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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Prémio John Maddox


John Maddox, físico, foi editor durante muitos anos da prestigiada revista Nature. Faleceu aos 83 anos, em 2009. Apesar de ter sido um editor científico de elevada craveira, mesmo assim, não deixou de publicar em tempos um interessante, mas muito improvável, artigo sobre a homeopatia, da autoria de Benveniste, o qual iria "legitimar" este campo de actuação. No entanto, o editor colocou uma condição, aceite por Benveniste, a revista Nature iria nomear uma equipa para avaliar o trabalho. O resultado foi uma tragédia para o autor, o trabalho era falso, afinal tinha sido "traído" por dois colaboradores ao serviço de interesses homeopáticos.
Após a sua morte foi instituído um prémio com o seu nome destinado a premiar os que defendem os valores da ciência, correndo riscos ou sofrendo qualquer tipo de violência em assuntos de interesse público. Em termos práticos são três as áreas objeto de atenção, os que denunciam os erros, abusos ou mau uso da ciência, os que sejam capazes de trazer para o debate público ou político temas científicos com impacto e os que são capazes de transformar a elevada complexidade de muitos assuntos de forma a serem apreendidos pelo cidadão comum.
Este ano foram laureados um jornalista e um psiquiatra. O jornalista, um chinês, foi sujeito a ataques e a agressões violentas por ter denunciado falsos tratamentos médicos e práticas científicas fraudulentas. Seu nome, Shi-mim Fang. A coragem tem os seus dissabores, mas lutar pela verdade científica é uma tarefa nobre.
O segundo laureado foi o psiquiatra britânico Simone Wessely, que chegou a ser ameaçado de morte por ter proposto aos sofredores da síndrome de fadiga crónica tratamento psiquiátrico, numa altura em que um vírus, o vírus da leucemia do rato, tinha sido sido implicado na etiologia da doença, facto não comprovado.
Afinal, na ciência também é preciso que haja alguém que defenda a verdade e combata a tirania de interesses, defendendo o bem público. 

1 comentário:

Suzana Toscano disse...

Na ciência, como em todos os campos de inovação, em que se contrariam saberes e poderes instalados, práticas de rotina que alimentam vaidades, é sempre preciso ser corajoso para afrontar.Excelente post, há notícias que mereciam ser tratadas com destaque e quase nos passam despercebidas´.