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sábado, 30 de maio de 2009

A política do chip!...

Os velhos socialistas desprezavam a tecnocracia e privilegiavam a política. Em nome da política, metiam o socialismo na gaveta, numa atitude do mais louvável bom senso. Perdia o socialismo, mas ganhava o país.
Os novos socialistas, que dominam o poder no governo e no Estado, descobriram na tecnocracia a forma mágica que lhes pode dar a imagem de modernidade, que o vazio da sua preparação e a vacuidade das ideias jamais poderiam suportar. Ao darem-lhe o estatuto de política, promovem activamente interesses muito particulares, em detrimento do interesse público.
Os mais recentes exemplos são o número único, já parcialmente materializado no cartão do cidadão e, agora, o chip nas matrículas. Criações tecnocráticas, justificam a necessidade com atraentes objectivos de pretenso conteúdo político, mas que são verdadeiras falácias. Como, por exemplo, a de determinar o número de veículos que circulam nas vias… Isto para não falar em meros objectivos comerciais, como o universalizar o pagamento das portagens!...
Toda a informação sobre a saúde, sobre as relações com o fisco e a segurança social podem fazer parte de uma gigantesca base de dados, dando à sua administração, aos governos e a todos os que a ela tenham acesso o poder de ilegitimamente intervir na vida de cada qual. Adicionalmente, o chip nas matrículas vai permitir o seguimento das viaturas e das pessoas, onde quer que estejam, e onde e aonde quer que vão. E não são as limitações de acesso que o irão impedir.
A tecnocracia socialista reinante não conhece nem princípios, nem valores, nem ética, nem mesmo a lei, na utilização das modernas tecnologias. Nem conhece, nem mede e, porque a ignorância é atrevida, nem sabe medir, as consequências do que promove.
A adopção do número único e do chip, pela enormidade de informação que podem acoplar, são potencialmente mais nocivos do que os arquivos da KGB, da Gestapo e da PIDE todos juntos.
Os direitos invioláveis da pessoa humana tornaram-se um mero joguete nas mãos da tecnocracia socialista vigente.
Começo a ter saudades dos velhos socialistas!...

8 comentários:

Manuel Brás disse...

I Parte

A opinião querem arrolhar
para manter a quietude vigente,
esta forma de embrulhar
revela uma atitude indigente.

Uma excrescência moral
de credibilidade tresmalhada,
tem um discurso gutural
e argumentação embrulhada.

De cheiro tão purificado
e imagem alardeada,
o mexilhão fica estacado
com tanta gente enlameada.

II Parte

A dimensão do movimento
e a dimensão da tranquilidade,
têm sofrido um inquinamento
por uma indigna imbecilidade.

Tanta gente irrecomendável
fazendo figuras patéticas,
esta cretinice infindável
de palavras diuréticas.

A política educativa
do (des)Governo socialista,
é miseravelmente elucidativa
de um pensamento simplista.

JM Ferreira de Almeida disse...

É muito importante este alerta, Pinho Cardão. A capacidade invasiva da privacidade que o Estado adquire com estes meios é assutadora. Mas assustadora ainda a quase indiferença social (já não falo da indiferença dos media porque essa está justificadamjá que esses não têm a privacidade como valor, e muito menos como direito).
A Dr.a Manuela Ferreira Leite dedica o seu espaço no Expresso desta semana ao chip das matrículas avisando para o perigo. Uma causa a eleger para o 4R.

(c) maioria silenciosa: P.A.S. disse...

Excelente a "ignorância é atrevida"! ... deste país que foi passado a uma espécie de jogo de monopólio ... sem fim à vista!

Anastacio disse...

No Admirável Mundo Novo as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas. A sociedade desse "futuro" não possui a ética religiosa e valores morais. Qualquer dúvida e insegurança dos cidadãos era dissipada com o consumo (da droga sem efeitos colaterais chamada "soma"). As crianças têm educação sexual desde os mais tenros anos da vida. O conceito de família também não existe.

Em 1984, o Estado é onipresente na Sociedade, com a capacidade de alterar a história e o idioma. controlava o pensamento dos cidadãos, entre muitos outros meios, pela manipulação da língua. Os especialistas do Ministério da Verdade criaram a Novilíngua.

Em Fahrenheit 451 o romance apresenta um futuro onde todos os livros são proibidos, opiniões próprias são consideradas anti-sociais e hedonistas, e o pensamento crítico é suprimido.

Na nivilíngua existe a palavra duplo-pensar, que corresponde a um conceito segundo no qual é possível o indivíduo conviver simultaneamente com duas crenças diametralmente opostas e aceitar a ambas. Os nomes dos Ministérios em 1984 são exemplos do duplo-pensar. O Ministério da Verdade, ao corrigir notícias, incorria na mentira. Porém, para o Partido, aquela era a verdade. Assim, o conceito de duplo-pensar é plausível a um cidadão da Oceania.

Outra palavra da Novilíngua era Teletela, nome dado a um dispositivo através do qual o Estado vigiava cada cidadão. A Teletela era semelhante a um televisor bidirecional que permitia ver e ser visto. O seu "Wallpaper" (quando não havia emissões) era a figura do líder máximo, o Grande Irmão.

Em The Matrix, os humanos – inconscientes da verdadeira realidade - vivem uma vida ilusória na Matriz, uma neuro-simulação da realidade injectada directamente no cérebro de modo a criar a percepção de realidade e normalidade. Os habitantes deste mundo gerado na mente, não se apercebem afinal que estão a viver a sua existência num tanque, aprisionados pelas Máquinas, servindo exclusivamente como fontes energéticas para alimentar as Máquinas. Neste mundo, o artificial toma completamente as características do real. A Máquina-tirano, ubíqua, invisível e controladora de mentes, representa o papel da tecnologia na nossas vidas.

Conseguem encontrar algum padrão familiar?

Pinho Cardão disse...

Caro Manuel Brás:
Olhe bem, que o seu número único corre o sério risco de incluir uma nota à margem referindo "autor de poesia anti-regime..."!...

Caro Ferreira de Almeida:

Acho muito bem:uma causa, e bem digna, para o 4R. Vamos a isso!...

Caro Maioria Silenciosa:
É verdade...sem fim à vista...

Caro Anastácio:
Admirável mundo actual...

Suzana Toscano disse...

Sobre o assunto tão oportunamente aqui agendado pelo Pinho Cardão, vale a pena ler o artigo de Miguel Esteves Cardoso no Público de 6ª feira, reproduzido em vários blogues: "Com que então vão-nos meter um chip nas matrículas dos carros. Vem no PÚBLICO de ontem. O PSD chamou-lhe um Big Brother rodoviário. Os autores do decreto-lei que não; que é só para cobrarem as portagens; controlarem o trânsito; lutarem contra o terrorismo e não sei que mais de bem-cheiroso e inocente.
Juram que jamais servirá para vigiar os cidadãos. Isso não. Só vai ter uma aplicação local, dizem. É estranho, porque há portagens em todo o país. E os chips, como sabemos das séries policiais, vão para toda a parte e fazem mipe-mipe-mipe no radar dos perseguidores.
Um cidadão vê logo – e com razão – a vida negra. Nunca mais poderá exceder os limites de velocidade. Nunca mais poderá ter uma amante local. E mesmo que consiga arranjar uma amante nacional, nunca mais poderá estar à vontade. Nunca mais poderá passear no carro de serviço. Ou cobrar quilómetros a mais. E quanto a ir despejar cadáveres às três da manhã, isso é que era doce.
É como as escutas telefónicas ou o cartão de cidadão. Ao princípio, ninguém chateia. Depois, há um crime horrível e abrem uma excepção. Vem uma crise económica – e começam a cobrar multas. A seguir, surge uma empresa perita em chips e divórcios, que descobre a tal amante em Ovar que custará milhões. Nunca mais acaba.
Já lá vão os tempos do ninho atrás da orelha: agora só descansam quando nos meterem um chip dentro da orelha, como fazem aos cães de raças perigosas. E ninguém morde? Acho que é tempo de começarmos a morder.
“O coiote com bip bip”, Miguel Esteves Cardoso no Público 29/05/09

Tonibler disse...

Eu não consigo entender no que é que isto é constitucional e para que é que pagamos a um presidente da república. De resto, plenamente de acordo.

Suzana Toscano disse...

Caro Tonibler e, se não for inconstitucional, já aceita?