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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O Sexo do Programa de Ajustamento e o (esperado) tombo das necessidades de financiamento do Estado...

1. Enquanto o País se consome na tresoucada querela, levada ao delírio mediático mais extremo, em torno do Sexo do Programa de Ajustamento – focando, até à exaustão, capítulos terríveis como a “Refundação do Programa”, a “Renegociação do Programa”, a “Extensão ou Prolongamento do Programa” ou até a “Punição Calvinista do Programa”, para além do estafado “Repúdio da dívida do Programa” – nós aqui, sem recursos para acompanhar tão exigente e profunda querela, vamos gastando o tempo com alguns temas triviais das finanças e da economia nacional.
2. Uma das trivialidades que poderá ter interesse analisar é a evolução das Necessidades de Financiamento do Estado (em sentido amplo) no triénio 2011-2013, em versão Bruta e Líquida (NBFE e NLFE), ou seja o nível de recursos financeiros que o Estado carece de obter para cobrir as suas necessidades, para além dos impostos com que literalmente nos esmaga e de outras receitas orçamentais (rendimentos de empresas, venda de patrimônio)…
3. A este respeito, as notícias para 2013 não serão de todo negativas, tendo em conta a seguinte ordem de valores retirada do relatório do Relatório/OE-2013 (milhões Euros):

                        2011                     2012(E)                      2013 (P)

NBFE            52.984                    58.948                        40.251

NLFE            13.277                    21.657                        11.478

(E) Estimativa; (P) Previsão

4. Note-se que o crescimento das NLFE de 2011 para 2012 se deveu, quase exclusivamente, a dois factores (i) aquisição líquida de activos financeiros, traduzida na aquisição de créditos sobre empresas públicas altamente deficitárias até então detidos pelos bancos (valores irrecuperáveis, na m/ opinião) e (ii) reforço da estabilidade financeira, ou seja o apoio prestado a alguns bancos para reforço do respectivo capital (valores recuperáveis).
5. Por sua vez, a redução das NLFE em 2013, em - € 10,2 mil milhões, decorre de (i) menor défice orçamental previsto (-€ 1,7 mil milhões), (ii)  menor aquisição de activos financeiros (- € 5,4 mil milhões), (iii) não estar previsto qq nova aplicação na estabilidade financeira (-€ 4,3 mil milhões) – apurando-se assim um total de € 11,4 mil milhões – e, em contraponto, da previsão de receitas das privatizações menor que em 2012 (- € 1,175 mil milhões).
6. Como é evidente, estas previsões para 2013 estão sujeitas a erro, a começar com a previsão do défice orçamental, passando pela previsão da aquisição de activos financeiros e a acabar nas receitas das privatizações…
7….em qq caso, parece certo que as NLFE serão em 2013 bastante inferiores às de 2012 – e, acrescentarei, espera-se que em 2014 continuem a tombar, convergindo para Zero! Já chega a brutalidade dos impostos que vamos ter de suportar, se o Estado não fica saciado com isso, o que andamos aqui a fazer?
8. Se, para por termo a esta hemorragia de recursos a favor de um Estado insaciável, for preciso refunda-lo ou refundi-lo, reduzi-lo, emagrece-lo, desbasta-lo, xxxx-lo ou qualquer outra coisa, então que esse trabalho seja feito sem mais demora para ver se esta tragédia da absorção de recursos que tanta falta fazem para que a economia possa desenvolver-se é erradicada de uma vez por todas...

11 comentários:

Carlos Sério disse...

E, a despropósito, deixando de lado o modo como o nosso Estado será refu(n)dido, o que pensa o caro TM desta coisa:
O ministro alemão de Finanças estuda propor que a Grécia recompre parte da sua dívida soberana ante o seu baixo preço nos mercados para reduzir a carga que pesa sobre Atenas, informou a 21.10.12 o semanário Der Spiegel.
Ao contrário da política seguida até agora pelo titular alemão de finanças, Wolfgang Schäuble e seus assessores propõem que a Grécia tome dinheiro emprestado do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE) para recomprar dívida ao preço actual, numa média de 25% do valor da sua emissão.
Dessa maneira com cada euro procedente do MEDE poderiam retirar-se quatro euros da velha dívida pública grega do mercado e com 10.000 milhões se reduziria a carga da dívida do país helénico em 40.000 milhões.

Bartolomeu disse...

Em Portugal, em matéria de definição sexual, a coisa vai muito mal, caro Dr. Tavares Moreira.
E o meu comentário não tem nada a ver com a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo (antes fora).
A questão é que; do lado masculino já não ha quem "OS" tenha, grandes e negros como os de antigamente. Hoje as figuras de proa, lembram flanantes bailarinas de tu-tu e sapatinho de balet. Movem-se com todas as cautelas, e anquanto evoluem vão traçando no ar, gestos vagos afectados, de quem não deseja ser tocado e muito menos, questionado.
Do lado feminino, nota-se um travestismo e um desejo premente de afirmação e consolidação de posição igual, mantendo-se contudo a aridez de ideias e a agilidade de pensamento.
Em suma, caro Dr. Tavares Moreira, o país tornou-se assexual; uma doença epidémica que o infectou sem que notasse os sintomas.
E esta falência, traz-nos a todos de cabeça À roda em busca de um médico que nos anuncie a milagrosa descoberta de uma vacina ou de um tratamento que nos ira curar, sem termos de passar por um tratamento doloroso e demorado.
Alguns, mais espertos, mas tão pouco inteligentes quanto os demais já optaram por colocar próteses, fazendo notar um falso volume.
Bahhh... fogo de palha seca!
;)

T1 disse...

Carlos Sério,

ja houve paises que "renegociaram" a sua divida comprado-a em mercado secundário, aproveitando a descida de cotação dos titulos de divida por aumento das yields.

Julgo que os países europeus nao podem "comprar" divida prorpia, somente o BCE, que tem ganho algum muito dinheiro com isso quer na divida Grega 8pois nao subscreveu o perdao) quer na divida portuguesa e espanhola

Tavares Moreira disse...

Oportuno Carlos Sério,

No dia em que isso for anunciado, a cotação da dívida grega no mercado sobe 50%...e lá se vai o negócio!

Caro Bartolomeu,

Não o fazia tão céptico em relação às capacidades dos seus concidadãos em matéria sexual...não estará o meu ilustre Amigo subestimando tais capacidades?
E qual a influência dessa supostamente escassa intensidade de fogo no cumprimento do Programa de Ajustamento?
Curiosamente, ainda não vi nenhum comentário do FMI sobre tal matéria mas não me espantaria que, depois deste alerta lançado por um cidadão tão atento à realidade, o FMI comece a dar algum relevo ao tema...
Mas então é que vão ser elas, a chamada esquerda ululante (pago direitos a J. M. Fernandes) vai entrar em histeria incontrolável...

Caro T1,

Exacto, mas isso só pode ser anunciado depois do facto consumado, nunca antes...

Tonibler disse...

Se começássemos a xxxx-lo seria muito mais fácil recuperá-lo. Mas como os socialistas desta terra preferem fecha-lo que perderem as benesses, o melhor é mesmo fazer-lhes a vontade e fecha-lo.

Tavares Moreira disse...

Tenho a percepção de que é mesmo para aí que as coisas se vão orientando, caro Tonibler...
A evolução fortemente ascendente das taxas de juro da dívida portuguesa a 10 anos (e noutros prazos mais curtos) nestes últimos dias significa que estamos mesmo a dar passos Seguros, bastante Seguros mesmo, nessa direcção...

Tonibler disse...

Não percebo porque o PM anda com tanto prurido ... O comuna do PR também não o vai deixar fazer nada, mais vale avançar já com a venda da CGD. O pavor da auditoria dos compradores deve fazer mexer uma serie de vontades que andam muito relutantes nos últimos tempos.

Suzana Toscano disse...

E a que é que se atribui essa forte subida das taxas de juro, caro Tavares Moreira? Não acredito, apesar de tudo, que haja tanta sensibilidade ao que corre nos nossos telejornais e aos hábitos tradicionais da gritaria nacional em volta de qualquer tema que estimule um pouco a imaginação e a verborreia.

Tavares Moreira disse...

Caro Tonibler,

Já vai em "comuna", o PR? O meu Amigo na arte de colocar etiquetas políticas é um campeão!
"Nem tanto ao mar nem tanto à terra", dizia-se nos meus idos tempos de miudo de escola primária...
Quanto à CGD, como já percebeu, sempre que se fala na abertura do capital - assunto radicalmente diferente da privatização - erguem-se logo uma quantidade de vozes do Coro Corporativo gritando "aqui d'el rei!" que estão a querer levar-nos a galinha dos ovos de ouro...
Uma galinha que nestes últimos 4/5 anos custou ao Estado muitos milhares de milhões de Euros...
Ínterrogo-me se aquilo que mobiliza o Coro Corporativo não será o receio do que poderá emergir no dia em que as contas da instituição tiverem um escrutínio mais exigente...

Cara Suzana,

Nesta evolução dos juros da dívida estão vários factores, a começar no efeito de contágio da situação muito arriscada em que a Grécia se encontra e tb a percepção externa que hoje existe de que o consenso político para a conclusão do 1/3 do processo de ajustamento económico e financeiro em Portugal está bem mais difícil do que sucedeu com os 2/3 anteriores...e que isso poderá precipitar a necessidade de um segundo resgate, seguindo o magnífico exemplo da Grécia.
Entretanto a Irlanda foge-nos, estamos claramente a aproximar-nos da Grécia e a distanciar-nos da Irlanda!

Suzana Toscano disse...

Caro Tavares Moreira, como sabe não percebo nada de economia mas há uma coisa que me suscita as maiores dúvidas e essa é a "sensibilidade" dos mercados para essas flutuações internas. Não acredito que em qualquer país do mundo medidas deste tipo suscitassem grande coesão nacional e paz política, é impossível, a menos que se usasse mão pesada para calar as dúvidas. Creio que esse argumento do Big Brother que não nos deixa sequer suscitar quaisquer dúvidas é muito contraproducente, deixando grande campo de acção aos demagogos que exigem que "eles" sejam postos fora.

Tavares Moreira disse...

Não se assuste, cara Suzana, que aqui não há nenhum Big Brother...
A informação circula hoje nos mercados a velocidade ultra-sónica, como muito bem sabe, e basta ler o relatório da 5ª Avaliação recentemente divulgado pelo FMI para se perceber que os riscos de (in)execução do Programa de Ajustamento aumentaram consideravelmente desde Setembro.
Também não podemos subestimar o efeito de descrédito sobre o País da formidável jurisprudência do T. Constitucional, realizando um trabalho de coveiro da economia de invejáveis méritos...
Tudo isso, somado à enorme incerteza que se vem acumulando em torno da capacidade da Grécia para implementar as medidas que lhe vão permitir não entrar em default bem como à prolongada hesitação da Espanha quanto a cumprir as condições de acesso ao novo Program de compra de dívida pública anunciado pelo BCE no final de Agosto...
...Tudo isso, dizia eu, é mais do que suficiente para explicar esta renovada "nervoseira" em torno da dívida pública portuguesa...
Vá lá que hoje o mercado aliviou um pouco, talvez distraído com as eleições no Tio Sam...