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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Aprendermos com os nossos próprios "study cases"...


Para ler o artigo de opinião de Mário Crespo no Jornal de Notícias que começa assim: “Um líder europeu disse-me que no passado a justiça em Portugal tinha a fama de ser lenta mas séria e que agora continua lenta, mas perdeu a imagem de seriedade. (…)
E eu diria mais. Se juntarmos à injustiça da nossa justiça as manifestações de falta de honorabilidade e Ética do Estado, não custa a perceber que esteja ferida de morte a confiança dos cidadãos nos poderes democráticos e que a recuperação do País se afigure uma obra cada vez mais difícil, mas também cada vez mais necessária e com sentido de urgência.

8 comentários:

Bartolomeu disse...

Cara Dr. Margarida, tambem necessária e urgente, é a "prometida" 4ª República... "longe da anarquia mansa que nos tolhe"!
Lembro-me de uma frase da consagrada actriz de revista Ivone Silva, que andou durante muito tempo na voz popular, e era dirigida ao chefe do 1º governo provisório, Adelino da Palma Carlos... «Isto já lá não vai com palmas, Carlos» !!!

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Bartolomeu
É sempre bom recordar. Passados tantos anos, o que diria Ivone Silva?

Tonibler disse...

O estado não tem falta de honorabilidade ou de ética. Essa falta é das pessoas que "lá" andam.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Tonibler
Obrigada pela precisão. O Estado não é, evidentemente, uma entidade abstrata. Ainda há quem faça a este respeito algumas confusões. Às vezes parece que dá jeito. Mas não há que enganar.

jotaC disse...

Cara Dra. Margarida Aguiar:
Esta forma de exercício do poder a que temos assistido tem tido, por vezes, momentos pouco éticos que nos envergonham e imobilizam. Está nas nossas mãos fazermos o contraponto pela diferença

Manuel Brás disse...

Há gente poderosa
a movimentar-se impunemente,
esta atitude indecorosa
é sinal de um regime demente!

A culpa morre solteira
na justiça nacional,
esta atitude fiteira
é profundamente irracional.

É muita fantochada
desta gente tão imaculada,
com a justiça murchada
a democracia fica debelada.

Vivendo fechada
em condomínios blindados,
esta justiça linchada
deixa os mexilhões malfadados!

joao disse...

Cara Margarida Aguiar

O aparelho de justiça perdeu a eficácia, o que assistimos neste momento é apenas a manifestações dessa perca de eficácia; as metáteses de um quadro cancerígeno em fase adiantada.
Como disse António Barreto na TVI, a única instituição que pode alterar esse estado de coisas, a Assembleia, assobia para o lado e demite-se da sua função.
Há cerca de 83 anos, um pronunciamento militar vitorioso, punha fim a um regime democrático que tinha esgotado as soluções e, o que é mais importante, a boa vontade da maioria dos que se propunha representar.
Há 38 anos, como disse Jaime Nogueira Pinto, o anterior regime passava pelo seu "annus horribilis", nessa altura 70 % da população não podia votar, hoje, vamos ver se este foi o "annus horribilis" do actual regime, o certo é que já alcançámos a mágica cifra dos 70% que não quer votar.
Em 1974 tinhamos um regime com um aparelho de justiça que granjeava respeito, temor, mas sem legitmidade, hoje esse mesmo aparelho, granjea temor e legitimidade, mas sem respeito.
Parafraseando o Mess. de Talleyrand numa das suas célebres tiradas a Napoleão:"Sire Com as baiontas pode-se fazer tudo, menos sentarmo-nos em cima delas", do mesmo modo, com o temor podemos fazer quase tudo, menos mantê-lo indefenidamente.
O que devia ser um caminho escolhido através de uma concretização de uma qualquer estratégia, é um devir sem um rumo que seja definido pelos nossos concidadãos.
Desde 1820 que não experimentamos uma crise semelhante. O processo educativo subsequente ao golpe de Abril, encarregou-se de apagar a memória e a capacidade intelectual de termos memória histórica, pelo que, temo, de uma maneira adaptada,iremos praticar os mesmos erros.
Talvez seja o momento de repensarmos e, admitir que pode não existir salvação para todos, mas apenas para alguns. Esta atitude tem servido aos povos do norte da europa.
Cumprimentos
João

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro jotaC
Quero acreditar que será possível recuperar a confiança nas instituições do Estado.
Caro joao
Excelente perspectiva histórica.
A confiança ganha-se ou perde-se em função da atitude. Com efeito, precisamos de trabalhar com rigor para objectivos muito claros, suportados em grandes linhas de orientação, estáveis, previsíveis, sustentáveis, com futuro. Precisamos de rever o conceito de civismo. Quando o civismo é uma virtude está assegurada a devoção ao colectivo, ao bem comum. Mas na base desta virtude, e de outras igualmente importantes, está a educação, que no nosso caso está a fazer muita falta...
Caro Manuel Brás
Tenho feito um esforço para escrever em verso, mas não é fácil. Admiro a sua veia poética, de pés bem assentes na terra, sem floreados e lirismos, mas apaixonada pelos problemas que nos assolam...