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quinta-feira, 19 de julho de 2007

Gastar da botica e da mulher!...




“…quebrou três costelas a um cirurgião que lhe gastava da botica e da mulher...”
Camilo Castelo Branco, em Eusébio Macário

Camilo Castelo Branco continua a ser dos maiores. Emociona e diverte como nenhum.
No ano passado, dava por mim a rir-me na praia com as histórias do Cego de Landim. Este ano, fui mais uma vez ao Eusébio Macário, por onde perpassa um retrato vivo do país, da ruralidade de Montalegre, à Corte de Lisboa, dos brasileiros, barões e comendadores aos cónegos da Sé do Porto, da fadistagem popular aos teatros burgueses da Invicta Cidade, dos conventos onde as ingressas, culpadas de adultério ou obrigadas pelos pais, não dispensavam nem jóias nem criadagem, onde tudo se mistura, numa admirável ironia.
Eusébio tinha uma botica. Sabia tudo sobre ervas, medicinas, mezinhas, xaropes, unguentos, que meticulosamente preparava e vendia. A mulher “era uma doidita que fez para aí tontices, adultérios, asneiras, uma desgraça”, dizia o padre ao comendador. Mas o Eusébio não se ficou: quebrou três costelas a um cirurgião que lhe gastava da botica e da mulher!...
Poderosa síntese, só possível em Camilo!...E um aviso, para quando os meus amigos forem à farmácia!...

1 comentário:

Anónimo disse...

Deliciosa recordação da obra de Camilo!