Número total de visualizações de página

quarta-feira, 30 de março de 2011

Síndrome de Junot


Estou farto. Não sei como hei de conseguir forças ou ânimo para aguentar as tormentas políticas e sociais deste país. Estamos em crise? Estivemos sempre, só que agora as coisas parecem que são mesmo a doer e vão ser piores. Quando as coisas não correm bem, tem de haver responsáveis, e atribuir responsabilidades é muito fácil, tão fácil como urinar, desde que não se sofra de qualquer obstrução ou infeção. É o que está acontecer neste momento. Na televisão, os políticos são tão previsíveis que enojam. Já os conheço de ginjeira, ainda não abriram a boca e pressinto o que irão dizer. São tão estereotipados que, quando conseguem dizer algo diferente do esperado, obrigam-me a ficar de orelhas especadas como se tivesse ouvido a mais puras das heresias. Mas é apenas uma questão temporária, porque logo a seguir retomam o fio condutor do seu pensamento, fiéis aos seus princípios doutrinários. Parecem mesmo pregadores evangelistas, só que não anunciam a boa nova, anunciam a tragédia criada pelos outros. Irrita-me o despudor sistemático como distribuem as culpas a torto e a direito. Ouço-os, observo-os, analiso as suas palavras e tenho de concluir que não são honestos. Querem dar a entender que são e convencerem-se a eles próprios da sua superioridade, isenção, e de que são indispensáveis à sobrevivência nacional. Mas serão mesmo indispensáveis? Tenho dúvidas. Não ouvi até ao momento nenhum governante, ou responsável político ligado ao governo que fosse capaz de dizer que também tem algumas culpas, algumas, nem que seja meia dúzia delas. Nada! Não são capazes de um simples gesto de humildade. Arrogância atrás de arrogância. É demais! E querem convencer-nos, pelo menos muitos de nós, que não têm só culpa, como ainda transmitem a ideia de que sem eles as coisas poderão piorar. Mas há quem acredite nesta fauna? Se não houvesse, não estariam com este palavreado. Se olharmos, também, para os comentadores e analistas, podemos verificar que não são mais do que pirómanos em intensa e louca atividade. São tão vistos, dizem quase sempre a mesma coisa, que chego a perguntar-me: por que razão não se calam, não ficam em casa, não vão à pesca ou à caça de gambozinos? Seria muito mais saudável para o país. Os jornais também não ficam atrás. Uma luta sentida está instalada entre nós, valendo tudo o que possa ajudar a atribuir as responsabilidades a grupos e pessoas. Constroem-se factos e destroem-se vontades. Vivemos num país pobre. Pobre é o menos, o pior é comportarmo-nos como se fôssemos ricos.
Ia a pensar nestas coisas da vida política e económica do país, quando entrei nos claustros da Câmara Municipal de Pombal, onde decorre uma interessante exposição sobre os duzentos anos das invasões francesas. Por estas bandas as coisas, também, não foram pera doce. Bem documentada, proporcionou-me informações interessantes sobre aquele período, um dos mais trágicos, e cujas consequências se prolongaram durante muitas décadas, vitimando dez por cento da população. Não houve, decerto, outro povo por essa Europa que sofresse tamanhas agruras como os portugueses.
Estava quase a terminar a visita, quando me deparei com um painel que dizia o seguinte:
Napoleão estava cansado dos excessos, das extravagâncias e dos erros de Junot e, por isso, liquidou-o militarmente. Não obstante, em 20 de janeiro, nomeou-o governador de Veneza e, interinamente, das Províncias líricas. Mas quando Junot deu mostras públicas de loucura, aparecendo num baile com todas as condecorações, porém completamente nu, Napoleão decidiu exonerá-lo.
(TURRES VETERAS V, História Militar e da Guerra. Câmara Municipal de Torres Vedras, 2000, pg 64)
Excessos, extravagâncias e erros são o prato forte de alguns governantes deste país. A “Napoleona” Merckel irrita-se. Só espero que um dia destes não apareça nenhum dirigente nu com as respetivas condecorações ao peito! Mas Junot não devia estar totalmente louco, porque as condecorações que tivessem alfinetes não as iria pregar no peito, deve tê-las pendurado ao pescoço. Louco, mas não burro...

6 comentários:

Bmonteiro disse...

Há presentemente um problema.
Não há Napoleão nenhum à vista.
Vale, o nosso Junot em Bruxelas, um dos muitos que o Regime produziu.

Anónimo disse...

Não sabia que existiram províncias líricas. Se ainda existissem poderiam ser um começo de solução...

Caboclo disse...

"...Estou farto. Não sei como hei de conseguir forças ou ânimo para aguentar as tormentas políticas e sociais deste país...."

Senti isto qd jorge sampaio se tornou presidente pela primeira vez ..
Aí fiquei farto ..
Hoje sinto ódio !!

skeptikos disse...

Não sei que Síndrome será... se de Junot, ou outro qualquer mas, creio que padeço de RAIVITE de último grau, porque esta corja deprimente e repugnante fez de nós todos autênticos palhaços:

«Portugal teria a ganhar em tornar-se uma província do Brasil»
http://www.cartacapital.com.br/economia/ft-portugal-teria-a-ganhar-em-tornar-se-uma-provincia-do-brasil

Bartolomeu disse...

Existe uma norma nautica que dita a obrigatoriedade de todo o tripulante urinar a sotavento.
Ou seja, no bordo da embarcação, para onde sopra o vento, e nunca a barlavendo, pelo risco de mijar em cima de todos os restantes tripulantes, inclusivé o próprio.
Então quer dizer que o caríssimo Professor se achou em Turres Veteras e não se fez anunciar a este seu dilecto amigo...

Anthrax disse...

Deuses!
Tanta gente enraivecida que aqui vai.

Meus queridos, não se irritem. Pensem nas consequências que isso pode ter para a vossa saúde e depois pensem no SNS que têm. Vão ver que começam logo a ter outra perspectiva.

Pensem de outra forma. Sejam um pouco egoístas, digam para vocês mesmos "O mundo inteiro pode ir pelo cano, mas eu não vou". É o que eu faço.

Hakuna Matata!

Isto só a morte é que não se pode resolver, para tudo o resto há o Ebay.