Número total de visualizações de página

sábado, 22 de setembro de 2012

O uso e abuso das palavras...

Há pouco num telejornal ouvi uma peça noticiosa que informava ter o governo aprovado mais impostos sobre os ricos: a taxa do IRS sobre os juros dos depósitos vai subir de 25% para 26,5%. Já não fico espantada por se classificarem de "ricos" aqueles que fazem poupanças. De facto, deixou de haver coerência e cuidado com os critérios e as palavras que se usam para definir o que é a riqueza e a pobreza ou para caracterizar um rico e um pobre. Consoante as necessidades, assim variam as definições. Não deveria ser assim...

11 comentários:

C.e.C disse...

A minha esperança, no entanto, mantém-se. Cada vez mais se viram os olhares para a Imprensa que não tem pudor algum em se transformar num poder per se, em vez de fazer as suas obrigações e deveres.

Admito é não conseguir ainda antever que entidade poderá imputar essas responsabilidades, até agora imputáveis.

Fenix disse...

Nos tempos que correm, e porque para a grande maioria dos portugueses a fasquia desceu para os níveis da sobrevivência, pode dizer-se que os remediados (felizardos) deste país são aqueles que têm um emprego, logo, ricos serão os que conseguem sobreviver e ainda poupar!!

Bonaparte disse...


"Deixou de haver coerência e cuidado com os critérios e as palavras", devido ao radicalismo do governo que violou o contrato social. O radicalismo tomou conta também do 4º poder. É preciso cortar o ramo ou a árvore seca. Há sinais que anunciam a borrasca.

Pinho Cardão disse...

Cara Fénix:
Dois vizinhos vivem no mesmo prédio em andares frente a frente. Têm o mesmo emprego e ganham exactamente igual e têm o mesmo nº de pessoas a seu cargo. Um gasta as poupanças em férias, no país ou no estrangeiro. O outro faz férias ao pé de casa e deposita anualmente o subsídio de férias como poupança.
O que faz poupanças, úteis à economia, é taxado; o que gasta dinheiro nas férias no estrangeiro não tem poupança, não é taxado.
Só para dizer que a equiparação de rico a quem faz poupança, pelo que deve ser taxado por ela, cai pela base.
Quanto aos jornais, nada mais há a dizer. Grassa por lá a maior ignorância e má fé. Por vezes juntas.

Freire de Andrade disse...

Caro Bonaparte, nem tudo é culpa do Governo, e neste caso do radicalismo e coerência dos meios de comunicação parece-me que os governos não são os principais culpados, nem o actual nem os anteriores, se bem que estes tenham grandes culpas de outras coisas. A designação de ricos para quem tem um depósito bancário e recebe um rendimento por isso é ainda mais grave do que a de reformas milionárias para quem recebe 4000 ou 5000 euros. Saberão os jornalistas que põem estes títulos o que é um milhão?

Stoudemire disse...

Ao fim de 20 e tal anos, e de 4 filhos a vestir, alimentar e pôr a estudar, com uma casa e um carro pelo meio, pagos, tenho 30 mil euros num banco. Aquilo rende uma miséria (no fundo, não rende nada, pois com os impostos e a inflação, perco dinheiro). O meu único gozo é que o roubo de 1,5 % anual deve dar uns cêntimos.

Bando de panilas!

Tiro ao Alvo disse...

Tem toda a razão, essa forma de tratar os aforradores é uma vergonha e sinto-me injustiçado: as poupanças que tenho resultaram, exclusivamente, dos meus rendimentos de trabalho, e sempre paguei, pontualmente, todos os impostos. Por outro lado, os juros que o Banco me paga raramente acompanham a inflação, logo tenho vindo a pagar mais esse "imposto", cobrado de forma dissimulada.
Parece que o mundo virou do avesso: em vez de estimular a poupança, o governo actual, preocupado com o sistema financeiro, veio também limitar a taxa de juro que os Bancos pretendam pagar às poupanças dos seus clientes, não sendo conhecidas medidas eficazes para limitar os juros elevadíssimos que cobram nalguns empréstimos, de autêntica agiotagem

Gonçalo disse...

Mais uma medida que levará ao levantamento de todas as poupanças dos bancos (portugueses) que assim vão ficar mais e ainda mais descapitalizados.
Mas o mais caricato é que nem nos bancos alemães se põe o dinheiro. Já pagam 0% de juros.
O sítio certo, volta a ser ... o colchão.
Tudo isto descapitalizará ainda mais a economia pois já não se pode emitir moeda.
Sem moeda a economia trava e enferruja. Falências, desemprego e défice público (sem receitas fiscais e cada vez mais encargos sociais).
Ou se tomam medidas inovadoras (porque a situação é nova) ou, cada vez mais nos entregaremos à pobreza e ao poder dos países emergentes (custo do trabalho a pataco) e detentores de fontes de energia.

http://notaslivres.blogspot.pt/2012/09/medida-2-criacao-de-condicoes-para.html

Jorge Lucio disse...

Caro Pinho Cardão,

No imediato tem toda a razão. Daqui a 20-30 anos, atrevo-me a dizer que, com o rumo que as reformas estão a ter, para o "casal formiga" os 1.5% que agora lhe retiraram não será provavelmente um problema, enquanto que para o "casal cigarra" o menor dos seus problemas será seguramente os 1.5% que agora terão evitado. Mas cada um faz as suas opções, "chato" é depois as formigas terem de "dar a mão" às cigarras, pelo pseudo-assistencialismo de Estado!

Caro Stoudamire,
Revejo-me claramente no que diz (à parte de só ter 3 filhos). Mas para mim o problema não é se agora com um juro de 3% (e é o que se arranja) vou receber líquido 675€ ou 661,5€ ao ano, com o aumento de imposto.
O que é absurdo é a destruição dos incentivos à poupança que todos os governos têm vindo a fazer, seja este aumento do juros, o fim das isenções fiscais dos PPRs, ou a diminuição da remuneração dos Certificados de Aforro.
Houvesse vontade e a pequena poupança (os tais ricos de que fala o post) teria um tratamento diferenciado. Assim, tudo isto é fogo de vista com danos para a classe média, e o grande capital há-de pulular entre off-shores e "perdões fiscais de repatriamento".

Suzana Toscano disse...

Amanhã teremos outro título bombástico tipo "portugueses com as menores poupanças da Europa", e vão culpar o despesismo do Estado e outras coisas mais.Mas parece que este título se enquadra no combate aos ricos...

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro C.e.C
Ignorância e má fé são o que graça, como refere o Dr. Pinho Cardão no seu comentário, em muitos órgãos de comunicação social. E não se vêem melhoras.
Cara Fenix
Não ter um emprego não é sinal de riqueza, quantos trabalhadores vivem no limiar da pobreza.
Caro Bonaparte
Não creio que os males da comunicação social sejam imputáveis ao governo ou a um governo em especial. É um problema de regime.
Caro Stoudemire
Revejo-me no que diz. Mas como ainda conseguiu amealhar uma pequena poupança é rotulado de "rico".
Caro Jorge Lucio
Precisamos de poupar como de pão para a boca. Um dos nossos problemas reside na falta de poupança interna. Numa situação de grave austeridade as pessoas estão a tentar poupar, ao contrário do passado recente, com medo do futuro. Mas, como lembra e bem, não há políticas estáveis e activas de incentivo à poupança. Porque será?
Caro Tiro ao Alvo
Qualquer que seja o lado para onde nos viremos, os impostos estão lá à nossa espera. Assim não é possível sinalizar os comportamentos que se pretendem incentivar e premiar: o consumo ou a poupança.
Caro Gonçalo
Os grandes depósitos e aplicações financeiras já não estão em Portugal, já voaram para outros regimes fiscais. O aumento do IRS vai recair sobre as pequenas poupanças.
Suzana
Criatividade é o que não falta, criatividade destrutiva, bem entendido.