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sábado, 8 de setembro de 2012

"Tocam os sinos na torre da igreja..."



O Povo, essa figura maior da procissão de Nossa Senhora dos Remédios. Vai sempre atrás, atrás de todas as autoridades. Atrás dos poderes, do espiritual, do temporal. Noto erosão na representação deste último logo após o pálio onde pontifica o novo bispo. Para o ano haverá eleições e a deputação ficará mais composta. Também é tradição. Ao meu lado ouço a frase de sempre na boca deste Povo à passagem do andor da Senhora que é dos Remédios: "A fé é que nos salva!". Coeva da esperança, espanta-me que nos tempos que correm a fé no imaterial seja das últimas coisas a falecer para tantos. Ainda bem que assim é...

7 comentários:

Frederico Gastão disse...

... há rosmaninho e alecrim pelo chão.

Bartolomeu disse...

Quando paramos para escutar a vóz do povo, podemos sentir a realidade de uma forma mais clara e transparente. Não é verdade, caro Dr. José Mário?.
;)

JM Ferreira de Almeida disse...

Vox populi, vox dei, meu caro Bartolomeu

Pinho Cardão disse...

O espírito do homem, sábio ou mais ignorante, sempre procurou ir além do que vê ou do que sente. A fé e a esperança são algo que lhe é imanente.A religiosidade é apenas uma manifestação dessa inata predisposição.
Por mim, não sou muito adepto de rituais. Mas a lembrança da procissão da Senhora dos Remédios de Lamego ainda é algo que me causa arrepios na espinha, pela atitude das pessoas,pelo sentimento de agradecimento pela cura ou pelo milagre da Senhora, pela solenidade, devoção e adesão popular, por toda a envolvência de festa, por toda a fé que revela e pela esperança que todos depositam em melhores dias.

Bartolomeu disse...

Caro Dr. José Mário; "DUX"-
;)

Bartolomeu disse...

Caro Dr. Pinho Cardão; diz o Senhor que se não sente adepto de rituais, contudo, eles possuem uma origem, uma causa, na sua maioria, perdida nas brumas do tempo, mas que chegou inalterável aos nossos dias, aos dias da suprema informação, do total conhecimento, da globalização.
À dias, visitei Mondim de Basto. A Este, avista-se o monte Farinha, no topo do qual, a cerca de 900 metros de altitude se ergue o Santuário de Nossa Senhora da Graça. Segundo indicação que obtive no local, o actual templo, inteiramente construído em granito, ocupa o espaço onde antes da invasão romana se ergueu um outro de cuja fundação se desconhece a data. O actual templo Mariano, foi construído no ano de 1775, portanto, 20 anos após o terramoto que destruiu a cidade de Lisboa e causou enormes danos em muitas outras do nosso país.
Quem visita este santuário, depara-se com uma construção de certa forma monumental, que nos obriga reflectir acerca dos motivos que levaram "os" de "setecentos" a terraplanar o topo de um monte com uma altitude considerável, totalmente inóspito, a transportar (quais Sísifos) montanha acima, os blocos de pedra granítica com que deram forma à fé que os movia.
Vou revelar-lhe um segredo, caro Doutor: depois de ter estado no interior do templo, de admirar os pormenores que o consagram a Maria, quis deleitar-me com as "vistas" que se nos oferecem a todo o redor e pensei, quando detive a minha atenção nas casinhas das aldeias que polvilham os vales em redor, de pontos brancos; o mundo visto daqui, é tão pequenino. Depois, quando dediquei atenção ao templo, visto do exterior, fui imediatamente obrigado a concluir; perante a fé o crer e o querer dos Homens, um Homem, sente-se insignificante...
;)

Pinho Cardão disse...

É verdade, caro Bartolomeu!