domingo, 26 de Fevereiro de 2006

Lideres, chefes, gestores e semânticas

A diferença entre um gestor e um lider é muitas vezes o factor que determina o sucesso ou o falhanço de uma escolha para um cargo dirigente. Conforme o que se pretende obter ou a natureza da organização a orientar, o perfil do seu dirigente vai certamente ditar o resultado. O que acontece muitas vezes é olhar-se a competência de uma pessoa com base no seu curriculo, nos cargos mais ou menos sonantes que ocupou ou nos seus títulos académicos e lá fica em segundo plano o tipo de atitude que requer a missão que lhe vai ser entregue. Daqui resulta com frequência que uma pessoa que é muito capaz de desenvolver com êxito um departamento estruturado que deve expandir-se, já é um falhanço total quando assume um sector que exige mudança profunda, precisa de novos objectivos ou conheceu tempos gloriosos e está em decadência.
As inúmeras teses que existem sobre a questão da liderança foram relegando para subespécies palavras que quase não mereciam discussão, como "chefe", "director" ou mesmo "gestor", abrindo um leque de especialidades cujo relevo é muito interessante.
É assim que, em termos muito genéricos, um chefe surge como um autoritário, que impõe comportamentos necessários para missões específicas, com disciplina rígida e pouca discussão.
O gestor administra, procura melhorar os métodos, não confronta mas deve convencer,define os processos e preocupa-se em fazer bem o que deve ser feito.
O lider questiona, inova, desafia, conquista as pessoas para o seguirem, causa rupturas em busca de soluções que não se encontram no horizonte dos que olham para o que é em vez de olharem para o que devia ser.
Estas características não são importantes só nos lugares de topo, bem pelo contrário, é essencial que um dirigente saiba ver nos seus colaboradores os que podem liderar um projecto novo ou os que darão boa conta de uma reestruturação para melhor atingir os resultados. E o engano, de quem escolhe ou de quem aceita o lugar, pode levar ao falhanço do projecto e à frustração do escolhido, perdendo-se um bom profissional só porque não se soube ler a sua habilidade.
E é curioso verificar que estas diferenças podem evidenciar-se logo na escola e ter importância no modo como se valoriza o comportamento dos alunos em função das suas atitudes em coisas tão simples como dar nas vistas, ser muito atilado, ser mandão ou ser rebelde...
Não será só uma questão de semântica, embora às vezes pareça!

5 comentários:

Pinho Cardão disse...

Cara Suzana:
De facto näö e mesmo uma questäo de semantica.
Estou com dificuldade na escrita, porque estes teclados austriacos nao tem acentos proprios de uma escrita civilizada, nem agudos, nem til, nem circunflexos, so aparece o trema por todo o lado!...
Fico-me entao por aqui!...

Pinho Cardão disse...

Cara Suzana:
De facto näö e mesmo uma questäo de semantica.
Estou com dificuldade na escrita, porque estes teclados austriacos nao tem acentos proprios de uma escrita civilizada, nem agudos, nem til, nem circunflexos, so aparece o trema por todo o lado!...
Fico-me entao por aqui!...

Suzana Toscano disse...

É pena, eu acho que mesmo que ponha os tremas ao calhas ainda assim vamos apreciar muito os seus comentários. Nada de desculpas, o que o meu amigo quer é ir para a neve! Boas férias!!

Anthrax disse...

Excelente post Suzana (tinha que o dizer).

Pessoalmente, gosto bastante dessas investigações pois é um tema que também gostava de trabalhar, embora noutra perspectiva que não a da gestão.

De qualquer forma, as diferenças entre líderes, chefes e gestores, não são, de facto, uma mera questão de semântica e podem ser decisivas para o sucesso - ou não -de uma organização seja ela de que tipo for.

just-in-time disse...

Na "mouche"!
Na Idade Média as funções estavam bem definidas e a pertença de classe também.
Nas sociedades democráticas e avançadas, os valores pessoais são mais facilmente identificados, acarinhados e orientados, pela escola; ao mesmo tempo, o maior entrosamento das ciências sociais no funcionamento das instituições, favorece uma melhor administração dos recursos humanos, no sentido da realização pessoal e da eficácia das instituições.
O prestígio social e o estatuto remuneratório não têm de estar ligados à posição hierárquica.
É aqui que reside muita da nossa ineficiência económica, social e cultural.
Nós ainda nos debatemos entre aqueles que consideram que a capacidade de direcção (nas várias acepções ou espécies, a que a Suzana alude) é inata e constante, e os que acham que, com umas pinceladas incipientes de "gestão" de "recursos" humanos, tudo se resolve. A situação ainda se complica quando as decisões concretas resultam do confronto destas duas tendências no seio de cada instituição.

http://blasfemias.net/