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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Nunca é demais lembrar...

A edição da revista Economist de 30 de Abril publica um artigo sobre Portugal. Não traz nada que não saibamos sobre a nossa crise e os problemas que a explicam, mas não deixa de sublinhar a necessidade de Portugal fazer um conjunto de reformas que há muito estão diagnosticadas como inadiáveis e ilustra com a dura realidade dos números as consequências de não termos feito as mudanças que se impunham:

“(...) This year GDP is expected to contract by 3.5%, lifting unemployment to about 8.5%. These are hardly cheering figures, but the real problem is that they come after a decade of below-average growth. GDP per head has fallen from almost 80% of the EU average ten years ago to just 75% in 2008. (...)

To improve its performance, Portugal needs more flexible labour laws, less bureaucracy, a better educated workforce, more competition and a smaller state. As the IMF states in a recent report, the country’s fundamental problems are domestic, not global, in nature
. (...)”

Não admira, pois, que os portugueses estejam pessimistas. De acordo com um estudo da Eurobarometer citado pela Economist, 92% dos portugueses consideram a situação económica má, 95% estão preocupados com a perspectiva futura dos seus empregos e cerca de 50% não estão satisfeitos com a sua vida. Segundo o mesmo estudo, na União Europeia apenas a Hungria e a Bulgária apresentam um retrato tão depressivo.

E a questão de raíz mantém-se: como é que vamos resolver os problemas estruturais da nossa economia? A que acresce uma outra questão: como é que vamos unir esforços para o fazermos?

5 comentários:

joao disse...

Cara Margarida Aguiar

Respondendo de um modo sintético às suas perguntas:

a) Como resolver os problemas estruturais da nossa economia:
mudando as mentalidades, porque estruturalmente não existem descontinuidades sociológicas, isto é fracturas (re) estruturantes desde 1820. Repare que Eça continua actual e Balzac (seu contemporâneo) não.
Talvez seja bom começar por deixar de formular a pergunta que colocou e apresentar propostas de solução.
b)Swegunda questão:
Quando defirmos e contratualizarmos um projecto comum que tem de passar pela consciencilização de que existem duas estruturas familiares em Portugal que não encontraram, ainda, uma plataforma de entendimento.
Talvez, começando por definir um modelo económico capitalista abandonando o actual modelo mercantilista mitigado, onde co existem sectores que são reserva de mercado, (águas, contratação pública, infraestruturas), com sectores atribuídos aos estrangeiros de turno (automóveis, chips), para um modelo onde exista concorrência nos actuais sectores reserva de mercado, e alargando os investimentos aos estrangeiros em áreas onde podemos internalizar o conhecimento que aportam: agro alimentares.
Peço desculpa pelo sintetismo, mas o tema tem pano para mangas, mas, em primeiro lugar, temos que mudar os termos em que discutimos estes assuntos
Cumprimentos
João

Tonibler disse...

Os partidos parecem já ter encontrado uma solução: aumentar as subvenções para campanhas. Pode não dizer onde está a solução, mas dá uma pista sobre onde é que não está....

Fartinho da Silva disse...

Cara Margarida:

Respondendo às duas questões formuladas:

a) Como resolver os problemas estruturais da nossa economia: como sempre o fizemos, não os resolvendo;

b) Como é que vamos unir esforços para o fazermos? como sempre o fizemos, não unindo esforços.

Pode achar que estou muito pessimista, mas aquilo que tenho visto na última dezena de anos é que existem claramente duas classes em Portugal: a classe dirigente que tudo tem feito para arranjar forma de subtrair património ao Estado, ou seja a todos nós e a classe dirigida que se limita a viver a sua vidinha um dia de cada vez.

Enquanto este ciclo não se quebrar venha quem vier o sistema não permitirá que nada de muito diferente aconteça.

Vamos continuar a assistir ao populismo inaugurado por sua Excelência o Primeiro Ministro José Pinto de Sousa, atirando as responsabilidades da crise para os dirigidos, como se os mesmos tivessem tido voto na matéria...

Fomos construindo Universidades, Politécnicos, Hospitais, Centros de Saúde, Ministérios, Secretarias de Estado, Delegações disto e daquilo, Institutos disto e daquilo, empresas públicas disto e daquilo, empresas municipais ao quilo, auto-estradas onde passeiam moscas de skate no Verão, organismos para gerir o número de skates utilizados pelas moscas, etc., etc., etc. raramente pensando no bem comum e quase sempre pensando em encontrar soluções para este ou aquele lobby, para esta ou aquela pequena ou grande eleição.

Para se ter uma pequena ideia, basta lembrar que Castelo Branco é servido pelo IP2 que a liga à Guarda e pela A23 que a liga à Guarda e ainda pela linha de caminho de ferro que a liga à... Guarda!!!

Que dizer dos três hospitais em Torres Novas, Entroncamento e Abrantes? Que dizer da existência de Politécnico público em Felgueiras? Que dizer da existência de Universidade pública na Covilhã? Que dizer da existência de 6 hospitais entre Viseu e Castelo Branco?

Que dizer da existência de uma instituição denominada: Instituo da Juventude? Para que serve? Que benefícios tem trazido ao país?

Qual a utilidade da existência do gigantesco monstro do Ministério da Educação? Para que serve? Que utilidade tem trazido ao país? Quanto tem custado ao contribuinte? Quantas instituições privadas vivem já na sua órbita? Quantas dependem exclusivamente da sua existência?

Quantos milhares de milhões de euros nos têm custado as empresas municipais? E as "parcerias" público-privadas?

Mais uma vez aqui deixo um número, como mero exemplo da péssima governação dos últimos vinte anos (pelo menos): Em Portugal existem 17,7 instituições de ensino superior por cada milhão de habitantes, em Espanha existem 7!!!

No actual regime político alguém alguma vez fará alguma coisa para alterar o actual estado de coisas? Não me parece... embora deseje estar completamente enganado :)

Fartinho da Silva disse...

Adenda:

Acho que a "solução" da tal classe dirigente depois da eleições será a redução dos salários de quem trabalha para o Estado...

É muuuuuuuuuuuuito mais fácil, não afecta nenhum lobby, não afecta ninguém da tal classe dirigente e é uma "solução" muito mais "justa"!

Dentro do meu grupo de amigos já começaram as apostas e até agora esta "solução" reuniu já a confiança de 87% dos apostadores...

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro joão
As perguntas que coloquei, que todos nos colocamos, podem ser respondidas fazendo um esforço de nos questionarmos sobre o que realmente atrapalhou a eficiência da nossa economia, que como sabemos depende essencialmente do nível de produtividade e da capacidade de atrair investimento. É por isso que o aumento sustentado da produtividade e as condições para atrair investimento estável são questões centrais da política económica. Mas porque a economia depende dos "custos do contexto" em que se insere, há muitos domínios em Portugal que constituem barreiras ao desenvolvimento económico, de que são exemplos o nível da qualidade do ensino, o peso da burocracia do Estado, a rigidez laboral e o mau funcionamento do sistema de justiça.

Caro Tonibler
Trata-se de um péssimo exemplo!

Caro Fartinho da Silva
Não está sozinho. O pessimismo está instalado, o que bem se compreende. Agora, não será com pessimismos que vamos conseguir sair da situação muito difícil em que nos encontramos. É evidente que as pessoas estão pessimistas porque não têm confiança. Compreende-se que a confiança se tenha quebrado. Depois de anos de promessas sem resultados e de pedidos de sacrifícios sem benefícios não temos que nos admirar é que as pessoas estejam desorientadas.
Sem um alargado consenso político e social creio que será muito difícil resolvermos os problemas estruturais, que têm em comum a necessidade de mudança. Penso que as forças económicas e sociais estarão disponíveis para uma mudança se acreditarem que vale a pena, e para tal têm que estar bem informadas, e aceitarem as "regras do jogo", o que pressupõe o seu forte envolvimento.
O consenso político e social em torno de um designio é, pois, uma questão central.