com a tal, má auto-estima, acabam por se dar bem na vida. Dizia-se À mulher de César não basta ser séria tem também de o parecer, actualmente tenho de conclui que basta parecer e assim vai os país e suas instituições e empresas governadas por cérebros atrofiados.

As pessoas deviam saber aquilo que valem as suas capacidades, mas a sociedade exerce uma série de pressões que enubla a auto-confiança e automáticamente inibindo as capacidade. Deixo este exemplo, como é possível que este sr. Paul Potts não tivesse mais cedo vencido no mundo da música.

Desculpem a extensão, e bom Domingo.

Massano Cardoso disse...

Great Houdini.
O vídeo é sublime!
Quantos talentos e valores desconhecidos e ignorados...

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Professor Massano Cardoso
Fantástico texto!
O País tem muitos talentos anónimos. É patético verificarmos que as notícias recaem invariavelmente sobre uma dúzia de pessoas, como se o País se confinasse a tão pouco e a sua existência estivesse nas mãos dessas figuras. E é triste assistirmos a programas de beijinhos e abraços explorando sentimentos e vidas "desesperadas", fazendo querer que somos um País de infelizes e coitados.
Tudo isto acontece porque há falta de auto-estima, de confiança, de brio e de orgulho em sermos melhores. Falta de quem explora esta ausência e falta, também, de quem não parece querer mudar esse estado de alma, olhando o mundo sem medo e acreditando que podemos ser tão bons como os outros ou como nós próprios quando inseridos em culturas "felizes".
Há certamente muitos talentos para e por descobrir e muitos que mereciam ser conhecidos, aproveitados, reconhecidos e apreciados.
É extraordinária a felicidade que se gera, nos próprios e nos outros, quando o talento salta da esfera "privada" para a "esfera pública", possibilitando a partilha.
Criar culturas de desenvolvimento e de reconhecimento de talentos é uma abordagem inteligente e ganhadora. O aproveitamento das potencialidades de cada um favorece a "boa" auto-estima de cada um e do colectivo. Com confiança temos mais possibilidades de fazer melhor e sermos mais felizes.
Porque será que é assim tão difícil seguirmos este caminho, em vez de nos deixarmos arrastar pelo queixume que nos retira forças e energias?

Caro Great Houdini
O vídeo é simplesmente comovente!