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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Uma confrangedora indigência

Estamos a pouco mais de um mês das eleições para o parlamento europeu. E à semelhança do que já tinha acontecido há alguns anos em situação semelhante, discute-se tudo menos o que era suposto discutir-se. Passaram-se 3 dias e os noticiários continuam a debitar sobre a grosseira agressão a Vital Moreira. Esperava-se que a condenação quase unânime do ocorrido remetesse o episódio para o baú dos acontecimentos lamentáveis. Mas não. Insiste-se no facto, nas culpas e nas desculpas, e não se passa à frente, legitimando a opinião de quem entende que a vitimização dá um jeitão a quem não confia nas ideias que tem ou receia os efeitos de demonstrar publicamente que as não tem.
Espera-se, pois, o pior desta campanha eleitoral face a esta apetência pelas questões laterais e à notória fuga ao esclarecimento das propostas de cada um e ao debate sobre o presente e o futuro do País e da Europa.
Na noite das eleições, porém, quem apostou deliberadamente na indigência do debate e encareceu factos e circunstâncias a latere do objecto das eleições, será o primeiro a lastimar o elevado desinteresse dos portugueses, traduzido nos números históricos da abstenção. E ninguém será capaz de lhe atribuir culpas nem de refletir sobre o que o fenómeno significa para a democracia. Aposto.

7 comentários:

Bartolomeu disse...

E muito provávelmente (o que já não constitui surpreza para muitos) o resultado das eleições irá ter por motivo popular a simpatia dos candidatos, por motivo político o interesse dos seus pares e o conteúdo dos programas sem interesse, servirá unicamente para cumprir o calendário.
E assim vai Portugal... sem notícias!!!

Pézinhos N' Areia disse...

os lugares para o PE mais parecem um prémio pelos serviços prestados, uma prova de reconhecimento, de gratidão partidária.

e cheira a "tacho" que tresanda....


lamento mas é o que de facto penso.

serei só eu a pensar desta forma ?

Bartolomeu disse...

É, cara Pézinhos!!!
Se tiver oportunidade de questionar os cabeça de lista, apoiados e propostos pelos diferentes partidos, vai ver que unânimemente lhe confirmam a originalidade desse pensamento...

Pinho Cardão disse...

Um candidato forte e confiante quer ser eleito pelo seu valor e pela qualidade das suas propostas.
Para um candidato fraco e nada confiante tudo é bom para poder ser eleito, até a vitimização.
Ainda hoje ouvi, quatro dias depois, Vital Moreira a clamar por pedido de desculpas.

Nuno Castelo-Branco disse...

O vosso pateta de serviço, o tal improvável - e muito mal relacionado - messias belenzeiro, ainda há dias sugeriu que a abstenção retirava a legitimidade ao regime. Que bela ideia a todos deu. Pelo menos já valeu por uma parte dos 17 milhões/ano que consome.

Tonibler disse...

Razão tem o Berlusconi...Se é para andar em parvoeiras, pelo menos sejam boas! As candidatas, digo...

Suzana Toscano disse...

Também aposto consigo, caro Ferreira d'Almeida.
Cara Pezinhos, se não acreditamos em nada também não podemos esperar nada e muito menos exigir. A desvalorização dos cargos políticos surge muitas vezes como uma forma de nos demitirmos de ser parte, deixando que outros decidam aquilo que nós descuramos.Por isso discordo dessa apreciação global, que não dá oportunidade a ninguém.