sábado, 4 de Fevereiro de 2006

Cenas dos próximos capítulos

Image hosting by Photobucket

A blasfémia não passa só pela caricatura, aplica-se a qualquer representação.
Os apelos ao respeito estão no limiar da censura.
Eu sei que os valores da liberdade, da tolerância, da heterodoxia
estão longe de serem aceites à escala global,
mas teremos de aceitar o silêncio e a censura pelo medo?

24 comentários:

cmonteiro disse...

Caro DJustino,

Acho até que não ceder neste caso é faze-los compreender a necessidade de abertura e de aceitação da livre crítica (ou até da sátira) o que os conduzirá aos valores da liberdade, que o fundamentalismo lhes impede. A seu tempo verão isso.

fr disse...

Há aqui qualquer coisa de estranho, como tudo no fanatismo religioso, seja ele qual for.
Então nós não podemos fazer caricaturas, mas eles podem fazer atentados à bomba e condenar à morte escritores porque não gostram do que eles desenham e escrevem?
Não pode ser! Nem entendo porque alguém fala aqui de excessos de liberdade.
Não me parece que o jornal dinamarquês, nem os outros, tenham matado ou condenado alguém.

zorbian disse...

Sempre me ensinaram que numa sociedade tolerante só se ganha respeito se respeitarmos; que só somos compreendidos se compreendermos; que só conseguimos fazer prevalecer os nossos pontos de vista tentando compreender as demais prespectivas. Por outro lado, infelizmente, há facções na religião islâmica que não jogam com o nosso baralho, que colocam bombas enquanto nós, os da Velha Europa, lhes colocamos tratados e negociações.
Mesmo assim, devemos seber impor limites aos nossos comportamentos: uma agulha rebenta muito mais depressa um balão do que uma bola de futebol... e neste caso, apenas por uma simples questão de "gozo" humorístico, bradamos "aqui d'el rei" por causa das nossas liberdades, da não-censura como valor fundamental do homo-europeu. Ou seja, está toda a gente mais preocupada com o que pode acontecer à liberdade de imprensa na europa do que às consequências que uma "brincadeira" pode trazer.
Acho que todos, de uma forma ou de outra, já nos sentimos tentados num supermercado a tirar uma lata que esteja no meio de uma pirâmide de algumas dezenas... só pelo gozo - a desculpa seria sempre a mesma: "Estavam lá tantas, eu só queria uma. Elas são pra vender, não são?"

Tonibler disse...

Eu gostava que, em nome da liberdade, os media portugueses reproduzissem o presépio da alface das Amoreiras, por exemplo. E recordar que ainda há um mês se criticava, aqui mesmo, a ordem de remoção dos crucifixos nas escolas. Que se aceitasse com naturalidade que a história de Lázaro é treta da grossa, que Maria Madalena fez um jeitinho a JC e que Pedro era um vendedor de banha da cobra.

Todos entendemos um mínimo de respeito pelos outros, se isso não nos desrespeita a nós. Não montamos palcos à porta das Igrejas para nos rirmos dos otários que acreditam naquela história de ressurreição, porque é gratuito. Quer dizer, ontem era gratuito, hoje parece ser uma expressão da liberdade. E faz-me uma enorme confusão que em locais onde anedotas de pretos, de judeus, de mulheres sejam proibidas por serem manifestações de xenofobia se aceite como natural que se ofenda o que há de mais sagrado para metade do mundo.

Não concordo com nada do que vocês dizem porque o que está em causa são formas gratuitas de ofensa ao que os outros entendem de sagrado. Nisto, ele têm razão. E não vale a pena falar em toda a representação, porque eles não se ofenderam com toda a representação. Ofenderam-se com aquela representação!

cmonteiro disse...

E hino nacional do anuncio da PT...

Mas ao contrário de ti, acho que a Liberdade consiste em aceitar essas representações ou formas de sátira.

Marco disse...

David Justino,
A liberdade deve andar de mão dada com a responsabilidade. Foi isso que os meus pais me ensinaram, e que eu tenciono ensinar aos mues filhos. Só pelo facto de eu ter liberdade para insultar alguém, isso não significa que eu deva insultar esse alguém. A não ser que eu acredite que a falta de respeito deva ser uma constante no relacionamento entre pessoas e povos.

Não é preciso saber muito sobre o Islão para perceber que as caricaturas em causa são ofensivas e preconceituosas. Foram uma falta de respeito pelo Islão. E agora assistimos um apoveitamento de grupos radicais islâmicos que expressam a sua indignação com ameaças e actos de fanatismo. Obviamente outra falta de respeito. Claro que todos percebemos que na maioria dos países muçulmanos este episódio está a ser aproveitado para desviar as atenções de problemas internos muito graves.

Continuamos a construir muros entre povos, quando necessitavamos de pontes. Afinal o que é este episódio? Como diriam os Pink Floyd "it's just another brick in the wall"

Um abraço.

Ismael disse...

Tonibler tem razão. As anedotas de pretos (já que não contamos muitas anedotas de brancos), de judeus e de mulheres (também algumas anedotas de homens) nunca deveriam ser censuradas.

Antonio Almeida Felizes disse...

Caro David Justino,

Cuidado com as aparências, estes incidentes têm pouco de religioso e muito de político.

Não é impunemente que o mundo ocidental – os países democráticos – fazendo uso do seu poderio militar invade, ocupa e dita as regras em países muçulmanos.

Esta história dos «cartoons» é apenas um pretexto para demonstrarem a sua revolta contra esta geo-política do ocidente.

Seguem-se novos episódios ... Irão.

Cumprimentos,

Antonio Felizes
http://regioes.blogspot.com

Paulo Pisco disse...

Caro D Justino.

O respeito não pode ser exigido pelo medo no mundo livre e pacífico.
Sobre este assunto ver http://memoriasdeadriano.blogspot.com/

Jorge Lucio disse...

Caro Tonibler,
Acho que desta vez não acertou. Anedotas de alentejanos ou de padres são contadas diariamente nas televisões nacionais (vide os Malucos do Riso) e não me parece que os autores e/ou actores sejam insultados ou ameaçados na via pública.
Recordo dois casos exemplares: o célebre cartoon de António com João Paulo II e o filme dos Monthy Python "A vida de Brian". Na minha visão de católico praticante, no primeiro caso a fronteira do mau-gosto foi ultrapassada, enquanto no segundo acho que se conseguiu manter o equilíbrio e trata-se de um filme que continuo a gostar e me faz rir. Mas nunca aceitaria que os autores fossem criticados, ou que sobre eles fosse lançada uma fatwa por algum Bispo.
Não devemos ter receio de defender a liberdade de expressão que considero ser um fundamento da nossa sociedade ocidental. Revejo-me profundamente na coluna de hoje de Vasco P. Valente no Público, em que este não hesita em classificar a sociedade ocidental como superior à islâmica. Quantos dos participantes neste blog emigraria de boa vontade para um destes países e aceitaria as regras destes ?
Uma última nota: não deixa de ser interessante verificar que um cartoon num jornal dinamarquês crie quase instantaneamente uma onda no mundo árabe. Será que sem as tecnologias de informação desenvolvidas a Ocidente, o mundo seria realmente global ?

Anthrax disse...

Estive para aqui a ler os vossos comentários ao texto do Dr. "D" e os meus queixos cairam-me ao chão.

Felizmente, já os apanhei antes que me fugissem pela porta fora. Há uma coisa que me irrita - como diriam os "amaricanos" - beyond all recognition e essa coisa mais não é do que, esses discursos pseudo-pacifistas de quem quer agradar a gregos e troianos, sem saber muito bem para que lado é que quer cair. Discurso de quem, eventualmente, cairá para o lado que o vento soprar na altura. Ou seja, o discurso do politicamente correcto, ambiguo o suficiente, para se encaixar em qualquer um dos lados sem qualquer tipo de compromisso.

Estou totalmente de acordo com o comentário do Jorge Lucio, tirando a parte do ser católico praticante (até porque não professo religião nenhuma, não sou baptizado e gosto muito da minha condição de "herege"). Ninguém deve ter receio de defender a liberdade de expressão e quanto a essa história de ferir susceptibilidades, é assim; cada vez que um político abre a boca para dizer meia dúzia de patacuadas, está a ferir a susceptibilidade de alguém e não é por isso que deixa de dizer asneiras. Cada vez que passam o Contra-Informação na RTP1, estão a ferir a susceptibilidade de alguém e ainda ninguém pegou fogo nem à estação de televisão, nem à produtora. Porquê? Porque quando nos rimos ao ver o "The life of Brian" dos Monty Python, somos capazes de aceitar as criticas e somos capazes de nos rir de nós próprios. Porque quem não é capaz de fazer este exercicio deve procurar ajuda psiquiátrica porque, no minímo, é psicótico.

Por acaso eu tenho os cartoons e não vi nada de mal nos ditos. Qual é que é o problema de representar o Maomé com uma bomba na cabeça? Os tipos não se explodem em nome dele? Por acaso também não é verdade que os tipos acreditam que se sacrificarem depois têm direito a não-sei-quantas virgens? Acreditam, não acreditam? Assim sendo, vou pô-los todos no meu blog.

Virus disse...

Jorge Lúcio
A reacção não foi quase imediata... demorou cerca de 4 meses!

A todos,

Bom... lá vou eu arriscar-me a ser tratado racista, xenófobo e de fascista complexado de extrema direita, mas aqui vão algumas curiosidades que não computam, em que estou de pleno acordo com o Antonio Almeida Felizes, e onde não é preciso ser-se particularmente inteligente (que é o meu caso) para ligar os pontos todos, senão vejamos:
- Os cartoons têm mais de 4 meses, e foram publicados num "jornalito" regional dinamarquês;
- O Irão está a ser submetido a uma pressão extrema por parte da UN e da IAEA por causa do seu programa nuclear;
- A Rússia e a China já começaram a saltar fora do barco iraniano, ao dizer que não vêem com bom olhos o desenvolvimento de um programa nuclear iraniano;
- As mesmas bandeiras que vimos hoje em Beirute nas manifestações são curiosamente as mesmas que vimos aquando a manifestação contra a retirada militar da Síria do país à uns meses atrás;
- ...
Agora considerem o seguinte:
- Com a velocidade da comunicação de hoje em dia, que nos permite ver execuções sumárias de reféns em directo na TV, alguém acredita que um muçulmano demore 4 meses a ver umas caricaturas, sobretudo quando estão por todo o lado?;
- Não acham estranho que um estado polícial como a Síria não consiga controlar uns quantos manifestantes que querem queimar umas embaixadas? É que na Turquia conseguiram!
- Já repararam que os manifestantes que atacaram as embaixadas nos países árabes também atacarm a polícia, incendiaram carros de bombeiros, atacaram para-médicos e ambulâncias, atacaram e incendiaram outros edíficios que nada tinham a ver com as embaixadas?
- Não notaram uma sensação de dejá vú, comparando com o que se passou na Europa há uns meses atrás? Não me digam que eles lá pela terra deles também se sentem excluídos socialmente e que não estão integrados? Qual é a desculpa para atacar inocentes (também eles árabes e muçulmanos) desta vez? Uns cartoons feitos num jornaleco a milhares de quilómetros, num país onde 99% deles nem sequer sabem apontar onde fica no mapa?
- E se nós fossemos para a terra deles fazer manifestações a pedir para assassinarem muçulmanos por lá? É que é isso que eles fazem por cá!
- E se nós fossemos para a terra deles incendiar mesquitas e locais religiosos?
- E se nós por cá atacássemos as embaixadas e consulados deles de cada vez que queimam as nossas bandeiras e esfigíes dos nossos políticos e líderes?

Isso não vos parecia a todos como bárbaro e primitivo? A mim parecia-me! E sou determinantemente contra, venha de quem vier, ocidental, católico, judeu, árabe ou muçulmano! É tudo a mesma coisa... o que nos diferencia dos animais é a nossa capacidade de reagir inteligentemente! A isso chama-se evolução...

Chegado a este ponto apenas posso dizer uma coisa... a nossa sociedade evoluiu... a deles não!... E enquanto a separação da religião/Estado não acontecer nunca irá evoluir, por mais dinheiro que eles tenham, e por mais ajudas que nós estejamos dispostos a dar... isso tem de vir de dentro! Não pode ser imposto por ninguém!

David Justino disse...

É duvidosa a pretensa "falta de respeito" pelos valores e crenças de milhões de muçulmanos, expressa numas quantas caricaturas publicadas há quatro meses num jornal de que só agora se fala e se cita. Mas admitamos que essa falta de respeito está no limiar do tolerável.
O facto só se transformou em problema quando o mesmo foi aproveitado para desencadear um movimento anti-ocidental, em que a suposta indignação se transformou numa expressão de intolerância e violência gratuita.
São essas mesmas intolerância e violência que constituem a linguagem preferida do fundamentalismo islâmico. A lógica do terror legitima-se pela sacralização da ortodoxia e pela banalização da morte, mas afirma-se unica e simplesmente pelo efeito do "medo" que objectivamente querem provocar.
A nossa opção é simples, ou aceitamos este tipo de reacções ou não. Ou calamos ou protestamos.
Depois existe sempre esse problema da reciprocidade. Como é que são tratados os judeus pelos árabes, são as suas crenças respeitadas e toleradas? E os símbolos das sociedades ocidentais, religiosos ou laicos, quantas vezes os vemos queimados e espezinhados na praça pública. Como podem exigir respeito se não respeitam?
A conjuntura política internacional, nomeadamente a do mundo islâmico como foi aqui muito bem lembrado, dá sinais de uma tensão crescente. A vitória do Hamas, a questão nuclear iraniana, a luta pela sobrevivência do regime sírio, a evolução política no Iraque, são variáveis indispensáveis para se compreender que algo se prepara por aqueles lados.

Tonibler disse...

Caros ,

O mundo islâmico é o mundo todo. A reciprocidade de que está a falar não tem nada que ver com o islamismo. Por acaso os árabes são islamitas, mas o mundo islâmico não é o mundo árabe. "Aqueles lados" são muçulmanos, mas há que lembrar todos os outros lados, como Portugal, França, Espanha, Senegal, Moçambique...

Se "eles" reagem contra "nós", obviamente a nossa opção é por nós. Mas quero recordar que se calhar "eles" somos "nós". Há portugueses para quem a imagem caricaturada de Maomé com um rastilho na cabeça é mesmo ofensivo, como seria a de um preto com uma navalha a roubar um branco. Logo, sugiro que releiam os comentários acima, mas desta vez a pensar que muitos dos portugueses são mesmo islamitas e que "eles" não estão do outro lado do mundo - somos "nós".

Marco disse...

David Justino,

Desculpe insistir neste assunto.

Quanto Maomé é retratado com uma bomba no turbante, isso insinua que todo o Islão é uma fonte de terrorismo. Para mim isso é uma falta de respeito óbvia. O que se ridicularizou não foram apenas as correntes fundamentalistas, mas todo o Islão.

Quanto à reciprocidade: eu sou baha'i e sei bem como são tratados os baha'is nos países muçulmanos. Mas isso não me confere o direito de insultar todo o Islão ou todos os muçulmanos.

Acima de tudo há que combater o fundamentalismo religioso. E esse combate não se faz com a mera defesa da nossa liberdade para insultar os outros.

Cumprimentos.

Anthrax disse...

Ó amigo Tóni, eu já estou a ficar em broa! :))

Essa história do "eles" somos "nós" e o "nós" somos "eles" é teoria de Hare Krishna pacífico que, se coloca no meio da estrada à espera que um TIR - com um autocolante dizendo "I break for no one" - lhe passe por cima.

Para mim é absolutamente escandaloso e insultuoso andar a passear pelas ruas de Bruxelas e ver mulheres muçulmanas cobertas, da cabeça aos pés (é ainda pior vê-las no Colombo, porque a legislação portuguesa não permite que as pessoas andem com o rosto coberto), e eu calo-me e não digo nada porque compreendo e respeito que faz parte da cultura deles (não é nós porque eu não tenho nada a ver com isso). Para mim, aquela história dos lenços na cabeça não me choca nada. Cada um tem o direito de andar como entender e se uns há que andam de cabelo azul e com rastas, porque é que os outros não podem andar de lenço na cabeça? No entanto, note-se que compreendo porque é que o governo francês implementou aquela lei do lenço. Para mim, é também escandaloso, insultuoso e acrescente-se, bárbaro os apedrejamentos, as circuncisões, as ablações e até as touradas de morte, mas ainda nem ninguém pegou fogo a uma Praça de Touros em Espanha (se bem que é uma ideia interessante), nem ninguém pegou fogo à embaixada do Sudão, da Argélia ou outra coisa qualquer, pois não?

Diz que há portugueses para quem a imagem caricaturada de Maomé é mesmo ofensiva, não discuto. Mas também há portugueses para quem os bonecos caricaturados do contra-informação são ofensivos e que eu saiba, ainda ninguém pegou fogo às instalações da Mandala. E também há portugueses que se sentem ofendidos pelos estereótipos do português tipico - aliás muito pouco abonatórios, mas aos quais toda a gente acha pilhas de graça - utilizados em novelas brasileiras e em filmes estrangeiros. E que eu saiba ainda ninguém, nem ameaçou os autores de morte, nem incendiou estúdio algum, nem dá direito a tempo de antena no telejornal.

Como conclusão só tenho uma coisa a dizer: 1492.

Tonibler disse...

Camarada Anthrax,

Broa...Humm...isso vai bem com uma farinheirazinha e um chouriço assado...Tudo porco, mundo muçulmano!

O limite já é conhecido há muito tempo e todos o conhecemos. Temos toda a liberdade até ao limite da liberdade do outro. Eu estou-me nas tintas para os palestianos e outros árabes, para os persas, para os turcos, para os bengalis, etc...Quero mais é que se danem todos (sem estragarem os nossos poços de petróleo, claro!). O meu problema, e que toda a gente faz questão de esquecer, é que Maomé é o profeta máximo de uma religião, não é de uma região! Há portugueses que são muçulmanos, tão portugueses como nós dois.

Insultuoso é estar na porta de um igreja a chamar otário a quem sai por acreditar na ressurreição e na virgindade de Maria, não é acreditar na ressurreição e na virgindade de Maria. Insultuoso é proibir o lenço, não é usá-lo! Mas isso é em França, local de eleição para ensaios nucleares, nunca aconteceria em Portugal. Como, tenho a certeza absoluta, a porcaria das caricaturas nunca seriam publicadas em Portugal.
Porque há o direito de cada um à sua crença sem que isso seja posto ao ridículo pelos outros. Que eu saiba nenhum dos muçulmanos portugueses queimou embaixadas, bandeiras ou apelou à censura, mas censurou a publicação.

O nosso dever, enquanto portugueses, é defender o direito à liberdade de expressão, sem dúvida, mas também o direito à fé de todos portugueses, mesmo daqueles, como nós os dois, que não estão com a maioria.

Virus disse...

É nisto que eu gosto do camarada (passo a expressão) Tonibler, mesmo discordando do que escreve não consigo deixar de concordar com alguns dos argumentos.

Um jornaleco dinamarquês, saído a 30 de Setembro de 2005, com uma tiragem inferior a 5000 exemplares não se pode dizer que é um "mass media". A questão da liberdade de expressão é a liberdade de se dizer o que se quer, tendo o outro a liberdade de ouvir ou não... não quer ouvir, muda o canal, vira a página, ou tapa os ouvidos... é o que eu faço (excepto a parte de tapar os ouvidos). Não ando por aí a incitar à violência e a queimar prédios e bandeiras! Crítico, e sigo em frente... o lema do vive e deixa viver é o lema certo...

Eu estou-me nas tintas se o Maomé é um profeta máximo do mundo islâmico, ou se é um tipo que abusava das ovelhas nos pastos, estou-me nas tintas se dizem mal do Papa, ou do Bispo de sei lá onde... leio e rio-me... Não porque não acredito, mas porque tenho a capacidade de me rir de tudo (mesmo das coisas que me correm mal)... pois é das poucas coisas que nós temos que é verdadeiramente pura!

O que me deixa "lixado" é estarmos constantemente preocupados com a minoria, mesmo que isso implique subjugar a maioria, para que a minoria não se sinta incomodada! Isso é uma treta... nessa perspectiva então quem tem mais votos nas eleições devia perdê-las, pois são uma minoria e precisam de ser protegidos e acarinhados...

Já agora essa dos ensaios nucleares em França ainda estou para perceber... é que os ensaios nucleares não foram em França... foram noutro local...

Anthrax disse...

Amigo Tóni,

Pois devo dizer-lhe que essa da virgindade da Maria, ainda hoje estou para perceber como é que conseguiram convencer o pessoal dessa cena! Seja como for, foi uma excelente manobra de marketing.

Quanto ao facto de haver portugueses que são muçulmanos, paciência, ninguém é perfeito. Todos temos as nossas qualidades e os nossos defeitos (só que nalguns as qualidades, estão tão escondidas que demoram mais tempo a vir ao de cima).

Quanto ao facto de ter a certeza que, em Portugal, as caricaturas nunca seriam publicas é assim; um povinho que está tão dormente, mas tão dormente, que nem sequer consegue reagir ou protestar quando é abusado diariamente por políticas governativas cretinas, é perfeitamente natural que o cultivo de produtos hortículas, da família dos tomates, esteja um bocado em baixo. Aliás e já que estamos no sector da agricultura, aquela história da Política Agrícula Comum uma das características que tem é, exactamente, passar a produção destas coisas a quem tenha uma maior capacidade produtiva. Por isso, reconheço que tem toda a razão, em Portugal os bonequitos nunca seriam publicados.

David Justino disse...

No meio de tudo isto, sabem o que me entristece?
É ver a cultura ocidental tornar-se cada vez mais um imenso complexo de culpa perante as outras civilizações. É ver o ar de autoflagelo que detecto em muito discurso "tolerante". É o sentir da ditadura do politicamente correcto que nos faz envergonhar da nossa identidade.
Não falo na expressão do menor respeito que possa existir em algumas manifestações de "supremacia" ocidental (sou sensível aos argumentos do Marco), mas à constante relativização e legitimação da violência, do terrorismo, das mãos ensanguentadas pela morte de quem teve o azar de passar no local errado à hora errada, pensando que era um cidadão livre e vivia numa sociedade segura.
Desculpem-me, mas o que tenho visto nos últimos dias é pura e simplesmente barbárie!
Não consigo entender de outra maneira.

Tonibler disse...

Camarada Vírus,

Quanto aos ensaios nucleares não serem em França, é porque nos temos que nos esforçar mais para que sejam!

Não estamos a subjugar maioria nenhuma, por isso sublinho o gratuito da caricatura. Há o direito do publicar mesmo sabendo que se ataca o direito à diferença NA DINAMARCA?

Camarada Anthrax,

Mas a virgindade da Maria é uma coisa importante para uns milhões valentes de portugueses. Há o direito de duvidar de tal? Claro. Há o direito de pôr a senhora num filme porno? Acho que não. Aqui ultrapassou-se o limite da nossa liberdade para estar a constranger a do próximo.

A questão de sermos encavados cada vez que alguém tem uma enorme vitória em Bruxelas, isso já é outra história....

Anthrax disse...

Amigo Tóni,

Cá para mim podem pôr a Maria onde bem entenderem , a fazer o que quiserem e se quiserem fazer uma versão hardcore da biblia, tanto me faz, sendo que material é coisa que não falta. Para mim, continuará a ser, sempre, uma maneira diferente de contar uma história. Quem gosta, gosta. Quem não gosta, não gosta.

Agora, quem gosta, não obriga quem não gosta a ver. E quem não gosta, não proíbe quem gosta, de ver. Porquê? Porque é assim que as coisas numa sociedade civilizada funcionam. Nós, não temos que gostar todos do amarelo. Há outras cores que o pessoal também curte. E se eu quiser dizer mal do amarelo e quiser criar um estereótipo - crítico, cáustico, irónico e sarcástico - em relação às pessoas que gostam do amarelo, faço-o sem qualquer problema de consciência. Depois haverá quem tenha maturidade e inteligência para compreender a crítica, outros que compreendendo poderão discordar e outros ainda que, precisarão de subir mais uns tantos degrauzinhos na escala evolucionária para poderem compreender uma crítica, sem se babarem e sem entrarem em histeria colectiva.

Há uma coisa que o Dr. "D". focou e parece-me que muito bem. Parece que a sociedade ocidental está afundada num imenso complexo de culpa e depois refugia-se num discurso idiota sobre a tolerância. Pois eu cá, estou perfeitamente de acordo. Parece que a sociedade ocidental se anda a penitênciar pelos seus séculos de história. É assim, cada um flagela-se como muito bem entender (se bem que isso dá direito a internamento em ala psiquiátrica), mas no que me toca a mim, não tenho quaisquer problemas com a História seja ela qual for, nem acho que devamos alguma coisa a alguém (seja quem esse alguém quem for).

Na Dinamarca, ninguém atacou o direito de ser diferente. O que há que perceber é que o "ser diferente", não pressupõe a subversão de regras só porque se é diferente. São diferentes, cool! tudo bem. Então aceitem essa diferença e saibam viver com ela, porque como em qualquer outra coisa na vida, tem vantagens e desvantagens.

Tonibler disse...

Camarada Anthrax,

A sociedade ocidental É tolerância. A diferença entre publicar e fazer, está no tornar público, no divulgar. Não é um filme, é um jornal.

Não há nada mais minoritário que ser filho da minha mãe, mas o cabrão que fizer piadas com isso leva nos cornos. Entre este extremo e o "caguei nisso", há vários níveis de cinzento que a sociedade ocidental sabe separar e é essa a nossa diferença para com os selvagens dos árabes. Mas temos que lembrar-nos que há portugueses muçulmanos que não são selvages como os árabes e que há séculos que aturam as trampas dos cristãos deste país numa atitude tolerante.

Virus disse...

Já vou atrasado mas deixem-me rematar com uma coisa...

A tolerância é uma treta... senão vejamos:
- Eu tenho de ser tolerante perante o facto de destruírem bens, matarem inocentes, ferirem quem os quer ajudar;
- Eles não têm de ser tolerantes perante uns desenhozitos!

ONDE É QUE ESTÁ A IGUALDADE E O DIREITO À DIFERENÇA?

Só por esse motivo não gosto daquela sociedade e penso que não deveríamos ter qualquer tipo de relacionamento com ela, mas atenção, não estou a falar deles muçulmanos, estou a falar das sociedades muçulmanas que vivem num constante incitamento e elevação da violência como forma de exprimir as suas frustrações, a sua dôr, a sua inveja e a sua incapacidade (por mais dinheiro que tenham) de acompanhar a evolução das sociedades ocidentais!

http://blasfemias.net/