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terça-feira, 15 de julho de 2008

Humor ministerial: contratualizar a subsidiodependência!...

Com o PIB a descer e a inflação a subir, o tempo não está para graças. O que vale é que os nossos Ministros, mascarados com pose institucional, mas pingona, nos vão fazendo rir...Um dos ministros que mais me diverte, possivelmente porque temos o mesmo apelido, é o Ministro Pinho. O Ministro Pinho é um manancial de piada!...Agora, descobri um outro espécimen que promete não lhe ficar atrás, sobretudo porque o humor é mais refinado: o Ministro da Cultura, Pinto Ribeiro. Em entrevista ao Expresso, declara de imediato que “faz política, para outros fazerem cultura”. Confecções fazem-se nas fábricas, remédios nos laboratórios, agricultura, na terra. Eu próprio faço cultura de morangos, feijão, alface, tomates, couves, salsa e coentros, para a minha subsistência. E também faço cultura de uns litros de vinho, que a água vai estando mais cara do que o petróleo. Fiquei a saber que o Ministro faz política para eu fazer cultura. Estou-lhe muito agradecido. Só não lhe ofereço um pêro, porque um Ministro ganha bem, muito bem, para aquilo que faz, que é dar entrevistas nos jornais e nas televisões...
Ora, para além da terra, onde mais é que se faz cultura? Pensando bem, os lugares por excelência da fabricação de cultura são as oficinas de cultura. As oficinas de cultura são a mais autêntica realização cultural do regime: são oficinas, porque fazer cultura é qualquer coisa como fazer armários em série e por atacado. O seu fim último e único é justificar um afadigado Pelouro Cultural na Câmara. E havendo Pelouro Cultural, é porque se faz cultura. Claro que há outras formas de fazer cultura, por exemplo a cultura do subsídio. A cultura do subsídio não é fácil, mas é rendosa. Veja-se só trabalhão que não dá fazer um filme para poder corresponder aos refinados gostos de, vá lá, vinte cinéfilos, onde se incluem os artistas e o pai e a mãe do realizador. A mulher, não, que jurou não aguentar mais…Dá trabalho, mas propicia dez anos de regalada vida a preparar a próxima fita, almoçando e jantando na barra do Gambrinus.
Todavia, neste capítulo, o Ministro é radical, mesmo revolucionário. Não aprova a rede existente de subsidiodependentes. Como tal, o Ministro Pinto Ribeiro, num golpe de mestre, propõe-se “contratualizar essa rede”. Genial!
Subsidiodependentes a contrato!... Com recibo verde ou a prazo, pergunto eu? Não, o melhor é integrá-los desde já!...
Não é cheio de humor este Ministro? (A continuar)...

4 comentários:

Suzana Toscano disse...

Já estava a recear que o caro Pinho Cardão não tivesse lido a entrevista! ;)) Não perca a embalagem...é continuar!

Fernando disse...

Senhor Pinho Cardão

Uma pergunta.
Qual o significado de "contratualizar"?
É que não consigo encontrar semelhante palavra no Dicionário de Língua Portuguesa da Priberam.
Cumprimentos

Fernando Correia

Pinho Cardão disse...

Cara Suzana:
De facto, a entrevista é um mimo e vai dar para mais uns dois posts...
E se o homem toma o gosto das entrevistas, vai ser um show!...

Caro Fernando:
Isso de chamar "contratualizar" ao que é simplesmente "contratar" é uma horrorosa corrupção da língua. Mas tal formação verbal tem-se expandido e já há, no mau uso corrente, político,jornalístico e comentarístico, uma infinidade de verbos com essa terminação. É uma corruptela de português.
Tanto quanto me lembro, a formulação contratualizar apareceu, pela primeira vez, no Programa de Governo de Guterres, dado que para os tecnocratas de serviço a palavra contratar era insufuciente para acolher toda a compreensão que as suas mentes brilhantes pretendiam dar ao conceito. Termino, como
comecei: um horror!...

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Dr. Pinho Cardão
Fico sempre com dores de cabeça por não perceber porque é que as grandes produções cinematográficas são subsidiadas para passarem em salas de cinema completamente vazias? E a pensar que estas também devem ser subsidiadas para colocarem os filmes em cartaz!