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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Comandante Gordon e os objectivos da 31st TFW


Voltemos então ao coronel Gordon. De repente, apesar de parecer que tudo estava a correr conforme previsto, e as equipas estarem empenhadas em recuperar os atrasos nos objectivos, teve a clara noção de que algo estava a correr mal. Os aviões não estavam a ter a manutenção devida por causa da pressão do número de voos que tinham que realizar. Decidiu suspender os voos todos enquanto não estivesse feita uma revisão completa aos aviões. Depois, pensou no efeito que teria falhar o compromisso, o qual tinha sido assumido publicamente, com grande divulgação mediática, como forma de fazer sentir a todos a importância da sua missão. O comandante geral não ia gostar, pensou Gordon, mas pegou no telefone e disse-lhe o que se passava e que teria que rever os objectivos, não podia assegurar bons resultados nem iria pactuar com falhas de segurança ou com treinos medíocres. O chefe garantiu-lhe todo o apoio e na reunião com todos os comandantes justificou a decisão de revisão dos objectivos:"Os objectivos foram baseados num conjunto de pressupostos. Se esses falham, espera-se que os chefes actuem, mesmo que tal implique a redução das metas previstas" disse ele. 
Gordon sentiu-se muito apoiado com esta decisão mas receava a reacção dos pilotos, que podiam pensar que o seu comandante não mantinha o rumo com firmeza. Mas, quando lhes explicou o que fizera, porquê, e quais eram agora os objectivos para recuperação, todos lhe contaram as grandes dificuldades que tinham sentido, os riscos que estavam a correr e o mal estar que se tinha instalado nas equipas. As novas metas trariam um novo fôlego ao 31st TFW e a confiança no seu comandante reforçou-se, porque ele tinha sabido corrigir as suas decisões ao dar atenção não só às metas fixadas mas também à segurança e saúde dos pilotos e à finalidade de cada sortie". A partir daí, todo o grupo melhorou o desempenho, mas este passou a considerar outros factores, e não apenas as sorties, de modo a evitar o fenómeno da "distorção" da missão essencial, que tantas vezes não vem reflectida nos números, antes implica um conhecimento profundo da realidade e da dinâmica das circunstâncias que não foram consideradas na avaliação inicial que ditou as metas a atingir. Gordon sabia que os objectivos têm que ter três características: ser mensuráveis, de modo a que todos saibam avaliar se estão bem ou mal;ser objectivos, de modo a que todos saibam o que conta;ser razoáveis, para que cada um acredite que os pode cumprir. E que um programa bem feito permite avaliar com antecedência o que está a correr bem ou mal, para que se possa agir a tempo e manter toda a equipa motivada para melhorar o seu desempenho.



7 comentários:

Bartolomeu disse...

«O chefe garantiu-lhe todo o apoio e na reunião com todos os comandantes justificou a decisão de revisão dos objectivos:"Os objectivos foram baseados num conjunto de pressupostos.»
«Gordon sabia que os objectivos têm que ter três características: ser mensuráveis, de modo a que todos saibam avaliar se estão bem ou mal;ser objectivos, de modo a que todos saibam o que conta;ser razoáveis, para que cada um acredite que os pode cumprir.»
Confesso: é demasiada areia para a minha caminéta!

Suzana Toscano disse...

Não sei porquê, caro Bartolomeu, na verdade são regras de bom senso e nada mais, por muito "teorizadas" que sejam.

Bartolomeu disse...

São, efectivamente, regras de bom senso, mas que foram tardiamente compreendidas.
É que os danos dos aviões já são avultadíssimos e coloca-se a dúvida se compensa mais repara-los, continuando a ser aviões velhos, com demasiado uso, asas frouxas e instáveis, motor a falhar constantemente, ou substituí-los por outros modelos.
Económicamente, talvez se justificasse substituílos... o problema é que os modelos disponíveis no mercado, não apresentam garantias de maior estabilidade, menor consumo e maior autonomia de voo.
Penso que a decisão mais acertada, tinha sido troca-los por modelos anfíbios e esquecer as manutenções.

jotaC disse...

Ora está visto que o n/com.te Gordon passou dias difíceis, carregado de dúvidas, de apreensões, mas o bom senso prevaleceu, e aquilo que era um grande dilema (mudar de rumo alterando o plano antes louvado pelos seus superiores ou continuar, sabendo que o desastre podia acontecer a todo o momento), passou a ser apenas um problema que algumas premissas éticas ajudaram a resolver.
É bem verdade que encontramos sempre a resposta que queremos ouvir, assim saibamos interrogarmo-nos corretamente!?. O Com.te Gordon soube-o fazer muito bem…

Bem…vou parar por aqui, tenho aqui um voz a dizer-me que há uma certa analogia desta estória com outra estória assim: era uma vez um Vitor Gspar...
;)

Maria Margarida disse...

Suzana
Projectos, planos ou medidas que não envolvam e mobilizem as pessoas estão devotados ao fracasso. Definir objectivos sem cuidar de saber quais são e o seu grau de exequibilidade, de medir as suas consequências é um erro. Não saber comunicar e tratar de obter a adesão daqueles que são envolvidos e afectados é outro erro. Com efeito, por alguma razão a liderança faz a diferença. Sem ela não há confiança. E sem confiança as dificuldades aumentam, os erros sucedem-se, pode ser o desastre.

Suzana Toscano disse...

Pois sim, caro Bartolomeu, mas se os aviões já têm alguns problemas o melhor é não os agravar com exigências que não podem dar bons resultados, ainda que assim de repente até corria tudo lindamente, o pior era a ameaça latente que ia crescendo.
Cato jotac, devo dizer que este caso é verídico, a acordo sobre os objectivos iniciais deu direito a reportagens nos jornais e o comandante Gordon deu uma grande contribuição para que Harvard escrevesse o caso para ser estudado. É natural que haja analogias, as situações podem ter contextos totalmente diversos mas no fundo os métodos e as consequências não variam muito. Esperemos que, à semelhança do TWF, o "caso" de que fala também fique para a história como um caso bem sucedido. Esperemos.
Excelente resumo, caro Margarida,mesmo parecendo simples é bastante difícil exercer essa liderança com competência, imagine agora o que sucede nos casos em que em as teses mais simples são conhecidas dos protagonistas, ou falta-lhes a experiência do comandante Gordon.

Manuel Silva disse...

Nota prévia: Como o meu comentário, educado, cordato, posto em termos sérios foi censurado pelo Dr. Tavares Moreira (pela 2.ª vez, já o tinha feito há dias), deixo ao vosso conhecimento esse facto. O comentário propriamente dito não o guardei, mas sou capaz de o reconstituir. Mas porque não o Dr. Tavares Moreira repô-lo, para que possam aquilatar da verdade do que digo?
Aqui vos deixo o desafio, de um social-democrata (verdadeiro) para outros sociais-democratas, igualmente amantes da liberdade.
E aqui vos deixo o link do vídeo de 3:58 de que o Dr. Tavares Moreira não gostou:
http://www.youtube.com/watch?v=RFEf9_swh3s
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Sr. Dr. Tavares Moreira:
O execrável acto de censura que o senhor acabou de fazer com o meu comentário é bem revelador dos tempos que vivemos.
Tanto mais que é perfeitamente injustificado, na medida em que, quer os termos formais do comentário, quer o conteúdo não o justificam.
Trata-se, portanto, de um acto da mais pura e dura censura.
Motivada apenas pelo facto de o senhor não suportar o contraditório, um contraditório que, de forma eloquente, põe a nu as historietas dos juros amigáveis que os mercados nos cobram.
O Dr. Moreira Rato já tinha ficado embatucado com as perguntas de José Gomes Ferreira, mas, ou por impossibilidade real ou por uma razão de ética, aguentou o incómodo.
O senhor não, não o suportou: logo, censurou.
Se o que prefere é tem um público fiel que se limita a aplaudir o que diz, que fique com esse público e que seja muito feliz.
Mas não me venha com a treta da social-democracia, clamando-se daquilo que não é.
Passe muito bem.
Conseguiu o que queria.