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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Esclarecimento

Admito que o 4R não facilite os comentários ao que nele se anota, reservados como estão a quem se regista no blogger. Pode ser uma limitação, mas foi uma opção que se revelou em muitos aspectos acertada. O que não significa que não cheguem comentários por outra via ao que aqui, livremente, se escreve.
A propósito deste meu post conscientemente titulado "Indecoroso", recebi por mail várias reacções, quase todas manifestando desacordo. Uma delas, sob relativo anonimato, imputa-me, com alguma inflamação, "o mais primário populismo". Tenho de admitir que outros dos que por aqui passam tenham lido o post e ficado com a mesma impressão, sem contudo a manifestar. Porque se há coisa que não sou é populista, nem costumo alinhar em populismos - quanto mais alimentá-los! - , interessa-me voltar ao assunto para esclarecer, tendo em atenção o teor de algumas mensagens que não reproduzo mas que se intuem, o que segue:
(a) Não tomei posição na nota que aqui deixei sobre o modelo de financiamento dos partidos políticos e, em especial, das campanhas eleitorais. É questão sobre a qual tenho opinião que, adianto, repousa na distinção entre a actividade regular dos partidos e as campanhas eleitorais, sendo que nestas o financiamento púbico faz todo o sentido porque se espera que as formações partidárias retribuam com esclarecimento das suas propostas eleitorais;

(b) O post foi motivado, exclusivamente, pelo incremento do financiamento partidário no período difícil que vivemos e em que o Estado pede a todos ainda mais sacrifícios. Como é que se pode entender que, apelando alguns partidos a cautelas redobradas no gasto público, se aceite despender mais nesta terrível conjuntura, em campanhas eleitorais verdadeiramente sumptuárias como são as nossas? Como aceitar que se gaste mais dinheiro em cartazes e festarolas de campanha, apesar dos permanentes apelos à austeridade e ao rigor de forma a travar que o deficite e o endividamento públicos comprometam definitivamente a retoma, designadamente os apelos vindos do Chefe do Estado? Como explicar às famílias a quem o Estado nega apoio por falta de recursos, que afinal esses meios existem para as estridentes e cada vez mais sofisticadas - e por isso caras - acções de campanha eleitoral que apostam sobretudo no espectáculo?
A nota que aqui coloquei tinha subjacentes estas questões que dirigidas aos beneficiários não encontrarão decerto resposta porque estou seguro que os seus responsáveis são os primeiros a julgar indecorosa e chocante a situação. No discurso político todos estão de acordo: o exemplo de contenção deve ser dado desde logo por quem se candidata ao poder. Mas neste caso, como em muitos outros da política nacional, os portugueses já perceberam que a verdade, verdadinha que sobressai da atitude dos responsáveis partidários é a que resulta da asserção atribuída ao pároco lá da freguesia "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço".
Se os meus desabafos de cidadão preocupado pela sorte do seu Pais são, para quem faz o favor de me ler, manifestações de populismo, o que são então estas provas da mais destilada hipocrisia dos responsáveis partidários?

2 comentários:

Tonibler disse...

Não é justo suspeitar-se de alguém até se ouvir a palavra "populismo". Aí, estamos a ser roubados de certeza.
É incrível como alguém se tem que justificar de condenar isto.

Paulo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.