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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Renacionalização da COSEC já está...só falta a moratória!

1. Em Post editado em 7 do corrente, “Moratória das dívidas à banca…” referi-me a propostas muito curiosas, uma a (re)nacionalização da COSEC, sugerida pelos Presidentes da AEP e da AICEP, a outra uma moratória geral para as dívidas bancárias das empresas, sugerida pelo Presidente da AIP.
2. O Governo mostrou-se lesto em relação à primeira - renacionalização da COSEC, ao que parece por aquisição “potestativa” – tendo essa decisão sido hoje anunciada pelo habitual porta-voz, pelos vistos antes mesmo de os presumíveis vendedores terem sido contactados para o efeito.
3. Tenho para mim que este anúncio constitui essencialmente um acto de política pré-eleitoral, que com grande probabilidade nos vai sair caro...
4. Digo que nos vai sair caro porque não estou a ver que os actuais titulares estejam dispostos a vender a qualquer preço e vão aproveitar-se do clima e da necessidade de fazer demagogia por parte dos decisores para imporem condições que...nós pagaremos como habitualmente.
5. Convém ter presente que um dos contemplados com esta aquisição “potestativa” é exactamente uma companhia de seguro de crédito alemã e o Governo deve saber que se não a tratasse bem (à nossa custa, claro), acabaríamos pagando uma factura elevadíssima…
6. O seguro de crédito, interno ou à exportação é hoje uma actividade essencialmente comercial, com excepção da área da cobertura dos riscos políticos e extraordinários em exportações - de bens de equipamento e serviços, sobretudo - para países que envolvam esse tipo de riscos, em geral economias emergentes ou países de baixos rendimentos (LIC’s).
7. Mas esses riscos políticos e extraordinários são desde há muito tempo objecto de resseguro junto do Tesouro Público, podendo o Ministério das Finanças adoptar as providências que muito bem entender para alargar essas coberturas se considerar isso do interesse nacional...
8. Então para quê nacionalizar a COSEC? Para fazer a vontade aos Presidentes da AEP e da AICEP? Para piscar o olho à esquerda? Não haverá processos de piscar o olho menos dispendiosos?
9. E porque não fazer também a vontade ao Presidente da AIP, concedendo uma moratória por 1 ano ou mais às dívidas bancárias das empresas?
10. No ponto em que as coisas se encontram, a moratória até teria mais justificação do que renacionalizar a COSEC...e custar-nos-ia muit(issim)o menos dinheiro.
11. Assim vai o circo, cada vez mais animado à medida que a data das eleições se aproxima...ha, quase esquecia: por estas e por outras é que os impostos não podem baixar…

9 comentários:

Tonibler disse...

Este governo não mete o dinheiro dos contribuintes no casino capitalista da bolsa. Primeiro compra as acções e, só depois, é que pergunta o preço.

Eu ouvi há uns tempos as declarações do presidente da AIP (que deve representar muitos empresários portugueses, embora não conheça nenhum) fiquei a pensar "Não conseguem exportar sem seguro??? Quantos????" Seria uma boa pergunta agora a fazer. Nem é preciso saber o montante de seguro que falta colocar no mercado, só o número de empresários exportadores "amarrados". Deve ser para lá de dois, oh,oh!!!....

Wegie disse...

Socializam os prejuizos e dão um bó
nus ao BPI.

joao disse...

Caro Tavares Moreira

Proponho que o "Saloio de Ouro" referente ao mês de Maio do corrente, seja atribuído ao Governo pela proposta de nacionalização da COSEC.
Sobre o seu post, como (quase) sempre estou de acordo, apenas complemento com as seguintes notas (de reflexão):
a) Porque será que se nacionalizou, quando se podia avalizar linha de crédito a linha de crédito? Como não creio que a área financeira afecta ao Governo tenha ensandecido, acho que passámos para a segundo nível da PODESCUR ( PrOcesso de DESorçamentaçao em CURso): de uma desorçamentação reactiva, isto é de uma EPEÍZAÇÃO acelarada (transformação em EPES os serviços públicos)para uma nacionalização pró activa; porque a área internaiconal está a ficar sem recursos finnaceiros.
b) Como se passa com este governo, ainda estamos na fase das propostas, pelo que, se se mantiver o mesmo ritmo de concretização dos anúncios, não creio que esteja concretizado antes do início do próximo ano, ( as minhas investigações apontam para uma dilação média de 6 a 9 meses).
c) Tendo em conta que este Governo é o autor do conceito mais moderno de gestão pública: o Método OTALCOCHETE, formulação MLINO, (trata-se de um processo inovador, em que se financia com dinheiros públicos, os estudos de viabilidade de um projecto estruturante, durante dez anos, para depois optar por outra localização sem qualquer relação com a anterior, financiada por privados e por um custo dez vezes menor)poderemos assistir ao seguinte cenário:
A moratória e a nacionalização serão integradas no universo BPN, cuja desgnação será mudada para Banco POrtuguês das Nacionalizações, permitindo as necessárias sinergias que alcançem uma maior rentabilidade e eficácia das dívidas públicas e dos lucros privados.
Cumprimentos
João

Luis Melo disse...

Números pornográficos

A JP Sá Couto ganhou a liderança do mercado nacional de portáteis no primeiro trimestre de 2009 em virtude das vendas do portátil Magalhães. Neste período, a empresa portuguesa apresentou um crescimento de 3.311,4% face ao mesmo período de 2008, o que correspondeu a 212 mil unidades vendidas.

São simplesmente pornográficos os números obtidos pela JP Sá Couto (empresa que devia dinheiro ao estado). Um crescimento de 3.300 % !!! Quando todas as outras empresas concorrentes estão com imensas dificuldades, esta empresa amiga do governo, tem resultados destes. Numa altura de crise, não seria melhor dividir "o mal" pelas aldeias? Para Sócrates (o delegado comercial de vendas da Microsoft) não.

Agitador disse...

Caro Dr. Tavares Moreira,


Há uns meses sugeria que não explanássemos muito acerca desta onda de nacionalização da economia e suas consequências pois tenderíamos para a esquizofrenia

Ora aí tem.

Pinho Cardão disse...

Mas isto está tudo doido?
Se a Cosec privada não segura, por razões de risco, a Cosec pública altera o grau de risco?

Tavares Moreira disse...

Caro Tonibelr,

Exactamente, primeiro compra - ou anuncia bombasticamente que vai comprar -e só depois vai discutir o preço.
É a eficiência máxima em matéria de negócios do Estado, recorrendo a velha máxima "o segredo é a alma do negócio"...

Caro Wegle,

Compra primeiro para depois se encarregar de distribuir o custo dos seguros de crédito, sob a forma de prejuízos, pelos incautos do costume...
Compreende-se bem o apoio de algumas associações empresariais...

Caro João,

Compro já a sua nota nº3, nem preciso de lhe perguntar o preço!
Do melhor que tenho lido!

Caro Luís Melo,

Será que a JP Sá Couto não devia ser nacinalizada? Surpreende-me o silêncio do excelente Bloco sobrer esta matéria...

Caro Agitador,

Eu não explano o que quer que seja, limito-me a constatar...já não tenho energia para mais!

Caro Pinho Cardão,

Tenho a percepção de que a coisa menos doida que terá sido noticiada nos últimos tempos ainda é a possível contratatação de M. Jardel pelo SLB...

Eduardo disse...

Se os riscos em causa são cobertos por garantia do Estado será que se pretende ajudar o BPI?

Tavares Moreira disse...

Os riscos políticos e extraordinários, atenta a sua natureza não comercial, sempre foram objecto de resseguro no Estado-Tesouro, em atenção ao interesse em exportar para certos e determinados mercados nos quais se considerava existir um interesse estartégico para a economia nacional, caro Eduardo.
Os outros riscos são de natureza tìpicamente comercial, competindo às seguradoras e às empresas exportadoras avalia-los e negociar o custo da respectiva cobertura.