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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

As propostas retroactivas de Zorrinho

O incrível aconteceu, pela voz de Carlos Zorrinho, na Conferência Anual dos Economistas, realizada pela Ordem no dia 13 de Novembro.
Carlos Zorrinho era um dos comentadores do módulo Orçamento para 2013, apresentado pelo Secretário de Estado do Orçamento. Numa intervenção de cariz exclusivamente político, Zorrinho contestou liminarmente o orçamento, que não tinha cura possível. Contudo, e ao de leve, referiu que o PS iria oportunamente apresentar umas quantas propostas de alteração, mas fê-lo com ar tão distante e com tanto desfastio que mostrou que nem ele as valoriza alguma coisa. Porque as verdadeiras propostas a fazer, essas sim, teriam que ser retroactivas: não aumento do IVA e de outros impostos em 2012, e não corte do 14º mês, também em 2012.
Claro que o Memorando assinado com a Troyca e o défice não fazem parte da Agenda de Zorrinho. Mas isso há muito se sabia.
Pensei ter ouvido mal, mas confirmei que foi mesmo isso que Zorrinho disse. Pena foi não ter havido tempo para esclarecimentos da plateia.
Isto é, Zorrinho propôs aquilo que já não pode ser feito, mas não propõe para 2013 aquilo que ainda podia ser feito. Isso, sim, seria uma alternativa. Não se cumpria o défice, mas era uma alternativa. Má, mas fazia prova de vida.
O que significa que o PS não tem qualquer alternativa. Ou, melhor, tem, tem alternativas retroactivas. Mas nem uma alternativa de futuro. 

8 comentários:

Rui Fonseca disse...

Caro António,

A culpa não é do Zorrinho (o nome também não ajuda muito, pois não?)mas do facto de os terem deixado à solta.

Repito-me: Passos Coelho cometeu um erro enorme, creio que por uma ânsia de protagonismo, fatal nas circunstâncias em que se bateu para governar, ao dispensar o partido que suportou o governo anterior de puxar pelo imbróglio de que foram responsáveis maiores.

Fora da gaiola, piam o que lhes dá na gana e, mesmo que piem pior que mal, vão passando de lobos a cordeiros.

Até ao dia que voltam para o poleiro e é a vez deles de não saberem o que fazer ali.

Pinho Cardão disse...

Verdade total, caro Rui!

Bartolomeu disse...

Talvez a melhor proposta se ache "guardada" na endoeconomia...
Vejam e escutem atentamente, a proposta do Sr. Roberto Moreno:
http://www.youtube.com/watch?v=OhW0YSmLXt8

Carlos Miguel Praxedes disse...

O Sr. Pinho Cardão ou algum digno representante do Governo já reconheceu que estas políticas não funcionaram e que era melhor que nem tivessem existido?

Apresentaram soluções alternativas?

Em resumo: se tiverem feito o 1. estão a dar razão ao Sr. Carlos Zorrinho, se não tiverem feito o 2., e cito o post, "não tem qualquer alternativa". Se tiverem feito o 1. e não tiverem feito o 2., e cito novamente o post, "não tem qualquer alternativa. Ou, melhor, tem, tem alternativas retroactivas. Mas nem uma alternativa de futuro."

Tonibler disse...

Há uma enorme incultura (o oposto de cultura) em tudo isto a começar pelo poder do governo. O governo não toma medidas económicas, nunca nenhum tomou. Economia é aquilo que se passa apesar do estado, não aquilo que se passa por causa do estado. Aquilo que o governo tem poder é a entregar serviços imediatos de valorização do trabalho das pessoas, nomeadamente, saúde e educação e isso é trabalho de portugueses pelo que não há qualquer questão nesse aspecto. Portanto todas as medidas que o governo pode tomar são medidas de redução/aumento do custo da entrega desses serviços. Isto para dizer que não há um pacote variado de medidas para tomar, nem sequer há muitas, nem sequer há duas. Há só uma e essa uma é cortar salários.

E há dois tipos de políticos, os ladrões, que dizem que há outras e que querem roubar dinheiro ao contribuinte dizendo que podemos fazer outras coisas, e os que dizem qual é a medida certa. Estamos ainda à espera destes últimos....

Bartolomeu disse...

Concordo com a sua opinião, caro Tonibler, cortar salários é uma medida que se impõe, mas, começando pelos salários do gestores públicos, pelos quadros superiores das forças armadas e pelas pensões milionárias, medida que duvido algum governo venha algum dia a tomar.

Tonibler disse...

Não, caro Bartolomeu, não é "a começar"...

Bartolomeu disse...

Não?!
Pois... tem razão, nunca começará por aí...