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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Confusão a mais

Diz o povo que “zangam-se as comadres, sabem-se as verdades” e o caso das intrigalhadas que têm vindo a público sobre as lojas maçónicas e respectivos filiados, com todos a apontar o dedo uns aos outros nas páginas dos jornais, parece confirmar este ditado. Mas o que mais impressiona não é saber-se que há pessoas que confundem as suas preferências associativas e as lealdades ajuramentadas, seja em que sede for, com o exercício do poder público, sempre houve e sempre haverá, infelizmente, quem sirva a dois senhores e não distinga o que deve dar a um e a outro. Seria de supor que a violação grave de deveres funcionais no exercício de cargos públicos, a existir a suspeita, daria lugar ao imediato esclarecimento do caso, julgamento e punição se assim se provasse, seja de pessoas da maçonaria ou de outro agrupamento qualquer. E, se houvesse conluio, era uma questão de apuramento de responsabilidades e da sua extensão, fosse lá qual fosse a irmandade em causa. O que impressiona, digo, é a facilidade com que rapidamente se salta desta simples equação do problema para as teses que exigem como “remédio”, suponho que preventivo, a obrigatoriedade de “confissão”, por parte de quem assume cargos públicos, da pertença a essa organização em concreto. Ora, quem diz a essa diz a outras, é uma questão de amanhã, ou depois, surgir outra confusão com quem pertence à Confraria X ou Y, ou à Igreja tal ou tal, ou aos escuteiros, ou à Filarmónica... O que impressiona, e muito, é a ligeireza da desconsideração pela liberdade individual, assim logo à cabeça, antes mesmo de apurados, fora dos jornais e na sede própria, o dano e a sua extensão.
Cada um tem o direito de pertencer livremente, secreta ou publicamente, ao que quer que seja, desde que seja legal, e ponto final. E, do mesmo modo que não podemos admitir que haja quem esteja acima da lei por pertencer a esta ou àquela organização, também não podemos imaginar que haja quem, por isso mesmo, mereça especial reserva e suspeição. O que é do interesse de todos, e deve ser divulgado, é saber quem, porquê e como exerceu as funções em que esteve investido, se abusou do poder que tinha, se perseguiu ou favoreceu ilicitamente alguém, se, em suma, causou dano ao interesse público que devia defender. Tudo o mais está a mais.

33 comentários:

Bartolomeu disse...

Mas... Cara Drª. Suzana, então e no caso de haver julgamento e o conluio se provasse mas, o meretíssimo juíz fosse membro da Ordem? Dessa Ordem cujos princípios estatutários obriga a cada um proteger o outro com sacrifício da própria vida, se preciso for?
A menos que o juíz nomeado para julgar prestasse juramento sob palavra de honra, de não pertencer a nenhuma "associação" secreta...
Estou a lembrar-me do caso "Moderna" em que o seu gestor, José Braga Gonçalves, filho do ex-reitor, membro da Maçonaria, foi julgado e condenado e depois, em queixume pela falta de apoio (leia-se ilibação) da Ordem, escreveu dois livros em que, "metendo a boca no trombone" destapou um bocado do véu.
às tantas deixamos de perceber se se protegem por medo, ou para que na realidade os conhecimentos que detêem não caiam na posse de quem lhes dê mau uso.

Tonibler disse...

Tem direito a pertencer a tudo e mais a alguma coisa. Desde que isso seja do conhecimento de quem está a ceder-lhe poder. Chama-se lealdade. Como houve gente que andou a esconder militâncias quando me pediu o voto eu deduzo, com razão, que a lealdade dessas pessoas está com essas militâncias e não comigo. Não tenho a menor dúvida que todos os deputados da maçonaria (e/ou Opus Dei, ou ...) deveriam ser demitidos por falta de lealdade para com quem os elegeu. Isto não é "tudo nosso".

Pinho Cardão disse...

Cá por mim, sugiro que, desviando alguns dinheiros públicos, e em homenagem à transparência, se construa uma imponente catedral laica com uma enorme fila de confessionários com câmaras acopladas para transmissão em directo onde todos os políticos e aspirantes (por agora...), viessem pôr a nu e confessar toda a sua vida e relações, o dinheiro que têm, o que esperam fazer,se são do FCPorto, do Benfica, do Sporting ou do Olhanense, da Opus ou da Maçonaria, os empregos que tiveram, os Bancos onde têm conta, cartões de crédito, via verde, lista de restaurantes preferidos, países visitados, idas ao médico, ao advogado ou ao tribunal, impostos que pagaram ou não pagaram, se são brancos, negros, mulatos ou amarelos, hispânicos ou caucasianos, hetero ou homo, se são adeptos de causas fracturantes, etc, etc. Isto numa primeira fase. Porque, numa segunda, a isso seriam obrigados também administradores de empresas e secretárias de administração, reformados com pensões douradas e menos douradas, canalizadores, varredores e toda a sorte de gente comum. Em enorme hino à transparência.

Floribundus disse...

um obreiro da minha loja, meu advogado, roubou-me a empresa durante a minha doença e ainda me bateu na rua.

os maçons devem, em primeiro lugar, obedienca à maçonaria

Rui Fonseca disse...

Há conclusões que se podem retirar com grande grau de certeza através de indução estatística.

Um simples cálculo aritmético leva-nos a concluir que:

1 - Havendo cento e oitenta e dois deputados na AR que são maçons (número divulgado pelos media que não contestado;)

2 - Representando cerca de oitenta por cento dos deputados em exercício de funções;

3 - Representando cerca de noventa por cento dos deputados do "arco governamental"

A maçonaria, sendo uma associação secreta com secretos desígnios que, obviamente, só podem beneficiar os seus membros encobrindo-os dos outros, os profanos, (caso contrário, numa sociedade democrática, os seus objectivos seriam conhecidos)
está, objectivamente, a ser utilizada para capturar o poder
e distribui-lo pelos seus membros sob diversas formas.

Sem que os eleitores sejam prevenidos dessa pertença.

Dito de outro modo: Se a condição de maçon dos candidatos fosse conhecida (depois do se conhece das actividades de algumas lojas maçónicas, não só em Portugal), seria tão elevado (uma maioria quase totalitária) o número de deputados maçons?

Se houver alguém que disser que sim, agradecia-lhe muito que me dissesse, porquê?

Bartolomeu disse...

Caro Rui Fonseca, a mim, parece-me que a questão não está a ser avaliada pelo ângulo correcto.
Digo isto porque; se os membros dos governo pertencentes à Maçonaria, cumprissem escrupulosamente aquilo que juraram, tanto quando entraram para a Organização como para o Governo, não haveria qualquer tipo de incompatibilidade. Visto que, tanto a Ordem iniciática como a governação se regem por princípios que em nada colidem.
Então, o problema não está no facto de a maçonaria ser uma Organização secreta, mas sim, no uso que os seus membros fazem do poder atribuido aos cargos em que são empossados. Quanto muito, poderíamos opinar, que alguns membros da Ordem, deveríam ser expulsos, por não cumprir os desideratos que os fundamentos da Ordem pretendem atingir.
Maz isso, transcende a vontade dos que dela não tomam parte.

Tonibler disse...

Bartolomeu,

A quem é leal essa gente? Ao povo ou aos desígnios dos manos do avental??? A Portugal ou à república portuguesa? A percentagem que é levantada não me parece irrelevante nas razões do atraso do país nem me parece de correlação nula. Será que o estado português tal como o conhecemos hoje não é produto de lealdades indevidas e escondidas?

Ninguém é impedido de pertencer à maçonaria ou à ilga. Para mim é igual (e com algumas semelhanças no traje). O que quero saber é a quem são leais as pessoas.


Quanto aos desígnios, como já disse algures aí em baixo, também o partido nazi alemão almejava a sociedade sem classes...

Bartolomeu disse...

Tonibler, talvez não me tenha explicado convenientemente; a lealdade neste caso, coloca-se em relação aos próprios e não tem a ver com as organizações que servem.
Vamos lá colocar as coisas em termos práticos.
Imagina que o Tonibler funda uma organização e estipula: só vou admitir para a minha organização, fulanos que dêm provas de possuir profundos conhecimentos de astrofísica. Nesse caso, o Tonibler elabora uma prova escrita, com uns quantos exercícios que comprovam os conhecimentos do candidato. É uma coisa científica, provável, concreta, que prova a veracidade, ou não do candidato.
A admissão para a Maçonaria está também sujeita a provas, segundo julgo saber, mas, mesmo sem ter conhecimento concreto da sua composição, parece-me possível ludribiar os avaliadores das mesmas.
Agora... a admissão para membro de um partido... isso aí é que me deixa grandes dúvidas, quanto aos critérios de selecção.
Contudo, quanto à essência dos estatutos e da idoneidade dos objectivos a que os fundamentos, tanto da Maçonaria como dos partidos se propõem, continuo a afirmar, que não vejo em que é que podem considerar-se incompatíveis.

Tonibler disse...

Caro Bartolomeu,

Coloca-se aos próprios quando não for eu a pagar-lhes o ordenado e, mesmo assim, há leis de concorrência a respeitar.

Assim de repente estou a ver que os dois maiores partidos são apresentados ao eleitorado como competidores e, afinal, anda tudo enganado. Vote o eleitor em quem votar está a votar na mesma coisa que nunca é sufragada. Que outras opções do povo são eliminadas à cabeça? É que se o Pinto da Costa se candidatar eu sei quem é o candidato, se não votar nele sei porquê, se não votar também sei. Agora esta gente manhosa que ninguém sabe quem são, nunca fizeram nada de especial na vida e, de repente, aparecem na administração da CGD, no conselho da PT, no... em cargos que profissionais fantásticos passam uma vida para lá chegar, se chegarem e vê-se o cargo ocupado por uma estagiário de advogacia....

Tem que ir tudo para a rua. Os 80% dos deputados. Tudo, sem excepção. E nomes todos cá fora.

Bartolomeu disse...

Sinceramente, caro Tonibler, não vejo onde entram as leis da concorrência, neste assunto.
Mas olhe uma coisa; não lhe parecem demasiadamente utópicas essas suas reivindicações?
E depois???
Quem substituiria esses 80%, varridos das bancadas?
Qual seria a regra de transparência e de honestidadade que o Tonibler imporía para os candidatos à eleições seguintes?
Meu caro Amigo, eu sinceramente, vejo essa questão, mais como uma roleta, apesar de comungar nos desejos de transparÊncia, coerência e honestidade exigíveis.

Suzana Toscano disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Suzana Toscano disse...

Muito interessante este debate e tenho que manifestar a minha concordância com os argumentos do caro Bartolomeu. De facto, caro Tonibler, haverá quem seja bacteriologicamente puro? Há sempre a possibilidade da Cidade Imperial, ou dos designados por Deus, o poder de origem divina legitimava tudo. Mas, não sendo assim, que tipo de declarações teria que pedir para avaliar as fidelidades? Um rol exaustivo, como sugere o Pinho Cardão? Uma pulseira electrónica? Ou então, se não se confia em ninguém, só nos resta a democracia directa (uma utopia) ou a anarquia (outra utopia), ou então a tirania, em que se chega ao poder pela força, ou pela manipulação, e depois é ir ficando, cortando a cabeça aos descontentes. Mas, em liberdade e em democracia, há que compatibilizar a liberdade individual e o dever de servir com lealdade e, quando assim não seja, pune-se e afasta-se a criatura do poder. Fora disto, não conheço nada satisfatório, o que não quer dizer que seja perfeito, mas é o melhor que consigo imaginar. E, para meuu conforto, conheço muito boa gente que soube estar na política com toda a lealdade ao interesse público, não sei se foram reconhecidos por isso, infelizmente são mais conhecidos os que não a têm, mas há muitos que mereceriam tal louvor.
Caro Rui Fonseca, não sei se também conhecia as percentagens quando os "arcos governamentais" eram outros, não deixa de ser curiosa toda esta ansiedade, assim nascida do nada, como se a maçonaria só agora merecesse um pouco da nossa atenção. Em qualquer caso, se tivessem que "confessar" a sua filiação, por que motivo não votaria neles? Por preconceito quanto à organização? Por saber o que, pelos vistos, nunca se soube? Então devia era estar a propor que se ilegalizasse tal organização, uma vez que admite a erradicação da vida política, por suspeição, desses militantes. O que eu quero dizer é muito simples: não percebo que a um problema (se é verdadeiro) não corresponda uma solução, mas uma sanção absurda e totalmente arbitrária, que é a da obrigação de "confessar", dando como pacífica a suspeição implícita em tal obrigação. Nem em relação a esta nem em relação a qualquer outra pertença a organizações civis ou religiosas, desde que legais.Se prosseguem fins dúbios ou ilegítimos, pois que se actue, em vez de desconfiar oficialmente. É uma questão de princípio, com todos os seus riscos, mas a liberdade não é isenta de riscos, a segurança tem outros e eu faço a minha escolha, prefiro a liberdade.

Tonibler disse...

Cara Suzana,

Longe de mim reclamar um governo por robots industriais. Eu não peço que as pessoas sejam bacteriologicamente puras, pelo contrário, eu quero e sempre reclamei por pessoas o mais sujas possível. Não é isso que está em causa. O que está em causa é a perda de diversidade por lealdades escondidas.

A democracia só faz sentido enquanto estrutura granular, quando a minha opinião é diferente da sua, do próximo e cada um de nós tem uma gama de escolhas à frente que mitigue o risco de estarmos todos errados. É por isso que as sociedades plurais são mais desenvolvidas, porque a solução mais certa aparece no momento mais certo porque está lá. Embora essa solução pudesse ser a completamente errada dois dias antes.

Isto é algo de completamente diferente. Isto é apresentar aos eleitores uma granularidade que não existe porque, por detrás, há toda uma concentração de esforços para destinar o país para uma solução combinada. Eu não tenho a menor dúvida que os números a serem verdade devem provocar a dissolução imediata da assembleia da república e de todos os orgão de poder onde isto se verifique porque isto é uma fraude.

Rui Fonseca disse...

"... Em qualquer caso, se tivessem que "confessar" a sua filiação, por que motivo não votaria neles?"

Em noventa por cento deles?
É possivel, mas não em regimes democráticos.

Dir-me-á que a Maçonaria não é um partido político. Em todo o caso deve ser um bom partido para levar tantos irmãos ao templo.

E depois, a pergunta pertinente, salvo melhor opinião, não é: por que motivo não votaria neles? que pressupõe o voto pela negativa, mas: Por que motivo votar neles? que pressupõe uma razão consistente para votar.

E, neste caso, isso só é possível se conhecermos quem são e os seus propósitos. Numa sociedade democrática não é aceitável que detentores de cargos públicos não declarem a sua condição de membros da maçonaria, disse há dias Pinto Balsemão, e eu subscrevo.

Quem não deve não teme.

Para já o que nos dizem é que há propósitos promíscuos entre membros secretos. O que, obviamente, abana os fundamentos democráticos.

Suzana Toscano disse...

Caro Tonibler, a sua tese dá como adquirida uma suspeição generalizada apesar de invocar o "a ser verdade". Se for verdade, queremos e temos o direito de saber o que são esses grupos, para que servem de facto, e se consituem ou não uma ameaça à democracia. Estou totalmente de acordo. Sò não entendo é por que motivo o facto de "confessarem" a sua filiação neste caso concreto é uma solução que afasta o problema. Não é, é apenas um mau princípio, dá como adquirida uma suspeição muito grave, não impede o acesso ao poder e "insitucionaliza", por assim dizer, que uma suspeita lançada nos jornais e não investigada como deve ser dê origem a um anátema sobre toda uma organização. Se a maçonaria nos conduzir a isso, como pretexto, já ocasionou mais dano do que aquele que lhe atribuem e que não faço ideia se é verdade ou não, não é pelos jornais, nem por contas frescas lançadas à opinião pública, que desisto do que acho que deve ser feito. O modo de fazer é essencial, sob pena de virmos a aceitar tudo, dependendo do que cada grupo decida desencadear nas suas guerras.E esse princípio é válido para qualquer grupo, tenha eu simpatia ou uma enorme antipatia por eles,tenha confiança ou desconfiança quanto às suas regras e lealdades, sejam secretos ou públicos,desde que a lei lhes reconheça e permita a existência, em qualquer caso não estou na disposição de prescindir do modo certo de se fazerem as coisas.
Caro Rui Fonseca, em regimes democráticos ilegalizam-se as associações criminosas e deixam-se agir livremente as que têm reconhecimento legal. Se não confiarmos nisso e andarmos a exigir a cada candidato ao poder (e os que não são votados, e que mandam tanto ou mais que eles, como fazer?)que desfie o rol das suas simpatias e do sseus pensamentos profundos e secretos, então onde vamos parar?

Pinho Cardão disse...

Caro Rui Fonseca?
180 deputados maçons? Mas não é possível!...Ou, se é, anda tudo mais doido do que pensava.
Creio que haverá aí um lapso. O que os jornais disseram foi que esse nº de deputados, ou aproximado, era liderado por deputados da maçonaria. Daí a serem 180 maçons...

Tonibler disse...

Cara Suzana,

Confessar é irrelevante nesta fase, é como devolverem o rebuçado que roubaram. O caso é de judiciária e já deveriam estar o correr os processos de averiguações para trazer a público todos nomes e todos deveriam estar a ser afastados de todos os orgãos do estado. Nesta fase até deveríamos estar a questionar porque é que isso não é feito e quantos juízes e magistrados estão envolvidos. Pensando bem, isto até resolvia um problema orçamental porque boa parte da despesa do estado deve estar a ser decidida de avental.

Caro Bartolomeu,

Alguém deixou de ser eleito por ser preto? Maricas? Ladrão? Sportinguista?(espere, este deveria...) Burro? Esperto? Sérgio? Comunista? Não. Não é a diversidade que está em causa, é a falta dela.


Acha que se perdia alguma coisa por colocar 80% dos deputados na rua??? ;) Tenha dó de mim, só consigo ver vantagens...

Rui Fonseca disse...

"... O que os jornais disseram foi que esse nº de deputados, ou aproximado, era liderado por deputados da maçonaria. Daí a serem 180 maçons..."


Caríssimo António,

Nesta, como em outras coisas, estou como o Sequeira (lembras-te do Sequeira da MG?): Não fui eu quem inventou o número cento e oitenta e dois. Aliás, eu nunca inventei nada, pelo menos que tenha dado por isso.

Ora, Caríssimo António, a informação vem aqui:

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=529713

de onde transcrevo o essencial:

"Já o “Diário de Notícias” faz um levantamento dos deputados que são membros da Maçonaria e chega à conclusão que são 182, quase 80% do plenário. Entre os maçons, estarão os líderes das bancadas parlamentares do PS e do PSD, Carlos Zorrinho e Luís Montenegro, que pertencerão, no entanto, a obediências diferentes: GOL (Grande Oriente Lusitano) e GLLP (Grande Loja Legal de Portugal), respectivamente."

Alguns dias depois, concluíram que os líderes Montenegro, Zorrinho e Nuno Magalhões, são maçons e que, portanto, o arco governamental é 90% arqueado pela maçonaria.

Podes confirmar aqui:

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2224421

de onde transcrevo:
"Nove em cada dez deputados são dirigidos por maçons. Matos Correia afirma que os políticos "não deviam poder pertencer a associações secretas". "Ridículo, tudo ridículo", indignou-se José Lello

E afinal não são dois os líderes parlamentares da maçonaria, como o DN ontem referiu. São, isso sim, três líderes parlamentares. Dirigem, ao todo, 206 deputados. Ou, dito de outra forma, quase 90% da Assembleia da República.
Além de Luís Montenegro (PSD) e Carlos Zorrinho (PS), também Nuno Magalhães, do CDS-PP, é "irmão". Tal como Carlos Zorrinho, integra a maior obediência maçónica portuguesa, o GOL (Grande Oriente Lusitano) - enquanto Luís Montenegro "milita" na segunda maior, a Grande Loja Regular de Portugal, integrando aqui a Loja Mozart, a mesma de personalidades como Jorge Silva Carvalho (ex-diretor do SIED, actual quadro da Ongoing) e Nuno Vasconcelos (o patrão da Ongoing)."

Se o meu caríssimo Amigo me disser que tudo isto é ficção eu acredito e fico mais descansado.

Tonibler disse...

"Obediência".... Já nem me lembrava da expressão... Tudo na rua. Podem ser obedientes ao oriente. o oriente que lhes pague.

Pinho Cardão disse...

Caro Rui:
Bom, o que continuo a concluir é que 9 em cada 10 deputados são dirigidos por maçons. E que os líderes dos 3 principais partidos são maçons. Mas tal não significa que todos o sejam.
Creio que seria mesmo uma impossibilidade sociológica. De contrário, não haveria mais vida para além da maçonaria.
Por mim, ainda vou existindo. E tu também!...

Rui Fonseca disse...

Caro António,

De duas, uma:

Ou as contas do DN estão certas, e há 182 deputados na AR que são maçons, ou não.

Se há, quem divide 182 por 230 encontra uma percentagem de quase 80%. Para 80% faltam dois maçons.

Quem divide 182 por 206 (número de deputados do arco governamental) encontra uma percentagm de quase 90%. Falta um maçon para atingir exactamente 90%.

Utilizando os mesmos 182 maçons e 206 deputados do PSD-PS-CDS, conclui-se que, se não há maçons nos grupos parlamentares do PCP nem no BE, por cada 10 deputados do arco governamental há cerca de 9deputados que são maçons.

Se não há 182 maçons diz lá por favor quantos há para eu refazer as contas.

Abç

Bartolomeu disse...

Caro Tonibler,
está mal. Começamos à volta de um assunto, e no momento a seguir, saltamos para um outro (quase) diametralmente oposto.
É necessário focar a troca de opiniões num ponto concreto.
Discute-se o quê, concretamente?
Uma associação secreta e privada que nos tempos actuais e no regime político actual, se deve transformar?
Ou o carácter de pessoas que, pertencendo a essas associações, ou, por pertencer a essas associações, abusam do poder inerente aos cargos em que se encontram investidos?
É que, se, no caso da Maçonaria, ela é secreta, essa condição deve-se ao facto de a Ordem ser guardiã de sabedorias que não poderão de forma alguma, ser do conhecimento geral, nem mesmo do conhecimento de um número restrito de pessoas. Daí, os rituais de admissão e de elevação de grau dentro da Ordem se acharem sujeitos a provas que, de um modo mais fiável possível, atestem a integridade moral dos membros.
Outra questão muito diferente´reside no facto de membros pertencentes a essas associações mais ou menos secretas, praticarem actos anti-democráticos e em desacordo com os princípios da Ordem.
Como lhe disse em comentário anterior, é fácil comprovarmos uma condição científica mas, uma condição moral... não conheço nemu forma 100% eficaz de a testar e... fiscalizar.

Tonibler disse...

Caro Bartolomeu,

Como sabe, sou português. Isso significa que há muito tempo que deixei de ser esquisito com o carácter das pessoas, muito menos de detentores de cargos políticos. Quanto à organização, estou-me verdadeiramente nas tintas.

O ponto é: Sendo uma boa parte do parlamento membro de uma organização "discreta" que se divide em "obediências", não é isso uma conspiração contra a democracia e o povo? Não há diferença nenhuma dos cartéis ou da combinação de preços. Há uma diversidade que é apresentada ao eleitor que é mentira. Afinal parece que "alternâncias", "fiscalização democrática", "oposição", "diversidade de ideias", tudo isso está montado para ser decidido, não pelo voto, mas de avental.
Este é o ponto. A ser verdade, é crime contra a democracia. E antes de se apurar a verdade deve suspender-se o parlamento, devem ser inventariados os membros e, a ser verdade, por tudo na cadeia. Porque, na realidade, só estamos a apurar as causas. Os efeitos, os Varas, Cardonas, o roubo permanente dos recursos públicos, o tráfego de influências, já estão demonstrados à muito e com a mais completa impunidade. Portanto, a questão só está no apuramento das causas, não vamos agora fingir que os efeitos não estão mais que provados.

Bartolomeu disse...

Caro Tonibler;
Quanto ao ponto, sim... independentemente de os deputados da Assembleia, serem membros da Maçonaria, sócios do Cascalheira Futebol Clube, clientes do Gambrinus, gay's, vestirem Armani, ou juntarem-se no cimo da serra de Sintra e praticarem rituais satânicos.
O que está em causa, são os actos que praticam, as influências que exercem e aconsciência mais ou menos exacta que possuem do país e da gente que governam.

Tonibler disse...

Caro Bartolomeu,

Mas não é serem membros do Cascalheira, clientes do Gambrinus, serem gays, etc... que está em causa. É serem membros escondidos de uma organização que lhes pede lealdade e cujo objecto é o mesmo para o qual estão a ser pagos/nomeados no pressuposto que são leais a uma realidade muito mais vasta e valiosa chamada Portugal. É crime. É traição à pátria. Na China, as famílias já podiam começar a reservar o dinheiro para a bala. Tudo para a rua.

Bartolomeu disse...

Hmmm...
Chegados a este ponto, caro Tonibler, terei de lhe colocar uma questão directa:
Antes de ter esta questão da Maçonaria ter "estalado", o caro Tonibler tinha uma opinião diferente, no que diz respeito aos mesmos políticos que agora são publicamente apontados como fazendo parte da Organização?
Pelas opiniões que tem expresso em comentários a outros post's, penso que não foram estas notícias que o fizeram pensar desta forma.

Tonibler disse...

Não. Como disse, os efeitos não carecem de prova, estão à vista de toda a gente e os protagonistas toda a gente sabe quem são. Estas notícias só vêm mostrar a causa, a razão do carácter crónico e quem são os actores secundários.

Bartolomeu disse...

E você insiste que o efeito, é filho desta causa, Tonibler?!
O efeito tem origem em algo muito mais baixo e pernicioso, meu caro.
Tão pernicioso, que muita gente se alarmou, só que, não perceberam de onde vinha concretamente o perigo.
O perigo vem da falte de escrúpulo e da sede de poder e da urgência de riqueza. Uma avreza que aumentou em muita gente, na razão directa do aumento da crise. Em suma; pânico absoluto, meu estimado Amigo. Uma reacção aliás, comum à maioria dos seres humanos e que os conduz à prática de actos que, em conjunturas diferentes, não ousariam praticar.
Isto, e somente isto, nada mais!

Tonibler disse...

Caro Bartolomeu,

O roubo tem escalas. E a esta escala, com tal impunidade, só pode ser organizado ao mais alto nível. Agora, se é de avental ou não, não sei. Que a pista do avental é muito boa, é. E se não é investigada e clarificada...

Bartolomeu disse...

Olhe que com este povo tão manso e permissivo, não é preciso engendrar tão altos esquemas, caro Tonibler.
Não duvide... anda por aí muita gente que, além de pedirem para ser sodomizados, no fim, ainda agradecem.

Tonibler disse...

Aquele avental nunca me enganou...:)

jotaC disse...

Não entendo muito bem a existência de organizações ditas secretas em regimes democráticos, pois, se há liberdade, porque carga de água haverá necessidade de alguém se esconder para práticas consentâneos com os valores da vida e da humanidade (!?).
Mas supondo que tudo isto sirva para esconder associações com interesses menos claros, não vejo motivo para tanta preocupação, a não ser que se acredite que a justiça nestes casos seja também e mais uma vez inconclusiva, e assim sendo pouco nos resta, salve-se quem puder!...

Tonibler disse...

Eu acredito que a justiça portuguesa está comprometida. Toda a gente acredita.