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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A rápida conversão de Hollande

FrançoisHollande acaba de anunciar uma subida de 25 mil milhões de euros nos impostos, sobretudo no IVA, e um corte de 10 mil milhões na despesa pública, de modo a cumprir o défice de 3% no Orçamento do próximo ano. Austeridade, para que o PIB possa crescer sustentadamente, a começar por um aumento de 0,8% em 2013 (coisa em que os economistas do costume dizem não acreditar, pelo que mais cortes orçamentais deverão ser necessários. Lá como cá).
Lá se foi de vez a “aposta”de François Hollande no crescimento através da despesa pública, dos grandes projectos e dos eurobonds, e outros slogans quejandos. À la française, solenemente, no grande salão de festas do Eliseu, rodeado de ministros, ao jeito dos cortesãos da antiga corte.
Passaram apenas 6 meses, mas Hollande aprendeu depressa que demagogia pacóvia não é maneira responsável de governar um país.
E se Hollande já vinha perdendo popularidade mais depressa do que qualquer outro político na história moderna, a partir de agora poderá adivinhar-se o pior. Hollande também mostrou que sabe isso: pediu para ser julgado, não pelo estado da opinião pública de hoje, mas pelo estado da França daqui a 5 anos.
Em post aqui publicado aquando da eleição, vaticinei que Hollande depressa esqueceria as suas promesas e arrepiaria caminho. O que eu não pensava era que fosse tão depressa. Ainda bem.
Um forte golpe na cultura importada (e colada a cuspo) de Seguro. Possa Seguro também seguir agora o mestre que tanto venerou.

5 comentários:

Gonçalo disse...

E não vai ser suficiente.
A lógica dos 3% de défice era válida numa perspectiva de crescimento onde os défices de hoje eram pagos pelo crescimento de amanhã.
Ora, como não vai haver crescimento (que se veja) tão cedo a única meta realista para a gestão orçamental só pode ser o défice zero...
http://notaslivres.blogspot.pt/2012/11/erros-da-governacao-actual-i.html

Zuricher disse...

Nada como a realidade...

Stoudemire disse...

Caro Pinho Cardão (adoro este vocativo!), tenha calma e espere pelo tombo.

Em Portugal e na Grécia, já sabemos como a receita funciona. Agora, a França... ui! ui! é outra conversa.

Quando todos acordarmos, será a própria Alemanha que necessitará de um resgate. «Wait and see!»

manuel.m disse...

Já se sabia há uns tempos que a Espanha seria a nova Grécia e que a França seria a nova Espanha . Just wait and see .
Quanto a Hollande ele foi eleito com a promessa de que seria capaz de ser primeira pessoa ,(para glória da França e espanto da Humanidade), a conseguir abrir e fechar uma torneira ao mesmo tempo,
que é o que significa o aumento exponencial de Despesa e a redução simultanea do Déficit.
Há pois já me esquecia que tudo seria pago com o IRS a 75% para os "ricos".Ontem mesmo se soube que Gerard Depardieu acaba de comprar uma bela casa na Belgica onde consta que que sentirá como em casa tal o numero de compatriotas que terá como vizinhos.
manuel.m

Pinho Cardão disse...

Pois é, caro Manuel m, fica sempre bem aumentar impostos, o problema é cobrá-los. A aumentos desmesurados e desproporcionados corresponde sempre uma diminuição de receita.
Mas, como é politicamente correcto, os políticos gostam.