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domingo, 13 de março de 2011

Exemplos de uma crise europeia que é também uma crise de competência


O prolongamento deste ciclo de crise na Europa  fica também a dever-se ao acumular de políticas erradas da UE, algumas verdadeiras aberrações cujo preço é agora pago com juro alto . Nunca entendi as medidas comunitárias que obrigavam à calibragem de produtos agrícolas, estimulando práticas anti-ambientais e de chocante desperdício de alimentos sadios, rejeitados por força da lei. As tensões inflacionistas que já se fazem sentir, em parte derivadas da escassez de produção de bens alimentares,  começam agora a obrigar a inverter o absurdo.
Uma das mais medidas absurdas resulta da Política Comum das Pescas em vigor, que faz com que sejam devolvidas ao mar grandes quantidades do peixe capturado por se terem excedido as quotas, por os exemplares capturados não terem a dimensão mínima, mas também por se tratar de espécies de baixo consumo. Note-se que boa parte deste peixe é devolvido ao mar já morto. Só no Mar do Norte é rejeitado um milhão de toneladas de peixe em cada ano.
Ao que parece a UE irá revogar estas medidas na próxima 3ª feira. Vale mais tarde que nunca, é verdade. Mas exemplos destes depõem com um tremenda clareza sobre as causas de uma crise que sendo económica e financeira, também tem tudo a ver com a incompetência das lideranças políticas e técnicas europeias.

3 comentários:

Suzana Toscano disse...

Tudo sustentado na arrogância de que mais valia sustentar os que não conseguiam alinhar pelos padrões mais elevados do que deixá-los continuar no mercado.Assim se desperdiçou muito, como diz, assim se anulou também muta capacidade produtiva, para além dos milhões e milhões de investimentos para se conseguir entrar no selecto clube dos mais altos standards. Agora, olham para os que asfixiaram e perguntam: porque não respiras?

José Maria Brandão de Brito disse...

Caro dr Ferreira de Almeida,
Análise certeira a sua quanto à obtusidade das políticas que refere bem como ao papel da crise na sua eventual suspenção. A este propósito, acho mesmo que o efeito mais positivo desta crise foi mostrar (ou ir mostrando) a presenção excessiva do estado na economia, mas não só.

José Domingos disse...

Mais de metade, do que é produzido, é deitado fora.
Isto, é criminoso. O planeta está nas últimas.