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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

João Cravinho e o critério jornalístico

Apurado critério jornalístico, o que levou ontem a SIC a apresentar o microfone a João Cravinho para comentar a situação do país!...
Mais extraordinário ainda: João Cravinho comentou. E não teve vergonha!
Claro, o pai das PPPs em larga escala é uma verdadeira autoridade na forma de delapidar o dinheiro dos contribuintes. E, para a SIC, quanto mais se delapidar na RTP, melhor.
Ora aí está o critério.   

13 comentários:

Jorge Lucio disse...

Caro Pinho Cardão,

Nem quero voltar a falar do disparate que são os actuais Contratos de Concessão, em que o Estado assume os riscos todos, e ainda fica a pagar principescamente, sem possibilidade de reequilíbrio.

Mas confesso que não estou a ver o que a "sua querida" RTP tem ver com o assunto.

Pinho Cardão disse...

Caro Jorge Lúcio:
Eu é que não estou ba ver as suas dúvidas.
1. O patrão da SIC quer a RTP como está.
2. Desgastar o Governo é a melhor forma de este se tornar incapaz de tomar decisões.
3. Se o Governo não tomar decisões sobre a RTP ou, no limite, se cair, o problema da SIC e de Balsemão ficam, para já, resolvidos.
4. Enquanto tal acontecer, mais uns fundos que o meu amigo e eu e mais uns milhões estamos a entregar à RTP.
5. Por um serviço público igual ao serviço privado da SIC
6. Se isto não é delapidar dinheiro...e se isto não é pôr dinheiro público ao serviço de privados...
Cumprimentos

Bartolomeu disse...

Lembro-me de ainda ha pouco tempo, quando começaram a surgir as primeiras sensuras às medidas adoptadas pelo actual governo, de os estimados autores "Quarta-Republicanos" atribuirem a "legalidade" das mesmas à tentativa de reparação das más gestões levadas a cabo pelo governo de José Socrates.
Porém, agora esquece-se o caro Dr. Pinho Cardão de admitir que a falta de vergonha apresentada pelo Engº Cravinho, vem também no seguimento das medidas de excessiva despesa do governo de Cavaco Silva.
Mas é importante colocarmo-nos no lugar certo, ou seja, no lugar da história, para percebermos que, as decisões tomadas, têm por base inúmeras causas, poucas das quais visavam em primeira instância o real desenvolvimento da economia do país. Foi uma época de grande entrada de subsídios comunitários. Foi também uma época de grande desenvolvimento viário no país do lado, de onde chegavam "exigências para que se evoluisse nesse sentido e também para que se contratasse com empresas espanholas. Muitas vozes se levantaram naquela época, uma delas, a do Engº José Sócrates, cuja oportunidade ditou a sua eleição, coincidindo com umas macadas inesperadas, vindas de figuras de destaque do PSD.
Agora, naquilo que a SIC "pecou" em minha opinião, foi não ter convidado alguns pares do Engº Cravinho, a estarem presentes no mesmo programa.
De qualquer modo, penso que ninguém iria ficar mais esclarecido do que já está, até porque os iceberg's encontram-se à vista e o que está abaixo da linha de água, um dia irá revelar-se, mas quer esse dia fosse ontem, ou daqui a 100 anos, o resultado seria precisamente o mesmo. Porque se é realmente importante saber quem e porquê gastou mal os dinheiros do estado, quem "se abotoou com a massa" quem foram os que compraram quintas no Lago, na Coelha, no Patiño, quem meteu o "arame" nos offshore, quem comprou fazendões no Brasil, é porque é igualmente importante saber onde esses dinheiros se encontram e onde ir busca-los e fazê-los retornar à posse do seu legal dono; o Estado.
Será que é isso o que pretendem fazer?

Jorge Lucio disse...

Desculpe caro Pinho Cardão, mas o que parece inferir-se do seu post é que "Cravinho defendeu mais dinheiro para a RTP", o que não terá sucedido.

Afinal, o que você terá querido dizer é que Balsemão, de um modo subreptício, ao pôr Cravinho a defender as PPPs, consegue condicionar a decisão do Governo sobre a RTP.

Mas parece-me ser consensual que Cravinho acabou antes por evidenciar claramente o despesismo
patético das PPPs... o que antes dará força ao Governo para intervir na RTP, para acabar com o regabofe... "penso eu de que"

Pinho Cardão disse...

Caro Bartolomeu:
No essencial, não concordo consigo, nomeadamente quando refere que as medidas de João Cravinho se seguem a "medidas de excessiva despesa do governo de Cavaco Silva".
Essa afirmação, no que respeita ao despesismo de Cavaco Silva carece de fundamento. A política de Cavaco Silva nunca pôs em causa as contas públicas, nunca trouxe qualquer problema em termos de endividamento, e a carga fiscal ficou em níveis razoáveis. Claro que criminoso seria, face ao enquadramento macroeconómico favorável e face ao atraso do país que Cavaco não utilizasse para boas razões a capacidade de investimento que o Estado na altura possuía. Claro que acabou a Auto-Estrada Lisboa-Porto, necessidade fundamental, deu o pontapé decisivo para a erradicação dos bairros de lata, estendeu a segurança social a muitos.
Mss, para descanso do amigo Bartolomeu,irei publicar um post com o endividamento público no tempo de Cavaco.
Outra nota, esta dolorosa para mim, face à consideração e até amizade e muita simpatia que tenho para consigo. Não é lícito chamar à colação quem "se abotoou com a massa" quem foram os que compraram quintas no Lago, na Coelha, no Patiño", sabendo-se que pelo menos uma pessoa séria, honrada e impoluta como o Prof. Cavaco Silva tem aí uma casa. É intolerável meter todos no mesmo saco. Não está certo.

jotaC disse...

Caro Drº Pinho Cardão,
Por acaso também não estou a ver o que a SIC tem a ganhar mantendo-se a atual situação da RTP, porque esta também come do bolo da publicidade, o que a meu ver está errado, visto que o contribuinte paga o serviço. Se os custos são desmesuradamente grandes, corte-se, ajustem-se à receita. O que eu (SIC) faria numa situação idêntica era pugnar para que as receitas de publicidade fossem exclusivas dos privados, o que faz todo o sentido.
Outra coisa que eu não percebo é o estado não querer privatizar a RTP e ao mesmo tempo achar que é incapaz para a gerir…

Pinho Cardão disse...

Caro jotaC:
Pois não é agora que vou discordar do meu amigo. Mas factos são factos; e há razões que a razão desconhece.

Pinho Cardão disse...

Caro Jorge Lúcio:
Não vou contra a sua lógica. Mas essa não é a da SIC. E o produto informativo da SIC subordina-se, no caso, ao objectivo empresarial.
Assim como a informação do serviço público, que não quer mudanças na em+resa.
E que esta lógica condiciona tudo o resto é incontornável. Por essas e por outras, está na RTP tudo como dantes.

Bartolomeu disse...

Quanto ao Presidente da República, sabemos todos, que apesar de proprietário de uma casa na "Coelha", não é colável a outros proprietários do mesmo condomínio de luxo. Portanto, caro DR. Pinho Cardão, essa excepção é mais que óbvia, não merecendo o seu agastamento, relativamente ao meu critério, ou falta dele, como o entenda.
Quanto ao endividamento excessivo do estado para apresentar obra; sabe perfeitamente o caro Dr. que algumas delas, foram projectadas "em cima do joelho" para não se perderem os dinheiros da UE, mas!!! a vinda desses dinheiros, pagava só parcialmente as obras que eram pensadas, obrigando o paías a financiar-se para conseguir o resto. E mais!!! a urgência das obras e os cadernos de encargos mal estructurados, as alterações aos projectos e os "trabalhos a mais" que encareceram práticamente todas as obras públicas e provocaram as tão badaladas e (mal) investigadas derrapagens, foram acumulando um déficit que na altura não era inteiramente conhecido e que, dado a abundância de fundos que chegavam ao nosso país todos os meses, se diluíam.
Quando mudámos de governo, o governo PS viu-se forçado a dar continuidade a toda essa euforia de construção. Não nos podemos esquecer que grande parte do financiamento das campanhas eleitorais, sai do bolso das construtoras, dos Belmiros, dos Melos, etc. e esses depois, querem as contrapartidas, dê por onde der.
Não quero dizer com isto que o governo de Cavaco Silva fez mal em aproveitar os fundos europeus para o desenvolvimento do país. Mas é inegável, caro Dr. Pinho Cardão, que na época, não existiu, ou existiu muito pouco controle sobre esses dinheiros, sobre os projectos em que seria empregue e sobre a forma como foram concluídos, para não discutirmos também, a utilidade de muitos.
Portanto, caro Dr. Pinho Cardão, não vale a pena "tentar tapar o sol com a peneira". Se Portugal está na situação económica em que se encontra, a culpa não é só do Zé, é também do Manel e do Francisco e do António e até... do Bartolomeu... é que "isto" é tudo tão pequenininho...

Agitador disse...

Caro Bartolomeu


A história da construção das estradas não é bem como disse. Os governos de Cavaco apelidados de amigos do betão construiram infraestruturas numa fase de carência das mesmas. Concordo que existiam desvios e corrupção e que houve acréscimos injustificados de custos. Mas o que pedia era limpeza dos erros e errantes e não de ideias mirabolantes que vieram a surgir depois. Numa fase posterior o Eng, Guterres teve a ideia brilhante de querer construir uma serie de estradas em simultâneo para o qual criou as famosas scut's. Dessa forma anulou a concorrência e conseguiu construir a preços exorbitantes e com recurso a divida. Nessa altura já a construção de obras publicas entrava em declínio mas o investimento público tinha de continuar.

Bartolomeu disse...

Caro Agitador, em qualquer pais, o desenvolvimento económico, depende da rede viária que o mesmo país possui.
Portugal, antes do governo de Cavaco Silva, encontrava-se atrasadíssimo nessa matéria.
Era de primordial importância equipar o país com uma rede de vias rápidas, modernas, capaz de estabelecer a ligação rápida e segura entre o interior e o litoral, entre as pequenas e as grandes cidades, entre o país e o esttrangeiro.
Disso ninguém tem dúvidas e ninguém contesta.
Desenvolvimento e progresso, dependem dessas infraestructuras.
O problema foi a falta de visão económica para desenvolver as regiões. Ou seja, construiram-se as estradas, os viadutos que saltaram por cima de profundos vales, os túneis que prefuraram altos montes mas, as regiões rurais foram esquecidas.
Se perguntarmos aos "cabeçudos " daquele tempo, porque não o fizeram, eles afirmarão peremptórios, que não senhor, que distribuiram fundos para os projectos agrículas que foram apresentados. Vamos então dar de caras com mais uma pirâmide de fraudes, que foram desde os projectos inflaccionados por forma a que o dinheiro atribuido a fundo perdido pagava a totalidade do projecto e o restante, contraído por empréstimo na banca a juros de cá-ca-rá-cá, serviram para comprar os jipaços BMW, as casas em vila moura, as viágens à europa, etc.
Resultado; neste momento estamos a pagar auto-estradas, IPs e ICs, que não servem o fim para que foram construídas, quando as mesmas poderiam estar a ser pagas com o lucro proporcionado pelo desenvolvimento que deveriam ter gerado.
Quanto aos governos sucedâneos; pense o caro Agitador deste modo: No bairro onde habita, existe um clube desportivo com diversas modalidades e o caro Agitador concorre às eleições para presidente do seu club e ganha, é eleito. Quando toma posse, apercebe-se que o club está cravado de dívidas contraídas pela anterior direcção. Dívidas que os credores começam a exigir-lhe o pagamento. Então o caro Agitador, tem duas opções, ou para a actividade do clube para com as receitas das cotas, ir pagando as dívidas, ou para não perder o "andamento" desportivo, contrai mais dívida e vai pedindo aos antigos credores que vão tendo paciência. Tem ainda um terceira opção, que é a de se demitir no dia seguinte, mas nesse caso, tem logo a morder-lhe as canelas, todos aqueles que o apoiaram na campanha eleitoral.

Agitador disse...

Caro Bartolomeu

O problema do seu raciocínio, está em depositar toda a sua crença na capacidade do estado fazer crescer e desenvolver o País. Não será melhor acreditar no simples cidadão?

Então o meu caro Bartolomeu vai pagando as dívidas com mais investimento ruinosos e desproporcionados como foram o excesso de estradas?

Bartolomeu disse...

Caro Agitador, eu deposito "toda a crença" no candidato que me promete fazer todo e mais um par de botas para levantar a economia, para acabar com o desemprego, para reformar a justiça e torna-la célere, e ainda, usar de todos os meios disponíveis para tornar a sociedade mais próspera e mais justa, uma sociedade em que não haja cidadãos de primeira, de segunda e de terceira.
É claro que a minha preferência recai no candidato que se propuzer executar tudo isso, à custa da receita dos impostos que os cidadãos lhe entregarem.
Se eles depois deturpam a cena toda, se depois de se sentarem na cadeira do poder começam a achar que são donos do país e das vontades das pessoas e passam a hipotecar todo o que é hipotecável... isso aí, transcende-me.