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terça-feira, 19 de maio de 2009

Episódios deste manicómio em que se transformou a justiça lusa

Acordei com a promessa de declarações bombásticas do bastonário da Ordem dos Advogados no noticiário que se seguiria. Não foram, afinal, bombásticas. Foram só o habitual no Dr. Marinho Pinto, nada mais.
No escritório confrontei-me com mais uma daquelas decisões judiciais que, não fora o dano que provoca num dos seus destinatários, daria para uns saborosos momentos de diversão, tal o anedótico da coisa. Fiquemo-nos por aqui por que o sigilo profissional é para ser encarado a sério e aproveitemos o bom humor para umas alegações de recurso à medida da sentença.
Mas protegido pelo segredo não se encontra o episódio que o JN relata, envolvendo o ex-deputado do PND da Madeira, José Manuel Coelho, o tal da bandeira nazi. Fiquei a saber que a criatura estava a cumprir pena substitutiva de prisão quando entrou para a Assembleia Legislativa da Madeira, suspendendo a sua execução por este facto. Agora, ao que parece, não quer mais cumprir o trabalho a favor da comunidade em que o condenaram - pintar as paredes da sede de uma autarquia. O que quer é mesmo cumprir pena de prisão efectiva. Recusa-se a sujar as mãos com tinta, mas o tribunal não o remete à prisão porque faltou o relatório do Instituto de Reinserção Social. Entretanto, abordado por dois polícias que o detiveram para o levar à presença de um juiz num outro processo, acabou na esquadra, de onde foi solto. Como termina a estória? Pelos vistos como a Lusa conta, em discurso directo:

- Eu estava a vestir-me para ir ao julgamento das 14:00 quando apareceram dois polícias com o mandado de captura. Acompanhei-os e fiquei na esquadra de Santa Cruz, onde acabei por almoçar com os dois agentes um magnifico bacalhau à Gomes de Sá.

5 comentários:

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

José Mário
A justiça pode ser um manicómio, mas mais grave é que está a dar com o País em louco!
Louco porque não faltará muito para acharmos que já tudo é normal e admissível, quando no nosso perfeito juízo não poderíamos deixar de nos indignar com o que é completamente anormal!

Salvador Massano Cardoso disse...

Vem dar razão ao que foi dito ontem no debate "Pensar em Portugal".

Tonibler disse...

Gostei da "denúncia" de que havia advogados a oferecer serviços de crime económico. Fiquei chocado com tal novidade, nunca me passou pela cabeça que advogados pudessem andar a oferecer o serviço de montarem off-shores em que são eles os administradores e para onde se passam os activos dos clientes. Aliás, o Vale e Azevedo foi condenado por abuso de confiança mas em off-shores das quais ele não tinha nada a ver...

Lacão disse...

A justiça está sem duvida na berlinda, ainda mais com estes novos comediantes em acção. Mas a justiça de agora não é diferente da que sempre tivemos...para não falar do antes do 25 de Abril, e para referir os casos mais mediáticos:
- Melancia: curruptor sem corrompido;
- FP25: apenas o arrependido foi condenado (para meu espanto a Sra. do ministerio publico vem agora gabar-se de ter sido um processo "exemplar")
- ...
.
Quais as diferenças para agora ?

Suzana Toscano disse...

Lembro-me dos tempos da faculdade, em que se estudava a lógica e o fundamento da separação de poderes, uns fazem as leis, outros executam-nas, outros garantem que elas são cumpridas com justiça,para que todos os cidadãos possam defender os seus direitos em igualdade. O desenvolvimento da democracia levou depois a um sistema complexo de poderes e contrapoderes, sempre na lógica de que uns seriam fiscalizados por outros, até que se punha a pergunta académica: e quem guarda o guardião?