quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2006

Senhoras?

No JN de hoje duas notícias chamaram-me particularmente a atenção.
A primeira diz respeito ao preenchimento dos certificados de óbito. Há algum tempo foram publicitadas ligações perigosas entre médicos e funerárias, em que os primeiros deixavam assinados certificados de óbito bastando para o efeito o seu preenchimento pelo cangalheiro de serviço. Além de ser um crime revela uma falta gravíssima em termos éticos e deontológicos. Agora, uma senhora doutora assinava certificados com a causa de morte pré definida, acidente vascular cerebral, a principal causa de morte no nosso país. A senhora doutora, pelos vistos indignada, explicou que às vezes começa a preencher o certificado pelo fim, apondo a sua assinatura em primeiro lugar! Que coisa estranha. É a primeira vez que ouço alguém dizer que primeiro assina e depois é que preenche o resto. Chama-se ir andar às avessas. E a propósito de andar às avessas o melhor é não abordar ninguém por trás. Pode receber alguma resposta menos apropriada. Desta feita, na secção do leitor, um cidadão conta que numa visita ao hospital do Porto abordou uma senhora que ia à sua frente vestida de branco. Precisando de uma informação, interpelou-a de forma correcta, ou seja, dirigiu-se nos seguintes termos: - “Minha senhora, por favor…” A putativa senhora voltou-se, fulminando-o com o olhar e disparou: -“Minha senhora, não! Senhora doutora! Aqui, o nosso perplexo cidadão não esteve com meias medidas e retorquiu: - “ A sério? Pois, olhe, a única coisa que vejo é uma mulher vestida com dois metros de pano branco, que de senhora não tem nada”.
No fundo o que é preciso é ser-se senhor ou senhora, quer no tracto, quer na atitude profissional. Infelizmente as Faculdades não conseguem transformar labregos ou corruptos em verdadeiros senhores e senhoras.

6 comentários:

JM Ferreira de Almeida disse...

Por momentos pensei que os títulos deste post e o da Suzana (imediatamente anterior) teriam sido trocados por via de um qualquer misterioso fenómeno! Afinal não ;)
Estou de acordo consigo. Ainda hoje, num reunião supostamente entre gente de elite, todos doutores, assisti a uma manifestação da mais pura má criação de um deles (infelizmente não estava vestido com 2 metros de pano branco...).
É a falta de chazinho na altura própria, meu caro Professor...

albertopdesousa disse...

Com toda a admiração que tenho pelo professor, pois foi e ainda serei seu aluno, tenho que admitir que dar aulas deve parecer por vezes excruciante e a conclusão que se ensinua, fácil, para muitos poderá ser labregos... No entanto cabe ao professor a tarefa de cativar o aluno. Para além disto o exemplo tem de ver de cima, não podendo acontecer aquilo que aconteceu este semestre durante o qual faltaram mais vezes os professores às aulas teóricas do que eu, o que é obviamente desmotivante, sem falar no que aconteceu durante uma aula teórica obrigatória às 8:00h da manhã, à qual o curso médico compareceu em peso, tenso sido presenteado com falta de comparência do professor. Este impróvavel cenário foi, sem dúvida, uma enorme falta de respeito pelos homens-cidadãos-alunos e futuramente colegas na profissão médica.

Tonibler disse...

Se calhar porque Elite é nome de carro, mais nada....

Sem ter nada que ver com o assunto, mas com certidões de óbito, é verdade que existe uma certidão de óbito provisória e uma definitiva????

JM Ferreira de Almeida disse...

Só a definitiva é que vale... ;)

cmonteiro disse...

Essa da "provisória" e "definitiva" faz-me lembrar uma situação a propósito dos levantamentos de sistemas e métodos que periodicamente se fazem lá pela empresa, havia um campo de introdução de dados no sistema informático que dizia "óbito - data de expiração". E eu perguntava se depois o morto deixava de estar morto!...

Já está resolvido.

Salvador Massano Cardoso disse...

Caro albertopdesousa

A sua observação é pertinente. Acontece que alguns ficam nas faculdades sem conseguirem ser "verdadeiros senhores e senhoras"...

http://blasfemias.net/