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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Terror


É horrível ter que abrir o jornal e mergulhar nas notícias, um ato de tentativa de suicídio social. A natureza humana é inequivocamente marcada pelo terror, um gosto aflitivo de aplicar o sofrimento ao próximo. Um jovem, à saída da escola, na Venezuela, foi regado com gasolina e transformado numa tocha humana. Motivo? Houve alguém que não admite homossexuais. Como interpretar esta conduta? Uma forma de terrorismo homofóbico. Logo a seguir, uma notícia sobre atitudes coercivas aplicadas a quem não tem possibilidades de cumprir com as suas obrigações. Telefonemas e ameaças feitas sobre os próprios ou familiares provocando desespero e angústia  nos devedores, para os quais contribuíram muitas dessas empresas que souberam "emprestar" dinheiro fácil. Uma forma de terrorismo do crédito fácil. Mas há outras formas, como as decorrentes de velhas e perigosas ideologias, caso dos neonazis alemães que nos últimos anos foram responsáveis pela morte de turcos. Uma forma de terrorismo racial. Olha-se para outra notícia e descortinamos tráfico de carne humana. Uma outra forma de terrorismo, terrorismo sexual. Notícias sobre escravos nos nossos dias? Sim, infelizmente, uma forma de terrorismo de escravidão. Casos e mais casos de violência doméstica, terrorismo de género. Perseguição, assassínios e discriminação baseada na religião, uma outra forma de terrorismo, terrorismo religioso. Exploração de atividades económicas eticamente condenáveis, que acabam por provocar pobreza e mal-estar nos demais, configura o terrorismo económico. Perseguição dos que pensam de forma diferente em termos políticos e que acabam frequentemente nas prisões, na tortura e na morte reflete o terrorismo político. Castigar os cidadãos cumpridores dos seus deveres para com a sociedade ao pagarem os seus impostos, os quais aumentam cada dia que passa, "esquecendo-se" de todos aqueles que nunca cumpriram, e nem cumprem, os seus deveres fiscais, ilustra uma outra forma de terrorismo humilhante, o terrorismo fiscal. Ver a desfaçatez e a falta de caráter de muitos responsáveis da comunicação social que se aproveitam da sua superioridade para humilhar e vexar o próximo, utilizando a astúcia, a argúcia e outros fins menos confessáveis, sugere um outro tipo de terrorismo, o da comunicação social, ao qual se pode adicionar o terrorismo informático. Até a própria justiça é fonte de terrorismo com as suas decisões ou faltas delas, terrorismo judicial. No emprego, ou na falta dele, infelizmente num crescendo aflitivo, também ocorre uma forma de aterrorizar as pessoas, o terrorismo laboral. Muitas outras fontes de terrorismo poderiam ser citadas, mas presumo que as que descrevi são suficientes para ilustrar um dos principais motores da espécie humana, provocar o terror e viver à sua custa. Todos os esforços no sentido de o combater, através de práticas ou atitudes saudáveis, estão condenados ao insucesso. O mundo é dos terroristas, usem as armas que usarem, desde a caneta à oração, passando pela agiotagem e trafulhice económica. Resta-nos alguma esperança de que um dia as coisas se modifiquem. Não creio, mas nada impede que assim o pensemos. Uma forma de consolo.

9 comentários:

JM Ferreira de Almeida disse...

Outra forma de terrorismo, que acentua o horror, é o silêncio de alguns meios em relação a estes crimes, cometidos e calados em nome de uma moral sexual. Todo o crime que redunda na subtração de uma vida é execrável. Mas há homícidios que deveriam ver-se mais severamente censurados pela sociedade quando cometidos em nome de certos "valores"!

Luís Coelho disse...

O terrorismo actual exerce-se sobre muitas e variadas formas como foi explicado no artigo.
Preciasmos educar a nossa joventude nos valores do respeito e da tolerância que nos foram arrancados prepositadamente.

É necessário criar amizade com paz e vida com alegria e amor com partilha da vida e do pão.

Pedro disse...

Massano Cardoso,

deixo-lhe um link, para algo que representa um novo terrorismo - o Terrorismo Institucional :

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1175044-desempregados-gregos-deixam-de-ter-acesso-a-atendimento-medico.shtml

Quando li, doeu-me o olhar.
Mas ainda assim, no artigo é possivel vislumbrar as formas como a "sociedade civil" tentar contrariar este terrorismo atroz.

O que só por si já me deixae o consolo de saber que, por mais tenue que seja, ainda há esperança...

Diogo disse...

Terrorismo é também esmifrar Estados, Empresas e Famílias. É o que o monopólio bancário faz quando o BCE empresta 0,75% aos bancos comerciais, os quais emprestam a Estados, Empresas e Famílias a juros muito superiores. Isto é terrorismo, roubo descomunal e assassínio.

Massano Cardoso disse...

Foi contemplado no "terrorismo económico"!

Suzana Toscano disse...

O que se imaginava era que o chamado "progresso civilizacional" traria, se não o fim, ao menos o enfraquecimento e menor risco de terrorismos de todas as espécies. Gastaram-se riquezas imensas a combatê-los, quer directamente quer através d einvestimento em educação, em elaborados sistemas jurídicos de organização social, de promoção da igualdade de oportunidades, de acesso a liberdades individuais e condições para as exercer. Mas o terrorismo é a decorrência da maldade humana, da ambição de poder, do impulso de dominar. Renasce sob múltiplas formas e, mal se julga que já não existe, ei-lo que surge com mais força e, tantas vezes, mais aceitação. A História mostra-nos o inimaginávelcomo o 11 de março ou massacres e perseguições actuais que nos tempos da barbárie seriam duramente punidas.Talvez a vitória seja a de podermos continuar a combatê-lo, nas suas múltiplas formas e não deixar que se instale.

Suzana Toscano disse...

...11 de Setembro mas também 11 de março.

Diogo disse...

Massano Cardoso disse... - Foi contemplado no "terrorismo económico"!

Foi, mas o tema (fonte de quase todos os outros terrorismos) não foi suficiente desenvolvido.

Massano Cardoso disse...

Diogo. Não sei se é a "fonte" de todos os outros ou se é um dos principais "meios". Quanto ao desenvolvimento, espero que alguém o faça com mais propriedade e profundidade do que eu. Não tenho conhecimentos suficientes sobre certas "ciências" que me permita abordagens temáticas deste género. Também gosto de aprender.