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domingo, 16 de setembro de 2012

As Palhinhas de Abrantes...

Este fim de semana estive fora, fui até Abrantes para assistir a um acontecimento familiar. Aproveitei para visitar Constância, há anos que lá não ia, mas a memória não me traíu. Duas terras que justificam um passeio, com um bonito enquadramento paisagístico, as zonas históricas estão bem arranjadas. Não faltam aquelas infraestruturas dos tempos áureos dos fundos comunitários como acontece com qualquer vila portuguesa que se prese. São as rotundas. Mas são vilas desertificadas, com edifícios industriais aqui e ali moribundos, o silêncio que paira no ar é desolador. Foram-se as gentes para outros lugares à procura de vida melhor, as actividades económicas são fracas, há pouco trabalho. O turismo bem que poderia ter outra expressão, a beleza natural está lá, história e tradição também.
No regresso, andei à procura de uma pastelaria para comprar uns doces regionais e aproveitar para tomar um café antes de me por ao caminho. Sentei-me numa mesinha na esplanada – a temperatura ainda estava suportável, ontem o termómetro atingiu os 39 graus. Ao meu lado estava um grupo de senhoras que conversavam sobre os últimos acontecimentos políticos. Lá fui ouvindo com alguma curiosidade. Comentavam as manifestações de ontem, falavam da TSU, dos patrões que não querem o dinheiro dos trabalhadores. Às tantas uma delas atira uma coisa assim: austeridade, sim, ela é necessária, gastámos o que não tínhamos, mas escravatura é que não, assim é que a gente nunca mais se endireita. E a conversa lá continuou com as senhoras a discutirem o país.
E eu não resisti em abrir a caixa de Palhinhas de Abrantes que acabara de comprar. Roubei uma palhinha para me adoçar a boca e pus-me ao caminho…

8 comentários:

C.e.C disse...

Tendo em conta os últimos acontecimentos, é caso para dizer: "Eles que vão comer palha para Abrantes."

Suzana Toscano disse...

As senhoras que se juntam nas pastelarias têm uma sabedoria temível e o que dizem circula à velocidade da luz. Espero que apalhinha lhe tenha sabido às mil maravlhas, porqeu a sabedoria já a tem :)

Bartolomeu disse...

Bom, ao menos, uma das senhoras na esplanada, foi capaz de reconhecer e admitir que ambas gastaram o que não tinham, durante um certo tempo.
Mas o mesmo não aconteceu por exemplo, comigo, que gastei sempre e somente, aquilo que tinha disponível para gastar. No entanto, sou obrigado a pagar uma cota-parte da dívida que outros contraíram e da qual tão pouco me constui fiador.
Bom, mas isso agora está a deixar de preencher a minha preocupação, uma vez que estou prestes a desligar-me do emprego e a iniciar um estilo de vida ascética; assim como assim, já levo alguma vantagem, no capítulo da mortificação do corpo pela prática forçada de exercícios de fome, só tenho de me dedicar à parte espiritual.
Constança, é uma terra que gosto de visitar e de observar os recantos e pormenores, talvez tentando vê-la através dos olhos do poeta Luis Vas de Camões, quando ali permaneceu exilado por um tempo, a fim de se afastar de uma nobre dama Lisboeta, a quem se terá "afiambrado" com o propósito único de glosar.
Concordo com a opinião da cara Drª Margarida, quando refere o abandono e desertificação da Vila, assim como a falta de visão para o aproveitamento das belas paisagens e recantos que podemos usufruir, sobretudo das margéns do Zêzere, até à barragem do Castelo do Bode.
Quando assisti à requalificação da margem deste rio, em Constança e vi nascer algumas infra-estructuras de lazer, pensei que aquelas margens voltariam a povoar-se de veraneantes, apreciadores de desportos aquáticos, gastronomia e ambiente. Depois, quando vi a tabela de preços para descida em canoa, do troço do rio desde o Castelo de Bode, até ao Tejo, torci o nariz e pensei com os meus botões: hmmm, isto vai ser "sol de pouca dura".
É o que temos... surgem as vontades, surgem os entusiasmos momentâneos, mas depois tudo se esvai como fumo... menos o castelo de Almourol, talvez porque ainda lá habite o espírito dos Templários.
Ainda ha muito pouco tempo, indo a caminho Fundão, saí da A23 para almoçar em Constança. Deliciei-me com uma excelente açorda de sável, num restaurante à beira-rio, acompanhada de um belo verde gelado, e uma tigelada a meias com a minha cara-metade. O resto da viagem, decorreu com os anjos...
;)

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro C.e.C
É que o verdadeiro nome da "palhinha" é palha, cor amarela por causa das abundantes gemas que leva.
Suzana
A tentação foi grande, mas consegui ultrapassar aquela fracção de segundos em que a mão já estava a caminho da segunda palhinha.
Caro Bartolomeu
Infelizmente, as crises também atingem quem para elas não contribuiu. Muitos dos custos da desalavancagem em curso estão a ser pagos por quem não beneficiou.
É uma pena não sermos capazes de tirar partido do que temos. É como diz o Caro Bartolomeu, deitam-se uns foguetes, mas o amadorismo, a falta de vontade ou a forma errada como olhamos para os desafios rapidamente vêm à superfície e depois já se sabe.
Lembra-se do nome do restaurante, Caro Bartolomeu?

Bartolomeu disse...

O Trinca Fortes, cara Drª. Margarida.

Ilustre Mandatário do Réu disse...

Cara Margarida de Aguiar,

Ora aqui está um posta que foi um prazer ler. Aguardamos outras!

Cumprimentos, IMdR

Catarina disse...

Fui ver o que eram palhinhas de Abrantes. Eu tb não resistiria.

: )

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Ilustre Mandatário do Réu
Obrigada pelas suas simpáticas palavras.
Cara Catarina
Também se come com os olhos!