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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Ensinamentos do tempo atual

Vivemos os tempos mais conturbados de que tenho memória. As convulsões são muitas e por razões por vezes diametralmente opostas. Umas devem-se à incapacidade de regeneração dos sistemas, à paralisação dos órgãos, à desorientação e à ausência de soluções para enfrentar os problemas. Está nesse estado parte do Velho Mundo. E nunca como hoje esta designação é denotativa: velho, o mundo desenvolvido está velho e apresenta sinais claros de se lhe terem esgotado as energias vitais. Definha a olhos vistos, na economia, nos valores prevalecentes, na demografia...
No outro mundo, seja na américa central ou do sul, em áfrica ou na ásia, florescem as economias mas desassossegam-se as sociedades. São as dores de crescimento provocadas por um desenvolvimento que, quase por intuição coletiva, se sabe não ser sustentável. O que se passa no Brasil é disso exemplo.
No meio da agitação que todo o mundo vive, há muita coisa dita e escrita que nos desperta para realidades que, mesmo à nossa frente, tendem a não ser vistas e percebidas. Um dos slogans gritados nas ruas das principais cidades do Brasil é este: "País rico não é o país em que o pobre compra carro mas um país em que o rico anda de transportes públicos".  Eis uma grande verdade que os países que no velho mundo continuam ricos, há muito perceberam. Também por ela se afere a pobreza dos países que, no mesmo lado do mundo, continuam pobres.

5 comentários:

Zuricher disse...

Muito interessante este post que nos oferece, caro Ferreira de Almeida. Muito interessante. Há, porém, umas quantas joias em bruto por aí onde pode viver-se tranquilamente e sem problemas. Onde pode sair-se da sufocante burocracia Europeia, onde pode viver-se com uma liberdade muito maior que na Europa, onde há qualidade de vida, onde ainda se prezam valores antigos, onde não há escândalos dia sim e dia também, onde há governos razoavelmente capazes e onde pode ter-se esperança num futuro bonito.

Há muito mundo por aí, meu caro. Muito mundo. :)

Bartolomeu disse...

O exemplo do uso do automóvel é paradigmático de uma inconsciência mais ou menos global, a qual atribui ao uso do veículo uma etiqueta que afere e confere um estatuto de supremacia ao seu utilizador. Sobretudo se a marca e modelo do semovente, se fizerem pagar caro.
Tenho ouvido afirmar a muita gente bem informada e colocada, que o uso de um carro topo de gama, tem a ver directamente com a dignidade do cargo que ocupa.
Deduzo com facilidade que a mesma pessoa perderia toda a dignidade que naturalmente possui, se em lugar de um carro caro, lhe colocassem à disposição um carro mais modesto e económico.

JM Ferreira de Almeida disse...

Meu caro Bartolomeu, olhe que conheço quem julga exatamente o que escreveu no ultimo parágrafo.

Stunning inspiration disse...

E que dizer sobre o ridículo de ter o ano do carro na matricula ?Bem visivel, para chamar bem a atenção ?
coisas de regime socialista escroto.
No dia em que a democracia direta for implantada será o fim dos partidos escrotos que dominam a nossa pseudo democracia. ps=psd=cds=pcp=be=lixo altamente tóxico

Suzana Toscano disse...

Caro Zuricher, bem que pode trazer aqui mais notícias dessas jóias ocultas que há por esse mundo fora! Isso também terá a ver com o espírito que levamos quando saímos de cá, pelo que tenho visto pelas pessoas que conheço que mudaram de país, não levam tão a peito os defeitos e as falhas, consideram que não são "deles" e limitam-se a ver sem fazer juízos de valor. Também acontece tornarem-se mais tolerantes e darem mais valor ao que há por cá do que ao que não há.
Caro Bartolomeu, uma pessoa que acha que é o automóvel que lhe dá estatuto não devia ter cargos importantes, embora eu considere que certos cargos devem ter certo estatuto. Mas em caso algum são determinantes, são um símbolo, e não a essência.
Caro Zé Mário, esse slogan é muito exigente e significa uma enorme ambição em relação ã qualidade do estado social,que é os esses manifestantes reclamam aos políticos, saúde, educação, protecção social, transportes públicos para todos e de qualidade. Um sonho, também fugidio em muitos países que já se consideravam mais desenvolvidos. A Grécia, por exemplo, já desceu na escala, já foi desclassificada para país "em desenvolvimento"...