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terça-feira, 25 de junho de 2013

Contas externas: melhoria acentua-se em Abril, silêncio profundo...

1. Foi hoje divulgada (Boletim Estatístico do BdeP, Junho) a informação relativa ao desempenho das contas externas no período até Abril, verificando-se que se acentuaram as melhorias já registadas no final do 1º trimestre.
2. Assim, o sinal VERDE estende-se agora a todas as componentes mais relevantes da balança de pagamentos, a saber (valores indicados são do respectivo saldo):
- Balança Corrente = + € 162 milhões (era negativo de € 22 milhões, no 1º trim);
- Balança de Bens+Serviços = + € 432 milhões;
- Balança Corrente+Capital = + € 868 milhões;
3. Estes dados, do período habitualmente mais negativo das contas com o exterior (início do ano), mostram de forma clara que a “Revolução Silenciosa” na economia nacional, fruto do extraordinário trabalho de empresários e trabalhadores de um sem número de empresas do sector privado, prossegue o seu curso sem que os seus agentes se deixem impressionar pelo discurso de “bota-abaixo” que os media e a generalidade dos comentadores yo/yo diária e incansavelmente proclamam...
4. De especial interesse, nestes números, a recuperação do ritmo das exportações de mercadorias, que até Março estavam a crescer apenas 0,5% e que no final de Abril exibem uma taxa de crescimento de 4%, resultante de uma forte expansão (superior a 17%) nesse último mês.
5. Ao apreciar estes resultados, e dando já de barato que vão continuar a merecer o estatuto de profundo silêncio no plano da atenção dos media, intriga-me particularmente uma proclamação dos altos representantes da classe empresarial ontem divulgada.
6. Proclamaram S. Exas estarem contra a “insistência numa receita que não é solução”...
7....eu até compreendo que S. Exas sintam necessidade de surfar na onda de críticas que por aí vai, para evitarem ser rotulados de seguidistas da política governamental: está na moda e ficam mais "janotas" (socialmente falando) assim...não tem nada de mal, na minha opinião...
8. Mas esta realidade das contas externas nada lhes diz? Não tem para eles qualquer significado o extraordinário esforço que tantos e tantos dos seus representados estão realizando? E não consideram que a solução dos problemas do País, depois do formidável embaraço e do aperto sofrido com a sujeição a um resgate financeiro, passa exactamente pela correcção dos enormes desequilíbrios económicos, entre rendimento e despesa, que acumulamos ao longo de anos e que nos endividou até ao limite?
9. Ou entenderão, ao invés, que a solução para os problemas que enfrentamos consiste em voltar às políticas que nos arrastaram para a situação actual: mais despesa pública para “aquecer” a economia, mais impostos ou mais endividamento (como, em ambos os casos?), retorno dos desequilíbrios e, finalmente, nova queda num “buraco sem saída”?
10. Se não é uma coisa nem outra, então tal proclamação é um realíssimo mistério...

13 comentários:

Bmonteiro disse...

Haja Deus.
Ou Tavares Moreira.
Os dados de Abril que aqui nos apresenta, não destoariam num Prós e Contras da RTP (pois, serviço público) ou numa meia hora da SIC ou TVI.
Se houver continuidade, talvez que a minha baixa de rendimentos da CGAp, possa acabar por se justificar.
Diz-me a minha costela de masoquista, talvez «de olhos bem abertos» conforme Adriano no final das suas memórias, in "Memórias de Adriano" (MargueriteY)
Bons sinais, aqui trazidos pelo dr Tavares Moreira.

Floribundus disse...

a ditadura do politicamente correcto não permite divulgar o que não convém que se saiba

os representantes do patronato agacham-se exibindo as nalgas com ostentação

o ps-bes pensa no regresso ao passado e em 'mon ami hollande'

a esquerda festiva desfila na avenida com os profissionais das passeatas ... na maior manifestação de sempre

ontem a banca caiu novamente da cadeira
mais mês menos dia o Bcp oferece as acções a quem pague a reforma do Eng Jardim

Tiro ao Alvo disse...

Não haverá quem, no governo, divulgue as boas notícias?

António Barreto disse...

Nem todos choram, acusam e exigem benesses para si. São aqueles, como sempre foram, que salvarão Portugal, mais uma vez.

Tavares Moreira disse...

Bmonteiro,

Bem lembrado, o Prós e Contras...mas esse programa, de que já quase não me recordo, alguma vez tratou outros assuntos para além dos que sobram da espuma político-social?

Caro Floribundus,

Bem crismada, essa ditadura do politicamente correcto...ou em linguagem do mesmo léxico, da imbecilidade ofuscante...

Caro Tiro ao Alvo,

Não sei, rigorosamente nada, do que se passa no governo...mas creio que caso tentassem abordar este tema seriam imediatamente apodados de ultraliberais: pois só pensam nos equilíbrios económicos, esquecem a dimensão social dos problemas...

Caro António Barreto,

Sem dúvida uma excelente síntese, a do seu comentário...e é que estão salvando, mesmo, de outro modo já estaríamos "encostados à BOX", em gritaria indescritível...

Suzana Toscano disse...

Caro Tavares Moreira, temos que nos alegrar com as boas notícias, sem dúvida, mas também temos que entender a prudência das reacções, é que gato escaldado de água fria tem medo e será melhor não aderir assim de ânimo leve ao controlo trimestral, sejam alegrias abertas sejam tristezas profundas. Na verdade, creio que os portugueses já desconfiam de tudo...

Diogo disse...

«Mas esta realidade das contas externas nada lhes diz?»


Caro Tavares, uma economia onde existe um milhão de desempregados (num total de dez milhões de habitantes) nada lhe diz?

Donde virão os empregos, caro economista? Quanto a automação está em evolução exponencial? Você faz alguma ideia do que está a dizer?

Toninho disse...

a automação não é a causa do desemprego, é a causa do progresso:

- Foi a automação que libertou pessoas do trabalho agrícola extremamamente duro e intensivo para outras actividades
- Foi a automação que libertou pessoas da produção manual e artesanal para produção industrial massificada que retirou milhões da miséria.
- Foi a automação que libertou pessoas das áreas de produção de materiais para as áreas cientificas e humanas que permitiu o progresso intelectual da especie humana.

É certo que numa fase de transição existirá sempre algum desemprego, mas não quer dizer que a solução seja queimar os tractores para empregarmos as pessoas no campo.

Os empregos regressarão, como sempre regressaram, após o inicio do crescimento económico.

Tavares Moreira disse...

Cara Suzana,

Confesso alguma dificuldade em interpretar a sua sugestão - sempre bem vinda, de resto - no sentido de "não aderir de ânimo leve ao controlo trimestral"...
Talvez não me tenha explicado bem, mas aqui não existe qq controlo, trata-se do resultado, histórico, estatístico, dod esempenho das contas externas relativas ao período entre Janeiro e Abril do corrente ano...
Quando estamos defrontados com uma Balança Corrente positiva, nos primeiros 4 meses do ano que são habitualmente os mais desequilibrados nesta componente das contas nacionais, quando essa Balança Corrente em 2010 exibiu um défice de € 18,3 mil milhões e em 2011 de € 12 mil milhões, isso não significa nada, acha não se podem tirar conclusões?
E também não se podem tirar conclusões sobre quem são os primeiros responsáveis por esta mudança fundamental no padrão de comportamento da economia?

Caro Toninho,

Uma boa observação, certamente, que para além do mais revela serenidade, inteligência e bom senso...características ausentes do comentário que a suscitou, mas sem surpresa diga-se de passagem...

CCz disse...

E uma sugestão, esteja atento aos números do desemprego no Algarve no próximo relatório mensal do IEFP.
.
Provavelmente em Junho de 2013 haverá menos desemprego que em Junho de 2012.
.

Tavares Moreira disse...

Caro CCz,

Agradeço e registo a sugestão, mas relativamente a esse tipo de flutuações estatísticas, em sede de emprego e de desemprego, sou bastante mais céptico, relativamente ao futuro próximo pelo menos.

CCz disse...

Bom dia,

"mas relativamente a esse tipo de flutuações estatísticas, em sede de emprego e de desemprego, sou bastante mais céptico"

Sim, também o sou, por isso não embandeiro em arco com a descida mensal do desemprego nos últimos 4 meses; contudo, o que sugiro é a atenção para a comparação homóloga, muito menos sujeita a essas flutuações.

Obrigado

Tavares Moreira disse...

Tem razão, caro CCz, uma variação homóloga tem mais significado que a variação em cadeia, neste caso, mas "quand même"...
Em qq caso são sinais positivos, certamente.