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terça-feira, 1 de julho de 2008

"On the Origin of Species"

Há 150 anos nasceu uma nova forma de pensar...

16 comentários:

Tonibler disse...

...que, curiosamente, ainda encontra oponentes que acham que a vida é o produto de uma criação inteligente. O que é, em si, uma contradição porque nenhum ser inteligente criaria outro que pensasse assim.
Bem lembrado!

Pinho Cardão disse...

Caro Tonibler:
Pois há, e eu sou um dos que também pensam que a vida provém de um desígnio inteligente.
Não, não é o criacionismo da Bíblia, que há seis mil anos atrás explicava a criação do mundo em 6 dias. Também não vejo como poderia ser explicada de outra forma, considerando o ambiente, o estado de conhecimento e a ciência da altura.
Claro que ainda há os criacionistas puros que explicam a criação rigorosamente segundo o modelo bíblico.Mas também, do outro lado, há os que o continuam a interpretar à letra, para assim o combater. O que é outro erro grosseiro.
Por mim, admito perfeitamente que outros pensem que o evolucionismo, ou o acaso expliquem todo o fenómeno da vida. Mas esses não podem apoucar a inteligência de quem não pensa dessa maneira. De facto, neste campo da explicação da vida, a ciência ainda está a dar os primeiros passos e nenhuma explicação, por lógica que pareça ou seja, é ainda definitiva.
De facto, muita ciência certa numa época foi contraditada na época seguinte. É essa a maravilha da ciência, em constante evolução e aperfeiçoamento. Nas dúvidas da ciência, recorre-se à filosofia, que também ajuda a perceber a transitorirdade e a precaridade de muitas laboriosas e bem fundamentadas teorias.
Por fim, e para terminar, do meu ponto de vista, e pelo que tenho lido, pois é um tema interessante, estou convicto de que o evolucionismo não contraria em nada, mesmo em nada, a ideia de um desígnio inteligente, que preside à criação.

Suzana Toscano disse...

Concordo com a sua síntese, caro Pinho cardão, acreditar que há um "desígnio inteligente", como lhe chama, significa que é possível ir desvendando esse processo, ir sempre mais longe na descoberta dos seus mistérios, daí a evolução científica e também o reconhecimento da sua falibilidade. O mais importante é que, como diz,a ciência não desista de perceber mas reconheça que nunca será capaz de entender tudo. Há 150 anos, como bem lembra o post, cairam muitos tabus sobre o limite além do qual não era possível passar.

Miguel Ângelo F. M. Valério disse...

... devidamente sustentada, mas que infelizmente foi utilizada por pseudo-cientístas para algumas justificar pseudo-teorias, como o darwinismo social

Pézinhos N' Areia disse...

Darwin Still Rules, but Some Biologists Dream of a Paradigm Shift


http://www.nytimes.com/2007/06/26/science/26essay.html?_r=2&ref=science&oref=slogin&oref=slogin


paleontologias ....

Tonibler disse...

Caros,

Com o devido respeito, 150 anos em ciência é uma eternidade. A ciência não está nos primeiros passos nem no estudo da criação, nem na evolução. E o facto de não sabermos tudo, não quer dizer que especulação passe a ser aceitável enquanto conhecimento. Não se sabe, pronto, não se sabe. Isto não quer dizer que caiba lá qualquer coisa só porque o vazio existe.

Isto para dizer que ninguém está impedido de achar aquilo que bem entende, sobre aquilo que não conhece. Pode ser a sequência dos seis dias ou outra crença qualquer, mas isso não é conhecimento. É crença. Aquilo que é conhecimento sobre aquilo que não conhecemos é exactamente isso - não conhecemos. E porque é isso que ensinamos aos nossos filhos, conhecimento é muito superior a crença e, portanto, a menoridade está lá.

Da crença de cada um, cada um sabe dela. Mas não é isso que faz 150 anos. O que faz 150 anos, é ciência. Da boa.

Tonibler disse...

PS:

Vou cometer a heresia de sugerir "As Origens da Vida", de Joël de Rosnay. Deve ter umas 150 páginas para explicar cerca de 150 anos de ciência sobre a criação. Era da Almedina, não sei se ainda existe.

Rui Fonseca disse...

Caro Pinho Cardao,

E podes dar-nos uma ideia, por aproximada que seja, do que e que entendes por designio inteligente?

Porque,meu caro, os problemas filosoficos estao nas palavras.

cmonteiro disse...

hiii c'um raio. Este é um daqueles temas em que não se chega a lado nenhum....

Cara Suzana,

A Ciência reconhece que não sabe tudo, ao contrário, a "crença" não se contenta por não saber tudo.

Gostaria de lhe deixar este reparo, uma vez que na sua ideia está precisamente implicito o contrário.


Caro Pinho Cardão,

É dentro deste espírito que não consigo entender o Criacionismo: Não se conforma em desconhecer! Tem que ter uma explicação! E foram precisamente séculos e séculos deste espírito, de "verdades adquiridas" e não confirmadas cientificamente, que nos votaram ao obscurantismo medieval e ao fim de qualquer progresso como espécie.

Onde estaríamos hoje se nos contentássemos apenas em procurar saber mais, em vez de arranjar explicação para o que não se sabe?

Paulo disse...

Meus caros,

Acho que há aqui alguma confusão...

1) A ciência é uma "maquina de calcular" que faz previsões e que são comparadas com o real. É a "nossa" máquina de calcular.

2) A "máquina de calcular" está cada vez mais refinada. Inicialmente uma árvore seria um cilindro. Desviava-se muito da realidade na copa das árvores. Agora será um cilindro com uma esfera no topo. É mais refinado, sim. Mas apenas isso.

3) A máquina de calcular é útil. Mas não é mais do que isso. Uma máquina de calcular muito útil.

4) Obviamente é ordenada pois o nosso cérebro cria padrões, e se não fosse ordenada não seria útil. Pois a ciência de certa maneira "comprime o real", uma teoria faz muitas previsões mais ou menos correctas.

5) Aparecemos do nada e que um dia desapareceremos. O que fizermos com a nossa curta vida é da nossa responsabilidade e não tem nada a ver com qualquer "desígnio inteligente". Mas enfim, todos somos livres para acreditar no que quisermos... Há muitas conjecturas úteis para a vida....

Cumprimentos,
Paulo

Pinho Cardão disse...

Caro CMonteiro:
Creio que o que referiu não se aplica à minha posição sobre a matéria. Aliás, o que eu disse é mesmo um hino à ciência, e vou repetir:"de facto, muita ciência certa numa época foi contraditada na época seguinte. É essa a maravilha da ciência, em constante evolução e aperfeiçoamento".
Diz o meu amigo que "foram precisamente séculos e séculos deste espírito, de "verdades adquiridas" e não confirmadas cientificamente, que nos votaram ao obscurantismo medieval e ao fim de qualquer progresso como espécie".
Por mim, eu digo que daqui a 200 anos, mil, cinco mil anos, verdades adquiridas hoje, mesmo que à luz da ciência actual, não terão qualquer validade e as explicações serão diferentes. E esses nossos descendentes dirão de nós o que o meu amigo está a dizer dos que nos antepassaram e a chamar-nos obscurantistas.
A essência das coisas vai-se conhecendo por aproximações sucessivas e temos que ter a humildade de reconhecer que o que é hoje verdadeiro pode ser contraditado amanhã. Por isso, Einstein foi grande. Mas novos Einsteins certamente virão com novas explicações, novas teorias, e uma nova relatividade.
Falta-nos ainda muito para ter uma explicação mínima da origem da vida. Nessa matéria, e do ponto de vista científico, ou filosófico, ou moral, nada ainda é dado adquirido.A ideia de um desígnio inteligente não pode pois ser posta de parte. Sendo esta a minha opinião,e de muitos, gente comum,cientistas, filósofos, não gosto de a ver achincalhada, como também não deprecio a dos que pensam diferente.
Esclareço que não me estou a referir-me ao que o meu amigo expressou.

Salvador Massano Cardoso disse...

Caro amigo Pinho Cardão

Já escrevi algumas coisas sobre evolução, criacionismo e desígnio inteligente, como bem sabe. O meu amigo não gosta de ver achincalhado o “desígnio inteligente”. Bom! O problema é apenas um e muito simples: colocar em pé de igualdade o “desígnio inteligente” com o evolucionismo. Não pode ser. Mas quem quer colocar-se em pé de igualdade com o evolucionismo são os adeptos desta forma de criacionismo e não o contrário.
Em 17 de Maio de 2007 publiquei neste blog um post intitulado “Deus contra Darwin?!” No fundo relato os ataques de movimentos, que são mesmo “descarados”, até entre nós, a contestar o darwinismo! Os evolucionistas não têm que se preocupar com os criacionistas clássicos ou os mais elaborados, porque estes defendem-se na religião e nas suas crenças. Sendo assim, religião para um lado, ciência para o outro.
Não queria deixar de transcrever o parágrafo final do post já referido: ...”Anselmo Borges, padre e professor universitário conta que foi acusado de negar dogmas da Igreja. Pediu um exemplo dessa atitude e espetaram-lhe com o pecado original. Perguntou à interpelante se tinha filhos e se acreditava que os mesmos tivessem sido gerados em pecado. A interpelante afirmou: - “Nem pense nisso! É claro que não. O pecado original era para os outros, mas não para ela. Mas a frase que mais me tocou foi a seguinte: “A fé não pode entregar-se à cegueira, abandonando a razão”.
A reportagem recente publicada no El Pais, e que li com muito interesse, tinha como título “Deus contra Darwin”. Não creio que Deus esteja contra Darwin, nem este contra Deus. E, se “somos todos filhos de Deus”, Darwin também o é. Não creio que Deus tenha criado Darwin para que este O “chateasse”!...”

Se o fizesse não teria sido um “desígnio” muito “inteligente” da Sua parte...
Já sei! Quem sou eu para interpretar os desígnios de Deus? Ninguém e Nada!

cmonteiro disse...

Caro Pinho Cardão,

Grato pelo esclarecimento. Aliás, a propósito desse esclarecimento lembro-me que no "Cérebro de Broca", Sagan passa o livro todo a rebater com factos científicos e de forma respeitosa a teoria mirabolante de Velikovsky sobre a criação do sistema solar. A lição é muito simples: A ciência deve ser discutida e os factos devem ser rebatidos, não devendo a ciência cair no erro de ignorar arrogantemente opiniões contrárias, tal como aconteceu durante séculos na Idade Média. Dentro deste espírito, acho da maior importância a sua chamada de atenção quanto ao respeito pelas opiniões diferentes.

A evolução do conhecimento talvez seja da forma como refere, e talvez eu não esteja à altura de passar esta discussão para um nível mais filosófico, mas está -me a parecer assim de repente que se nos encostamos à ideia de um "desígnio superior" talvez inibamos a vontade de conhecer, pesquisar, descobrir, enfim, de progredir cientificamente.

Pinho Cardão disse...

Caro Professor:
Aqui chegados, depois desta profícua discussão, estamos todos no ponto de partida.
No estado actual da ciência, o evolucionismo explica muita coisa. Explica tudo? Creio que não.
Explica a origem da vida? Como se deu o big bang? Poderosas discussões científicas se produzem sobre a matéria. As conclusões são as finais? Não poderá haver outras teorias de outros Darwins? Daqui a mil anos poderemos, os que estivermos vivos, saber alguma coisa mais.
Claro que uma coisa é a ciência, outra a filosofia e a religião. Cada qual deve fazer o seu caminho, sem se estorvarem ou impedirem e sem usarem, um e outro lado, argumentos terroristas.
Ainda hei-de discutir este assunto consigo de viva voz, numa próxima oportunidade.
E, já agora, se Deus existe, qual seria o Darwin que o poderia "chatear"?

Paulo disse...

Meus Caros,

1) A "máquina de calcular" não é contraditada. Einstein não contraditou Newton. Einstein tornou a "máquina de calcular" mais refinada. A teoria newtoniana funciona às mil maravilhas.

2) Só há contradição no sentido que lhe refere na espuma corrente da ciência. Como por exemplo no artigo sobre os genes, a alimentação e a prostata referido por Massana Cardoso. Dentro de um ano é possível que alguém contradite esse artigo. Agora lhe garanto que ninguém contradita a teoria newtoniana, antes ela é utilizada no seu domínio de validade (que é bem vasto...). Ou ninguém porá em causa a dupla hélice.

3) O obscurantismo está ligado a um método. Ora o método utilizado na criação da "máquina de calcular" não tem nada de obscurantismo. Agora o método e argumentação dos "desígnios inteligentes" têm muito de obscuro.

4) Argumentar que os limites da "maquina de calcular" são prova de um "desígnio inteligente" é completamente falacioso. Cabe aos defensores do "desígnio inteligente" ter uma boa máquina de calcular. Só nessa altura estarão ao mesmo nível da discussão.

5) Existe uma crença num certo progresso da humanidade que substitui(?) a crença em deus. Mas a história mostra que nem sempre isso é verdade. Por outro lado seria educativo pensar no que os dinossauros discutiam antes de levarem com um "bólide na tola".

Em suma o nosso futuro depende em muito das nossas decisões. A "máquina de calcular" não substitui a decisão individual. O "desígnio inteligente" não é uma "máquina de calcular". Pior é mais uma ilusão de alguém será responsável que não nós mesmos.

Por outro lado a religião tem sim muito a ver com as nossas decisões -- é aí que está o seu sumo. A religião não é uma "máquina de calcular" e nem quem a compreende em profundidade se deixa enredar na falácia dos "desígnios inteligentes".

Cumprimentos,
Paulo

JM Ferreira de Almeida disse...

Ora aqui está uma excelente conversa a que dá gosto assistir!