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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Milada Horáková, uma heroína checa (a partir do blogue malomil.blogspot.com)



"Apesar de se ter convertido num símbolo nacional da República Checa, a figura de Milada Horáková (1901-1950) é ainda pouco conhecida no Ocidente e, segundo creio, praticamente ignorada em Portugal. (...) Na trajectória biográfica de Milada Horáková, a tragédia e a militância cívica e política sempre caminharam a par."


É assim que começa o brilhante texto escrito com a mestria e o rigor de António Araújo e publicado no blogue http://www.malomil.blogspot.com/ sobre a heroína checa Milada Horáková e figura marcante da História do século XX. Milada Horáková, jurista, defensora dos direitos das mulheres, militou activamente em defesa da liberdade, da justiça e da democracia, combatendo pela palavra e pela acção primeiro o nazismo, depois o comunismo, sacrificando aos seus ideais os melhores anos da sua vida e, por fim, a própria vida. Em sua defesa levantaram-se vozes poderosas em todo o mundo, mas em vão, provando, ainda e sempre, que a força e a tirania podem sobrepor-se e esmagar os direitos e as liberdades que hoje nos damos ao luxo de dar por adquiridas, nesta Europa aflita pela economia.
Visitem este blogue de grande qualidade, leiam o texto biográfico mas também as cartas que Milada Horáková escreveu à família, pouco antes de ser executada, em 1950.
Tenho a certeza de que, tal como me aconteceu a mim, não serão capazes de parar de ler até ao fim.
Conhecer a Europa, as árduas lutas e sofrimentos e muitos dos seus heróis, tantos deles ignorados ou esquecidos, é uma forma privilegiada e insubstituível de construir um projecto comum, se ele for de facto possível.

4 comentários:

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Excelente sugestão, Suzana. Devíamos ler e aprender mais com os nossos heróis. Uma foram de nos ajudarmos a conhecer e a perspectivar o futuro.

Massano Cardoso disse...

Obrigado, Suzana. Já ganhei o dia com tão interessante personagem. Desconhecia por completo. É bom conhecer certas personalidades. Aprendemos mais em pouos minutos do que anos de vida!

Rui Fonseca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rui Fonseca disse...

É, sem dúvida, um relato impressionante que, como refere, amarra o nosso interesse até ao fim.

Temos uns amigos checos (na casa dos quarenta e tais) que escaparam aos últimos tempos do regime.

Conheceram-se em Paris para onde ela tinha ido numa viagem de férias e decidiu não voltar, e ele porque, na idade de cumprir o serviço militar, era caloiro de Medicina, decidiu "saltar" a fronteira, foi interceptado por um sentinela e desafiou-o a matá-lo ou deixá-lo passar. Liberto, após
uma noite de expectativa e alguns episódios rocambolescos que poderiam ter-lhe custado a vida, escolheu Paris como próxima estação. Meses depois emigraram os dois para os EUA.

Há tempos, a Lenka foi visitar o avô ao hospital, na República Checa, onde se encontrava ludibriado pela doença que acabaria por matá-lo.

O avô era médico militar no activo na década de 50 mas, suspeito de conspirar contra o regime, estava sujeito a discretas medidas de vigilância que não lhe passavam despercebidas.
Passava grande parte das noites a sintonizar "A voz da América", colocando-se nos sítios mais inconcebíveis da casa.

(Nesses tempos, em Portugal, a desoras ouvia-se "Rádio Moscovo" e
"A verdade é só uma, Rádio Moscovo não fala verdade". Bastava ouvir ambas para não comprar nenhuma)

Conversava a Lenka com o avô, tentando no desencontro das suas palavras encontrar algum fio de entendimento, quando o avô se sai com esta:

Lenka, fazes-me um favor?
Telefonas para "A Voz da América" e diz-lhes que "eles" aqui agora já deixaram de me perseguir.