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sábado, 8 de junho de 2013

A arte de perder tempo

Verdadeiramente enternecedoras as declarações que se vão fazendo após a reuniões promovidas pelo Partido Socialista com os outros partidos políticos. 
O diálogo entre os partidos políticos não pode ser pré-eleitoral ou pós-eleitoral, refere pomposamente Seguro, naturalmente muito seguro de si e do profundo impacto da mensagem. 
E acentua: "partimos para estas reuniões sem ter preocupações quanto às suas conclusões".
Um diálogo assim perdido no tempo, nem pré, nem pós, nem carne, nem peixe, nem conclusão.
O supersumo da arte de perder tempo!...
Nota: Seguro também acentuou a sua convicção que "os portugueses apreciarão que os partidos...sejam capazes de...combater o desemprego".  
Fácil: mais uns boys pagos pelo OE e o assunto fica seguramente arrumado. 

6 comentários:

Rui Fonseca disse...

Caro António,

Seguro só precisa de fazer de morto, seguindo a clarividente sugestão do professor Marcelo.

Qual é a pressa?, mais do que a marca de uma imagem é uma filosofia condensada.

Manuel Silva disse...

Dr. Pinho Cardão:
O senhor, e a esmagadora maioria dos seus posts, estão muito bem retratados neste texto de Henrique Raposo, e duplamente, tanto do ponto de vista político como desportivo:
«FC Porto, a primeira sucursal do Benfica», por Henrique Raposo, Expresso online, 8:00 Sexta feira, 31 de maio de 2013
«O fenómeno já me irritou, mas agora acho piada à coisa: os portistas não comemoram a vitória do FC Porto, comemoram a derrota do Benfica. E há aqui uma diferença. O FC Porto é uma irrelevância na minha relação com o Benfica. Eu comemoro as vitórias do Benfica, eu sinto alegria pelo Benfica, ponto final. Os portistas, porém, não têm esta relação com o FC Porto. Para se sentirem portistas, eles têm de odiar uma coisa exterior ao clube, o Benfica, Lisboa, os magrebinos, os mouros, etc. Ou seja, a agremiação nortenha não é auto-suficiente, não é grande o suficiente, precisa do meu Benfica. Naturalmente, eu só podia achar piada a este fenómeno que deveria interessar aos departamentos de antropologia. Porquê? Porque confirma a superioridade do Benfica. Para existir como adepto, o portista precisa do Benfica. O benfiquista só precisa do Benfica.
No dia-a-dia, eu não acompanho os jogos do FC Porto. Nem sei quando joga. Ao invés, cada portista é um especialista do Benfica. Sabem sempre quem está lesionado, quem é o árbitro do jogo do Glorioso e vêem os jogos do Benfica com mais intensidade do que os jogos do FC Porto. Naqueles corações em perpétua vingança, a derrota do Benfica é mais saborosa do que a vitória do FC Porto. Até apetece dizer que cada portista é um benfiquista em potência. É como se cada portista tivesse à espera do momento certo para fazer o seu coming out futebolístico, é pá, afinal eu sou benfiquista, ó paizinho, importa-se de passar o sal a um mouro? O portista é uma dependência emotiva do Glorioso.
E esta dependência chega a ser cómica. Estamos a falar de um clube que domina há uma geração (25 anos) o futebol português. Apesar deste domínio do tamanho dos Clérigos, a agremiação em causa mantém a mentalidade de cerco, a mentalidade do Asterix que vai desafiar o centro romano. Isto é um pouco ridículo, repito, porque passados 25 anos o centro do futebol português está no Norte e no FC Porto, em particular. O centro já não é o Benfica, que ganhou 4 títulos nos últimos 23 anos. Ao longo deste tempo, o FC Porto devia ter desenvolvido uma cultura autónoma, uma cultura de clube grande, uma cultura de Império do Meio que não precisa do "outro" para saber quem é. Mas de forma um pouco estranha isso não aconteceu. Porquê? A visão pequenina de Pinto da Costa não o permite: depois de tantos êxitos internos, depois de 2 Ligas dos Campeões e 2 Ligas Europa, o líder da agremiação diz que a sua maior alegria foi "vencer um campeonato na Luz". Ora, esta incapacidade do FC Porto para criar uma cultura sem a variável Benfica dá-me um certo conforto. Só ficarei preocupado quando descobrir portistas a comemorar as vitórias do FC Porto e não as derrotas do Benfica.»

Pinho Cardão disse...

Pois não, caro Manuel Silva.
Por duas razões. Porque a transposição não é adequada, nem feliz. É absolutamente forçada.
E porque o texto que refere é o exemplo perfeito do complexo perante o triunfo alheio.
Complexos de culpa ou de outra etiologia não deixam ver a realidade; pior, fazem-na ver ao contrário.
Quanto ao caso referido, se há tanta vitória a comemorar, como é que passa pela cabeça de alguém perder tempo a comemorar derrotas dos outros?
Claro que, quando pouco ou nada há a festejar, pimenta na língua alheia é doçura na própria.
Também me parece que o meu amigo alinha nessa corrente. É consigo. Nada tenho a opôr.

Manuel Silva disse...

Pois sim, pois sim.
Faça lá um esforçosinho de autocrítica... mesmo que seja pequenino.
Vai ver que não custa muito.
Um pouco de humildade e de sentido de autocrítica fica bem a qualquer um.

Pinho Cardão disse...

Caro Manuel Silva:
Não tenho qualquer autocrítica a fazer nesta matéria. Paciência...
Noutras, talvez...é mesmo certo.
E quem não tem?

Tavares Moreira disse...

Qualificar essas declarações como enternecedoras soa a muito pouco, Pinho Cardão...eu atrevo-me a qualifica-las de profundamente comoventes, devo mesmo confessar (com alguma vergonha, é certo) que fiquei lavado em lágrimas quando as vi/li.
E não fui a única pessoa que teve tal reacção, conheço algumas que ficaram em estado quase cataléptico perante as mesmas declarações, por fazerem lembrar o melhor dos "Contos de Hofmann".