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quinta-feira, 31 de julho de 2008

O computador técnico!...

Portugal é cada vez mais um país de inventores. Não daqueles pífios produtos que podem ser produzidos e comercializados, que geram emprego e riqueza, isso seria desperdiçar tempo, mas sim daquelas coisas mirabolantes, género criar, no prazo recorde de um ano, os melhores alunos de matemática do mundo.
Ouvi ontem que também inventámos o primeiro computador para a criançada dos 6 aos 10 anos e até me parece que vi Sócrates, como lídimo representante da classe e seu primeiro utilizador, a tranquilizar os desconfiados, afiançando a categoria do artigo. Claro que, a partir de agora, o progresso na matemática será imparável e avassalador. Não há tabuada nem problema ou, sobretudo, exame que resistam à poderosa e animada máquina.
Certamente já como resultado do computador infantil, há muito em testes e em voga no Ministério da Educação, também inventámos a fórmula matemática que tornou os alunos de português os mais qualificados do mundo; de facto, diz o Ministério, é difícil encontrar chinês, coreano, esquimó ou índio que consiga escrever português com menos erros em cada palavra. Lamentavelmente, nesta matéria, nem todos estão de acordo. Por exemplo, muitos Professores, encabeçados pela recalcitrante Maria do Carmo Vieira, que disse que nunca ensinaria a gramática do TLEBS, e ganhou, vieram agora propalar uma invenção verdadeiramente malévola. Inventaram que há alunos do 9º ano que demoram um tempão a encontrar o significado de palavras no dicionário, porque não sabem o alfabeto de cor!...
Mas de que tempo é a senhora? Saber de cor o alfabeto, neste tempo de computadores técnicos? Escreve-se a palavra e vem logo o significado. E se a palavra é mal escrita e não há significado? Faz-se um up-grade do computador, de forma a abarcar todas as combinações de letras, possíveis e imaginárias!...
Nada de importante, pois, digo eu. Não foi sem saber ler nem escrever que Sócrates, o inventor-mor, inventou 150.000 empregos?
P.S. Confesso que a notícia da invenção do computador infantil me deixou naturalmente satisfeito. Mas, depois de ouvir Sócrates a dizer que era um computador igual aos outros...

7 comentários:

Bartolomeu disse...

Caro DR. Pinho Cardão... será que o comunicado que o nosso Presidente da República vai fazer hoje ao país tem a ver directamente com esta magistral ideia do "nosso" Primeiro Ministro?
Será que, para reconhecer o mérito da criação, S. Exª. O P.R. pretende anunciar que, em lugar da imposição de uma condecoração da Hordem do Mérito, pensa "agraciar" o Sr. P.M. com um par de super-deslizantes patins?
Já tarda o presente, mas ainda vem a tempo...

Suzana Toscano disse...

A mim o que me chamou a atenção foi que cada computador custa na produção €180 mas que o preço de venda via ser entre €20 e €50! Deve ser matemática moderna...

Pinho Cardão disse...

Cara Suzana:
É isso mesmo, matemática técnica...
Mas há outra coisa estranha: a "nossa" invenção, pelos vistos, também já foi inventada por outros países europeus, que têm essas infantis máquinas à venda com denominações diversas.
E, já agora, outra coisa que também me feriu a atenção: o grosso das compras do "Magalhães" é do Estado...
Será que o Estado, isto é, nós, vamos subsisdiar sem saber a diferença entre o preço de venda e o custo de produção?

Ruben disse...

O modo como a realidade foi manipulada pelo PM deveria ser um escândalo nacional. O que vai ser feito é a montagem de um determinado modelo de computador, existente em vários países, o qual tem vendas garantidas de 500 mil exemplares, cortesia do nosso generoso Estado subsidiador. Não se percebe esta mania de grandeza que continua a assolar o "inginheiro" (mas o povão parece gostar, por enquanto).
A palhaçada foi bem explicada aqui.

Pinho Cardão disse...

Obrigado, caro Ruben: ficámos bem esclarecidos da "palhaçada"!...

Ruben disse...

Justiça seja feita, a iniciativa em si seria louvável, caso não houvesse a (já inevitável) interferência do Governo em tudo o que é área da economia. A subsidiação estatal e consequente aproveitamento propagandístico é que mancham e distorcem a iniciativa privada. Se o negócio é tão bom, porque razão tem o Governo de o "apadrinhar" com copiosos dinheiros públicos?

JM Ferreira de Almeida disse...

Para outros esclarecimentos:
http://zerodeconduta.blogs.sapo.pt/641878.html