quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2006

De novo a morte como ameaça

Quando em 1988 Salman Rushdie publicou pela primeira vez os Versículos Satânicos, não esperaria a reacção que os emergentes fundamentalismos islâmicos se traduzisse na sentença de morte que mudou por completo a sua vida. Passou a viver com a cabeça a prémio, perdeu a liberdade.
Com o caso das caricaturas de Mahomé parece passar-se o mesmo. O mullah Dadullah, um importante chefe talibã, anunciou a oferta de 100 kg de ouro a quem matar o autor das caricaturas, e "cinco quilos de ouro a quem matar um soldado dinamarquês, norueguês ou alemão".
Em qualquer país civilizado este anúncio é considerado crime.
Esta é a verdadeira natureza do fundamentalismo islâmico.

6 comentários:

Antonio Almeida Felizes disse...

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Caro DJustino,

Esta história do "mullah Dadullah",não passa de mera propaganda para consumo interno.

A essência do problema radica no conflito de civilizações, no ascendente claro da civilização ocidental e na globalização

É que num mundo cada vez menor, cada vez mais próximo, a religião funciona como um instrumento de afirmação da identidade nacional, e como uma forma de combater a globalização crescente que é claramente um processo que se desenrola sob o comando inequívoco do mundo ocidental.

Cumprimentos,

Antonio Felizes
http://regioes.blogspot.com
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David Justino disse...

Meu caro AAFelizes,
permita-me alguma divergência. Se há algo de novo no fundamentalismo islâmico é o facto de ele não se orientar pela lógica nacional. Também ele opera à escala global, serve-se dos sistemas de informação global para se projectar com maior incidência no mundo islâmico, mas de forma generalizada para chegar a qualquer parte onde existam comunidades islâmicas. Eles não estão contra a globalização, querem ser tão globais como a Coca-Cola, o Macdonalds, o Windows ou a economia do petróleo.
O "consumo interno" é meramente instrumental, um mero passo não absolutamente indispensável.
Cumprimentos

Virus disse...

Bom... aqui vou fazer um pouco de advogado do diabo... o sr. mullah tem o direito e a liberdade de expressão de dizer o que quiser, tal como os cartoonistas têm o direito de desenhar e publicar o que bem entendem.

A grande questão aqui é tão simplesmente O QUE É QUE CADA UM FAZ COM AQUILO QUE OUVE/LÊ?

Eu não avalio um povo, ou uma religião por uns meros cartoons, mas avalio-o em função dos actos que praticam! E aí temos um mundo de distância entre os dois...

cmonteiro disse...

Incentivo ao crime não se insere na liberdade de expressão.

Virus disse...

Não sei porquê, mas até que concordo consigo caro cmonteiro... e bastante!

De facto ainda hoje dizia eu o mesmo.

Anthrax disse...

Por acaso eu também concordo com o cmonteiro e com o Vírus. Ou bem que há liberdade, ou bem que não há.

O sr. mullah tem o direito de dizer o que muito bem entender e a outra parte envolvida tem o direito de se defender como muito bem entender.

O tio Frederico (aquele que costumava falar muito com Zaratustra), tem umas tiradas muito boas a propósito destas coisas e nenhuma delas inclui o "dar a outra face".

http://blasfemias.net/