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domingo, 30 de junho de 2013

"Gritos"...


Não suporto gritaria. A gritaria parece ter sido eleita como desporto nacional. Quero tomar um café ou beber uma água fresca numa aprazível esplanada e acabo por ser agredido com vozearias cruzadas, disparadas entre as mesas. Conversas sem sentido, despropositadas, típicas das que praticam nas suas cozinhas ou às janelas com as vizinhas. Falam alto, muito alto, dizem barbaridades, sendo mesmos inconvenientes. São horríveis, porque de repente conseguem agudizar os sons a ponto de ferirem os tímpanos quando se põem a chamar ou a corrigir os filhos, os quais, por sua vez, revelam que são ótimos mestres na arte da gritaria. 
Entra-se no espaço da restauração e é mesma coisa. Toda a gente fala ao mesmo tempo e para se poderem ouvir têm que gritar. Mas gritam mesmo. Claro que neste último caso, atendendo à hora, não se pode por de parte os efeitos das cervejas. 
Toda a gente grita, nas manifestações profissionais promovidas pelos mesmos de sempre gritam alto e em bom som para impedirem que os responsáveis possam falar. Uma técnica recorrente e que contribui para a divulgação deste desporto. Trata-se da gritaria das manifestações que tanto ocorre aquando da visita de um governante ou, até, nas galerias do Parlamento. Gritar está na ordem do dia. Os gritos incomodam, e muito, pelo ruído, pelo conteúdo, pela falta dele e pela imbecilidade inerente. 
Gritar nem sempre é negativo, também tem o seu lado bom, gritar para avisar de um perigo, gritar de satisfação num acontecimento desportivo, para não falar de gritarias mais íntimas, que não vêm para o caso. 
Seria muito bom que as pessoas conseguissem controlar os seus gritos inoportunos, pelo menos em determinados espaços públicos. 
Cada vez aprecio mais o silêncio, não o silêncio das ideias e dos pensamentos, porque estes são, infelizmente, num número apreciável de pessoas sinal de mudez intelectual, mas o silêncio que permite pensar, apreciar e amar.

6 comentários:

Bartolomeu disse...

Charles Darwin explica essas manifestações a partir da sua teoria da evolução das espécies, a partir de uma espécie comum.
Eu não tenho qualquer dúvida, descendemos do macaco. E apesar de algumas caracteristicas se terem alterado, outras mantiveram-se. A comunicação através do grito, é uma delas.
Convido-o a fazer uma experiência, Sr. Professor; coloque o som do televisor um pouco mais alto, quando estiverem a transmitir um programa onde se achem várias pessoas a falar em simultâneo. Depois, mude de divisão da casa e escute somente o som que lhe chega do televisor, sem ligar àquilo que estão a dizer.
Vai ver se o ruído não se assemelha incrivelmente àquele dos documentários sobre a natureza, flimados no meio da floresta em que se ouvem simultâneamente o piar de várias aves, o grito dos macacos, os rugidos dos felinos, etc.

Salvador Massano Cardoso disse...

Boa. Obrigado pela sugestão.

João Pais disse...

Por outro lado, quando uma pessoa (ou uma multidão) constantemente não é ouvida e vê a sua situação a piorar e sem esperança, nada lhe resta mais do que gritar, por desespero - até passarem a outros graus de reacção, felizmente ainda não é o caso.
Tal como disse, gritar serve para avisar de um perigo - ou talvez seja uma gritaria pública íntima, já que muita gente sente no corpo que está a ser "inseminada" sem a sua autorização por poderes que não compreendem.

De certeza que tanta gente preferiria um outro desporto mais adequado para eles próprios, gritar até nem é assim tão saudável. O que é que prefere, que toda a gente se cale e deixe andar?

Ou então pode-se pôr a pergunta de outro modo: porque é que gritam tantos ao mesmo tempo? O que é que se pode mudar para que estes gritos parem?

Bartolomeu disse...

Tenho uma notícia para lhe comunicar, Sr. Professor.
Veja o Sr. que por uma incrível coincidÊncia, encontrei o livro de 'Almanach Perpetuum' (de Abraão Zacuto).
Lembrei-me logo do seu post do dia 26 de Fevereiro "Travessa da Tipografia", e imediatamente me "enfronhei" no dito. Mas o livro não me dá a chave que procurávamos...

Salvador Massano Cardoso disse...

Visto bem as coisas é melhor assim!Se conhecêssemos todos os mistérios perdíamos o prazer de os poder saborear e imaginar. Veja a satisfação que sentiu em encontrar o livro, não foi por causa do mesmo, mas pelo que "esconde" e que irá continuar a esconder e o Bartolomeu a procurar...

Bartolomeu disse...

À pois vou...
E sei que quando menos esperar, vou dar de caras com algo que me vai desvendar este mistério e muito provávelmente me irá colocar a persaguir outro, irmão daquele.
É sempre assim...