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domingo, 10 de maio de 2009

Crise: velhas receitas para um mundo novo?

Na notável conferência do Prof. Adriano Moreira, a que assisti há dias no Instituto de Estudos Políticos da Universidade católica Portuguesa, foi possível confirmar com clareza como a reflexão inteligente e a cultura histórica são essenciais para podermos compreender a turbulência que estamos a viver e o provável fracasso a que estão votados os “remédios” que se receitam para a crise. Numa fascinante viagem pelo último século e as transformações que o mundo foi vivendo, o orador lembrou que, no fim da 1ª Guerra Mundial, os países que se sentavam na Sociedade das Nações, como comandantes do mundo, eram cerca de 30. Estes países controlavam uma parte importante dos territórios onde havia matérias primas, energia e mão de obra que podia produzir o que fosse necessário. Depois da 2ª Guerra Mundial a ONU, que sucedeu à falhada SN, tinha 51 países, como consequência da nova geografia política e territorial. Actualmente, são mais de 190 países soberanos internacionalmente reconhecidos, as fontes de poder mudaram de mãos e a preponderância política, cultural e económica da América e da Europa estão longe de continuar a ditar as regras. A este propósito, Adriano Moreira lembrou que os países que controlam hoje as matérias primas e dominam parte importante dos mercados financeiros e comerciais nunca ouviram falar nos nossos teóricos da economia e ignoram as suas teses salvadoras. Será, pois, essencial, que se olhe com muita atenção esta nova realidade pois, como lembrou, “não são as teorias que moldam os factos, mas estes que devem suscitar novas teorias”.
Esperemos que o Instituto dirigido pelo Prof. João Carlos Espada edite esta e as outras conferências do ciclo que organizou sobre a Crise Global e as suas possíveis soluções, para que seja possível ler e reler intervenções como a que aqui refiro.

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