Número total de visualizações de página

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A influência deve ser igualitária?

É verdade que alguns factos relevantes se esfumam quando os media passam a dedicar a sua atenção ao espetáculo seguinte. Vivem do ritmo dos acontecimentos, e aos primeiros sinais de esvanecimento do seu impacto espetacular, deixam de prender a atenção do consumidor de publicidade e desaparecem da tabela. Ao toque de caixa do que os órgãos de comunicação social levam para a agenda do dia, abdicamos nós de travar debates importantes para a melhoria da nossa vivência coletiva, e damo-nos por satisfeitos com as análises superficiais dos tudólogos habituais.
Por vezes, porém, o assunto desperta algo adormecido e traz à consciência um assunto versado numa aula, num debate, numa tertúlia, um texto lido em tempos. A interrogação que constitui título deste post é de Ronald Dworkin, feita a propósito da reflexão sobre as instituições democráticas, em especial dos EUA (A Virtude Soberana - A teoria e a prática da igualdade, trad. port., ed. Martins Forte, S.Paulo, 2005). Recuperei o que o famoso catedrático de Direito e de Filosofia escreve em resposta à pergunta que ele próprio coloca e aqui a partilho com aqueles que levam a sua preocupação cívica para lá da espuma dos dias:
  • "A sociedade  igualitária também aprecia a finalidade agencial para a atividade política: que os cidadãos devem ter o maior espaço possível para estender à política a sua experiência moral e de vida. Contudo, as pessoas que aceitam a igualdade de influência como uma restrição política não podem tratar a sua própria vida política como agência moral, pois essa restrição corrompe a premissa suprema da convicção moral: que só a verdade importa. As campanhas políticas sob limites de influência auto-impostos não seriam uma agência moral, mas apenas um inútil minueto de deferências" (p. 273).

2 comentários:

jotaC disse...

Registo a excelência da escolha das palavras – “minuete de deferência”- para exprimir a ideia de uma campanha insípida e estéril.

carla disse...

Salvo melhor opinião, parece-me que o cerne da questão está nas profundas desigualdades sociais que criámos num Sistema onde colocamos o bem-estar material acima de tudo o resto. E quando digo acima de tudo o resto refiro-me mesmo a Tudo o Resto incluindo a própria Vida. (Desde que não seja a nossa!)
Optámos por Ter em vez de Ser, e a Corrida já começou há muito! Os "melhores" vão à frente e os "piores" ficam para trás... É normal, é uma lei da natureza! É claro como a água! E se alguém duvida, é porque está distraído, pois não basta olhar para a Natureza para se ver logo que sobrevivem os mais fortes?
É um ciclo vicioso do qual praticamente ninguém quer sair.A Culpa não é nossa! A Culpa é do Sistema pois de quem é que havia de ser?
Sistematicamente atiramos a Culpa para o Sistema esquecendo-nos de que nós somos o Sistema!
E o Sistema está doente, muito doente!
E a Doença tem muitos nomes: Alienação, perversão dos valores, perversão nas atitudes, perda da Identidade, perda da Alma!
Quando nos olhamos ao espelho usamos os olhos dos outros, não importa quais desde que nos mostrem apenas o que queremos ver, o que nos convém, o que nos isenta da nossa Responsabilidade individual e social!
Esquecemos os ensinamentos dos nossos Pais! Não nos dão jeito! É bem mais fácil colocar as culpas no Sistema, desde que fique bem claro que nós não pertencemos ao Sistema!
O Sistema não tem cara quando a desgraça não nos toca a nós, pois com a desgraça dos outros podemos nós bem!
Falamos em Culpa para nos esquecermos da Responsabilidade. Com a Responsabilidade já é outra história. A Responsabilidade dá trabalho e demora tempo, e, ainda por cima, o nosso tempo. E nós, já nem tempo temos para nos coçarmos, quanto mais para a Responsabilidade.
Andamos todos a correr não se percebe para onde, mas andamos a correr. Não paramos para reflectir! Isso é um luxo! Nós não temos tempo para isso, nós trabalhamos... Que seria do Mundo se não fossemos nós os que trabalhamos? Sim, nós que trabalhamos tanto que nem tempo de parar para reflectir temos!
E há o Medo, o Medo paralisante que nos impede de reflectir e de olhar a realidade com visão crítica.
É esse Medo que nos impede de ver que temos os recursos de que necessitamos!
É esse Medo que também nos proporciona a oportunidade de o ultrapassarmos e de Crescermos, de darmos um salto qualitativo na nossa vida. É o mesmo Medo que também nos permite tomar Consciência que temos necessidade urgente de arrepiar caminho, que temos que dar à Vida o valor que ela tem e mudar de atitude, ouvir os nossos Pais, resgatar a nossa herança cultural, os nossos valores e a nossa Dignidade.
Na Europa temos a maior concentração do Mundo de pessoas instruídas, capazes e competentes para a promover a Mudança e quase um terço da população europeia anda anestesiada com psicotrópicos porque já não suporta o sofrimento emocional da vida que escolheu ter!
Nunca anteriormente na nossa civilização alcançámos um potencial de conhecimento, tecnologia e cultura tão elevado como temos hoje. Nunca as pessoas estiveram tão bem preparadas como estamos hoje. Isso é mais do que evidente nos jovens de hoje!
Estaremos tão cegos que não o consigamos sequer discernir? Será o nosso Medo tão grande que estejamos cegos a esse ponto? Será esse Medo que queremos transmitir às gerações futuras? Ou será que queremos agarrar a oportunidade e transformar a nossa vida, ser felizes, criar o Mundo com que sonhamos e pelo qual os nossos Pais lutaram?
Vivemos num Mundo dual onde cada coisa, cada palavra, cada pensamento e cada sentimento tem o seu complemento e/ou o seu oposto, e estão todos à nossa disposição.
Compete a cada um de nós escolher a sua opção e construir a sua própria realidade!
A verdadeira mudança começa dentro de cada um!
citando Robert Happé; não há assim mais lugar a minuetes de deferências mas à VERDADE DAS NOSSAS CONSCIÊNCIAS